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Ciência

1ª vacina brasileira contra gripe aviária em humanos está sendo desenvolvida

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Criada pelo Instituto Butantan, a primeira vacina brasileira para prevenir a gripe aviária em humanos vai entrar na fase de testes clínicos assim que receber a autorização da Anvisa. Essa etapa será liderada por pesquisadores da Fiocruz e do Centro de Pesquisas Clínicas Plátano.

De acordo com a Fiocruz, serão recrutados 700 voluntários divididos em dois grupos etários (entre 18 e 59 anos e 60+). Eles vão receber duas doses da vacina ou do placebo, com intervalo de 21 dias entre as aplicações. Apenas 1 em cada 7 tomará o placebo. Após, os voluntários serão monitorados por sete meses, com a realização de exames que avaliam a segurança e a eficácia do imunizante.

“A vacina em teste se apresenta como uma possível ferramenta para a criação de anticorpos eficazes contra a gripe aviária, funcionando como um pilar preventivo para evitar uma nova crise pandêmica”, diz Rafael Dhalia, profissional da Fiocruz e um dos principais responsáveis pela próxima fase do desenvolvimento da vacina, em um comunicado da instituição.

Os testes irão acontecer em Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo. Através de um formulário online, é possível se candidatar como voluntário.

Ciência

Reator de fusão nuclear da China supera limite crítico de densidade de plasma

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Experimento no EAST (Experimental Advanced Superconducting Tokamak) mantém estabilidade em densidades extremas, abrindo caminho para energia limpa e ilimitada

O reator de fusão nuclear da China, conhecido como “sol artificial” (EAST), atingiu um marco histórico ao operar o plasma além do seu limite de densidade habitual, o chamado Limite de Greenwald. Em um estudo publicado na revista Science Advances, os cientistas revelaram que conseguiram manter o plasma estável em densidades de 1,3 a 1,65 vezes superiores ao limite operacional comum. O avanço é crucial porque densidades mais elevadas aumentam a probabilidade de colisão entre átomos, tornando o processo de fusão mais eficiente e econômico.

A fusão nuclear busca replicar o processo que alimenta o Sol, fundindo átomos para liberar energia sem as emissões de gases de efeito estufa ou os resíduos radioativos de longa duração da fissão nuclear. O sucesso no EAST foi possível graças ao controle rigoroso da interação do plasma com as paredes do reator, utilizando uma técnica de auto-organização que evitou as instabilidades que normalmente interrompem a reação. Embora a tecnologia ainda consuma mais energia do que produz, este “regime livre de densidade” teórico agora comprovado aproxima a humanidade de uma fonte de energia sustentável para o futuro.

Avanços técnicos e o Limite de Greenwald

A superação deste obstáculo físico representa um salto na engenharia de tokamaks:

  • O Problema da Densidade: O Limite de Greenwald define o ponto onde o plasma se torna instável e “apaga”. Operar acima dele é essencial para viabilizar centrais elétricas.

  • Técnica de Estabilização: Os pesquisadores controlaram a pressão inicial do gás e o aquecimento por micro-ondas (ressonância ciclotron de elétrons) para equilibrar o sistema.

  • Auto-organização (PWSO): O estudo validou a teoria de que o plasma pode se auto-organizar em relação às paredes do reator, mantendo-se estável mesmo sob condições extremas.

  • Comparativo Global: O feito se soma a avanços nos EUA (DIII-D e Wisconsin), consolidando dados para o projeto internacional ITER.

O caminho até 2039 e a crise climática

Apesar do entusiasmo, cientistas ressaltam que a fusão nuclear ainda é experimental. O ITER, o maior tokamak do mundo em construção na França com participação de dezenas de países (incluindo China e EUA), tem previsão para iniciar reações em larga escala apenas em 2039. Portanto, embora promissora para as próximas gerações, a fusão não é vista como solução imediata para a crise climática atual, que exige cortes drásticos de emissões no presente através de tecnologias já disponíveis.


Com informações: Live Science

 

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Ciência

Astrofotógrafo registra Hubble cruzando o Sol em alinhamento raro de um segundo

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Fenômeno capturado em Porto Rico exigiu precisão matemática e equipamentos especializados; silhueta do telescópio atravessou o disco solar a 27 mil km/h

Um registro impressionante realizado em dezembro de 2025 revelou o Telescópio Espacial Hubble cruzando a superfície do Sol. Capturado pelo astrofotógrafo Efrain Morales, na cidade de Aguadilla, em Porto Rico, o vídeo mostra a silhueta do observatório — que orbita a Terra a 547 quilômetros de altitude — passando rapidamente diante da mancha solar AR4308. O evento foi extremamente fugaz, durando apenas 1,01 segundo do ponto de vista do observador, o que exigiu um planejamento técnico rigoroso para não perder o momento exato do trânsito.

