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Distrito Federal

CLDF debate ampliação de políticas públicas voltadas para HIV/aids no DF e entorno

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Na reunião, foram apresentados diagnósticos da pesquisa do Projeto Amor+, com enfoque nos serviços públicos e legislação referentes ao tema

A Câmara Legislativa do Distrito Federal debateu, na manhã desta quinta-feira (20), os resultados do levantamento realizado pelo Projeto Amor+, iniciativa do grupo Mães da Resistência em parceria com o Fundo Positivo, que coletou e analisou dados de serviços públicos de diagnóstico, prevenção e tratamento de HIV/AIDS no DF e entorno.

O encontro, presidido pelo deputado Fábio Felix (Psol), reuniu o grupo de trabalho responsável pela pesquisa, especialistas em saúde pública e representantes de movimentos sociais da comunidade LGBTQIA+. Baseados nas informações do relatório, os participantes discutiram a ampliação de medidas de assistência ao HIV/aids e do combate ao estigma, discriminação e desinformação.

A reunião desta quinta-feira retoma a discussão iniciada no fim do ano passado, realizada em alusão ao Dezembro Vermelho — mês dedicado à conscientização do HIV, aids e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) —, que debateu o enfrentamento ao preconceito, exclusão e rejeição de pessoas vivendo com o vírus e a síndrome.

No discurso inicial, Fábio Felix ressaltou a importância do diálogo aberto e inclusivo a respeito da transmissão e prevenção de ISTs, HIV e aids para garantir acesso a atendimento adequado. O parlamentar também reconheceu a relevância do envolvimento da comunidade LGBTQIA+ na promoção da saúde no contexto do HIV/aids nas últimas décadas.

“Quando falamos de prevenção de ISTs, HIV e aids, mais sabemos que quem tem se levantado para ajudar a discutir essa política pública na saúde, hoje, é a comunidade LGBT”, disse Felix. “Independente da discussão de grupos, temos nos levantado para fazer esse debate porque já sofremos muito com essa questão lá atrás. É a comunidade LGBT que tem protagonizado essa discussão.”

Resultados

A pesquisa do Projeto Amor+ obteve respostas das Secretarias de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e de Goiás (SES-GO). Segundo os resultados do levantamento feitos no DF, a unidade federativa apresenta oferta abrangente de serviços e insumos preventivos, incluindo distribuição de medicamentos como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e exames de testagem rápida como o LF-LAM (lipoarabinomanano de fluxo lateral) para tuberculose.

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O Distrito Federal também possui legislação distrital que garante a continuidade de ações de prevenção e atendimento. Além disso, oferece atendimento integral à população LGBTQIA+ com distribuição de preservativos e cartilhas em campanhas e eventos e faz parceria com movimentos sociais para promover ações de sensibilização. Apesar dos avanços, ainda enfrenta desafios como preconceito institucional, falta de sigilo médico e dificuldades na capacitação de profissionais.

Em Goiás, apesar da oferta de diversos serviços de prevenção e tratamento de HIV/aids, há dificuldade de acesso em áreas rurais e periféricas, impactando populações vulneráveis. A pesquisa indicou, ainda, discriminação institucional e a falta de capacitação profissional. Ações como o programa Goiás Social e mutirões são realizadas, mas faltam iniciativas contínuas para a população LGBTQIA+.

Anna Tavares, membro da coordenação do grupo Mães da Resistência e uma das integrantes do grupo de trabalho que elaborou o relatório, explicou que a partir dos resultados a equipe organizou um comparativo entre as duas regiões. Segundo ela, as respostas indicam que Goiás e DF apresentam avanços na cobertura de serviços, mas há necessidade de criação de parcerias com organizações sociais para alcançar populações mais isoladas.

“Como recomendações para ambas regiões, propomos promover capacitações periódicas para profissionais de saúde com foco em atendimento inclusivo, ações de distribuição de insumos para áreas periféricas e rurais, criação de legislações estaduais mais específicas para garantir a continuidade das ações de prevenção e tratamento e fortalecer parcerias com sociedade civil para potencializar as ações de sensibilização”, listou Anna Tavares.

Formulário

O Projeto Amor+ atua nas cinco regiões do Brasil, construindo um panorama detalhado da situação do HIV/aids em diferentes áreas do país. As informações são coletadas a partir de um extenso formulário estruturado em oito sessões com questões de múltipla escolha sobre qualidade dos serviços públicos de atendimento, detecção, prevenção e tratamento do HIV/aids. O documento é enviado a gestores locais, tanto municipais quanto estaduais, que respondem voluntariamente às perguntas.

“Nós fizemos o levantamento de dados majoritariamente qualitativo, ou seja, vai indicar o quê, mas não quanto de cada coisa”, explicou Anna Tavares. “Algumas perguntas que fizemos foram também quantitativas, mas esses dados, nós observamos, são mais sensíveis, não temos uma fonte confiável”, esclareceu.

Leila D’Arc de Souza, também membro das Mães da Resistência, criticou a ausência de dados precisos sobre o orçamento destinado às medidas de saúde de HIV/aids, o que dificulta a efetividade de ações governamentais. “Na questão dos recursos destinados às políticas de combate, prevenção e tratamento do HIV e aids, os gestores não responderam porque não tem essa informação. Isso é muito revelador”, disse.

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Saúde pública

A assessora de Áreas Estratégicas da Atenção Primária da SES-DF, Karine Rodrigues, destacou o trabalho da diretoria na prevenção e tratamento do HIV/aids. Ela mencionou que no âmbito interno da saúde pública do DF, existem propostas para enfrentar o preconceito institucional.“Já temos discutido dentro da Secretaria de Saúde como que a gente enfrenta o preconceito institucional, como vai ser nossas ações considerando que não vai ser em um ano, seis meses que não vai ser em um processo rápido”, disse Karine.

A assessora também citou a desburocratização do acesso à PrEP e à PEP, iniciada no DF entre 2015 e 2016, como avanço importante, além de iniciativas de capacitação de servidores para prescrição dos medicamentos nas unidades básicas de saúde (UBS). Outro aspecto apontado por Karine Rodrigues foi a introdução do diagnóstico precoce como política pública, que diminuiu o fluxo de atendimento.

“Introduzimos, enquanto política pública, a questão do diagnóstico precoce. Não precisamos mais fazer regulação para o infectologista de imediato. A depender da carga viral que a pessoa tiver, o mais importante no tratamento é acolhê-la para iniciar o tratamento e fazer os exames periódicos”, contextualizou Karine Rodrigues.

Melyssa Chaves, coordenadora do Projeto Amor+; Gabriel Borba, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Gustavo Passos, oficial para Determinantes Sociais em HIV/AIDS e Evidências; Gabriel Borba, oficial para Legislativo e Populações do Unaids Brasil; Girlayne Carvalho, presidente da Mães da Resistência; e a deputada federal (PT-DF) Érika Kokay estiveram presentes no evento. A reunião pública de hoje foi transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital e pode ser assistida no canal da CLDF no YouTube.


*Agência CLDF

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Soldado torna-se réu por feminicídio e destruição de cadáver de cabo do Exército no DF

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Justiça comum acolhe denúncia do MPDFT e decide que crime, ocorrido dentro de unidade militar, será julgado por júri popular por não ter relação com atividades da caserna

O Tribunal do Júri de Brasília aceitou, nesta quarta-feira (7), a denúncia contra o soldado Kelvin Barros da Silva, tornando-o réu pelo assassinato de Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos. A vítima era cabo temporário músico do Exército e foi morta em 5 de dezembro de 2025. O crime foi classificado como feminicídio por envolver menosprezo à condição de mulher, com agravantes de crueldade e ausência de chance de defesa. Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o acusado desferiu um golpe de faca no pescoço da jovem e, em seguida, ateou fogo ao corpo, o que resultou também na acusação por destruição de cadáver.

Um ponto central da decisão judicial foi a definição da competência para o julgamento. Embora o assassinato tenha ocorrido dentro de uma organização militar, a Justiça do Distrito Federal acatou o argumento de que o ato não possui vinculação com o desempenho de funções militares. Dessa forma, prevalece a competência constitucional do Tribunal do Júri para crimes dolosos contra a vida, permitindo que o acusado seja julgado pela sociedade em um júri popular. A Justiça Militar da União permanecerá responsável apenas por eventuais crimes conexos de natureza estritamente militar que possam surgir no curso do processo.

Detalhes do caso e qualificadoras

A denúncia detalha a gravidade das ações praticadas pelo agora réu:

  • Feminicídio: O crime foi motivado por discriminação e menosprezo à condição feminina da vítima.

  • Crueldade: O MPDFT apontou que o uso de arma branca e a posterior carbonização do corpo demonstram requintes de crueldade.

  • Impossibilidade de Defesa: A vítima foi atacada de forma a não conseguir reagir ou escapar da agressão fatal.

  • Ocultação e Destruição: Após a morte, Kelvin ateou fogo ao local para destruir o cadáver e fugiu sem levantar suspeitas imediatas.

Competência da Justiça Comum

A decisão reforça o entendimento jurídico de que crimes contra a vida praticados por militares contra militares, quando motivados por razões pessoais e fora do contexto operacional, devem ser analisados por cidadãos civis. O MPDFT sustentou que o julgamento pelo júri popular é uma forma de a sociedade exercer sua defesa contra atos de extrema violência. Kelvin Barros da Silva responderá ao processo sob a custódia das autoridades, enquanto o caso segue os trâmites para a definição da data do julgamento final.