A dificuldade da captura reside no tamanho reduzido do Hubble e na velocidade de seu deslocamento. Com cerca de 13 metros de comprimento, o telescópio é dez vezes menor que a Estação Espacial Internacional (ISS), tornando sua identificação contra o brilho solar um desafio considerável. Além disso, o alinhamento só pôde ser observado dentro de um corredor terrestre estreito, de apenas 7,54 quilômetros de largura, evidenciando que qualquer erro de posicionamento geográfico tornaria o registro impossível.

O Telescópio Espacial Hubble aparece como um pequeno ponto preto cruzando rapidamente a superfície do Sol (Imagem: Efrain Morales)

Detalhes técnicos e desafios da captura

O sucesso da filmagem dependeu de uma combinação de softwares de precisão e hardware avançado:

  • Precisão Geográfica: O astrofotógrafo precisou se posicionar exatamente dentro da faixa de visibilidade calculada para o trânsito.

  • Equipamentos de Ponta: Foi utilizado um telescópio solar Lunt LS50THa e uma câmera ASI CMOS de alta taxa de quadros (frames por segundo), essencial para congelar o movimento a 27 mil km/h.

  • Segurança Solar: O registro utilizou filtros especializados para observação segura, reforçando que nunca se deve apontar equipamentos para o Sol sem proteção adequada.

  • Comparação com a ISS: Devido ao seu tamanho diminuto, o trânsito do Hubble é considerado muito mais complexo de fotografar do que o da Estação Espacial Internacional.

O Hubble em órbita

Lançado em 1990, o Hubble completa uma volta ao redor da Terra a cada 95 minutos. Embora o telescópio seja conhecido pelas imagens profundas do universo, registros feitos a partir da Terra, como o trânsito solar, ajudam a ilustrar a escala e a velocidade dos objetos produzidos pelo homem em órbita baixa. O vídeo de Morales não apenas documenta um evento raro, mas serve como um testemunho da evolução da astrofotografia amadora, que agora alcança níveis de precisão antes restritos a grandes agências espaciais.


Com informações: Olhar Digital

 

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Ciência

Pira funerária de 9.500 anos descoberta no Malawi é a cremação mais antiga da África

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Estudo publicado na revista Science Advances revela ritual complexo de caçadores-coletores que envolveu a remoção do crânio e um esforço coletivo inédito para a época

Arqueólogos descobriram no sopé do Monte Hora, no Malawi, os restos mortais de uma mulher cremada há cerca de 9.500 anos, estabelecendo um novo recorde para o continente africano. A descoberta é significativa por ser a evidência mais antiga de cremação intencional na África e a pira funerária de um adulto mais antiga do mundo encontrada in situ (em sua posição original). A análise de 170 fragmentos ósseos indicou que a mulher tinha entre 18 e 60 anos e media menos de 1,50 metro de altura.

O ritual funerário apresentou detalhes intrigantes: os pesquisadores notaram a ausência total de fragmentos de crânio ou dentes, sugerindo que a cabeça foi removida antes da queima. Além disso, marcas de corte em outros ossos indicam que partes do corpo foram separadas intencionalmente, práticas que os cientistas associam à memória social e ao respeito pelos ancestrais. A cremação ocorreu pouco tempo após a morte, exigindo uma temperatura superior a 500°C e um esforço coordenado do grupo para manter o fogo alimentado.

Aspectos únicos da descoberta arqueológica

A pira funerária desafia as percepções sobre a organização social das antigas comunidades africanas:

  • Esforço Coletivo: Estima-se que foram necessários ao menos 300 kg de madeira e grama para a cremação, sugerindo um trabalho em grupo intensivo e incomum para caçadores-coletores.

  • Local de Memória: Vestígios de grandes fogueiras no local antes e depois do evento indicam que o ponto da pira permaneceu como um local sagrado por séculos.

  • Ritual Específico: Embora o cemitério contenha diversos sepultamentos tradicionais de até 16 mil anos, esta foi a única pessoa cremada, o que sugere que ela possuía um status ou papel social único.

  • Comparação Global: Antes desse achado, as cremações africanas mais antigas conhecidas datavam de apenas 3.500 anos atrás, no Quênia.

Implicações para a antropologia

Para os pesquisadores das universidades de Yale, Oklahoma e do Museu de História Natural de Cleveland, o achado obriga a comunidade científica a repensar o trabalho e o ritual em comunidades antigas. A cremação não era apenas uma forma de descartar o corpo, mas um “espetáculo” planejado que exigia tempo, combustível e coordenação. O uso de ferramentas de pedra encontradas na pira como possíveis objetos funerários reforça a ideia de uma cerimônia elaborada de despedida e preservação da linhagem ancestral.


Com informações: Live Science

 

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