Com informações: MPDFT

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Clínica de implantes é condenada a indenizar paciente por falhas graves em tratamento dentário no DF

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Justiça de Brasília determinou a restituição integral de valores e o pagamento de danos morais após perícia constatar falta de planejamento e baixa qualidade das próteses

A 6ª Vara Cível de Brasília condenou a empresa Vital Implantes Eireli a indenizar uma paciente e seu marido por danos materiais e morais decorrentes de um tratamento de reabilitação oral mal-sucedido. De acordo com o processo, a paciente passou mais de três anos submetida a diversos procedimentos, incluindo a colocação de próteses e implantes, sem que o serviço fosse concluído de forma satisfatória. As falhas na prestação do serviço resultaram em sequelas físicas e emocionais, impedindo a mulher de se alimentar e dormir adequadamente devido a dores persistentes e próteses provisórias de má qualidade.

Em sua defesa, a clínica alegou que o tratamento seguiu as técnicas adequadas e atribuiu a demora e as intercorrências à culpa exclusiva da paciente, citando atrasos na entrega de exames e períodos de suspensão do tratamento. No entanto, o laudo pericial foi determinante para a sentença, apontando erros graves como a ausência de exames essenciais, falta de prontuário médico e execução técnica deficiente. O juiz concluiu que a insatisfação da paciente foi uma reação legítima a uma sucessão de erros da clínica e determinou o pagamento de R$ 10 mil por danos morais, além da devolução de todo o dinheiro investido.

Falhas identificadas pela perícia especializada

O laudo técnico destacou pontos críticos que fundamentaram a condenação:

  • Falta de Planejamento: Ausência de diretrizes claras e comunicação inadequada sobre os riscos e etapas do tratamento.

  • Deficiência Documental: O prontuário da paciente era inexistente ou incompleto, dificultando o acompanhamento por diferentes profissionais.

  • Má Qualidade Protética: As próteses entregues apresentavam baixa qualidade e divergiam do que havia sido contratado originalmente.

  • Negligência Clínica: Omissão de exames indispensáveis para procedimentos complexos de implantes em pacientes com perda óssea.

Resumo da decisão judicial

A sentença do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) estabeleceu:

  1. Rescisão Contratual: O contrato entre as partes foi formalmente encerrado por culpa da clínica.

  2. Restituição Financeira: A Vital Implantes deve devolver todos os valores pagos pela paciente ao longo dos três anos de tratamento.

  3. Danos Morais: Pagamento de R$ 10 mil como compensação pelo sofrimento físico, emocional e pelo descaso no atendimento.

  4. Possibilidade de Recurso: A empresa ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores.


Com informações: TJDFT

 

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Distrito Federal registra queda de 96% nos casos de dengue em 2025

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Monitoramento contínuo, uso de drones e tecnologia Wolbachia foram fundamentais para reduzir as notificações de 278 mil para 11 mil em um ano

O Distrito Federal apresentou um balanço epidemiológico altamente positivo ao encerrar o ano de 2025. De acordo com o boletim da Secretaria de Saúde (SES-DF), o número de casos prováveis de dengue entre residentes despencou de 278.019, em 2024, para apenas 11.108 em 2025 — uma redução drástica de 96%. A queda foi observada em todas as regiões de saúde do DF, sendo a faixa etária dos 20 aos 29 anos a que ainda concentra o maior índice de notificações. Das 24.759 suspeitas registradas ao longo do ano, menos da metade foi confirmada como caso provável, evidenciando o sucesso das medidas de controle e prevenção.

Segundo a Vigilância Epidemiológica, o controle da doença foi alcançado graças à atualização rigorosa do plano de contingência para arboviroses e ao investimento em tecnologias de monitoramento. Mais de 1,8 milhão de imóveis foram vistoriados por agentes de saúde, que contaram com o apoio de drones para mapear focos em áreas de difícil acesso e a instalação de milhares de ovitrampas (armadilhas para ovos) para monitorar a densidade populacional do mosquito Aedes aegypti.

Estratégias de combate e tecnologias aplicadas

O combate à dengue em 2025 foi marcado por uma abordagem multifacetada:

  • Método Wolbachia: Utilização de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que impede o vírus da dengue de se desenvolver no inseto, reduzindo a transmissão.

  • Monitoramento por Drones: Mapeamento de 2.100 hectares em 22 regiões administrativas para identificar acúmulos de água em telhados e lotes vagos.

  • Vigilância Ambiental: Instalação de 3,2 mil estações de larvicidas e 3,8 mil ovitrampas para controle biológico e estatístico.

  • Ações Territoriais: Borrifações residuais e visitas domiciliares constantes para eliminação de criadouros.

Alerta para o período de chuvas

Apesar da redução histórica, a Secretaria de Saúde reforça que a população não deve baixar a guarda. Com a chegada do verão, a combinação de calor intenso e chuvas frequentes cria o ambiente ideal para a reprodução do mosquito. A manutenção da limpeza de calhas, vasos de plantas e caixas d’água continua sendo a principal barreira contra novas epidemias. A melhoria na qualidade dos dados coletados em 2025 permite agora que o sistema de saúde antecipe surtos e direcione as equipes de aplicação de inseticida (“fumacê”) com maior precisão cirúrgica.


Com informações: Agência Brasília e Jornal de Brasília

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