Arturo Hartmann e Alex Delouya, do Vozes Judaicas por Libertação, analisam discurso da entidade, que busca taxar de antissemita uma crítica do presidente ao Estado de Israel
Especialistas e lideranças de organizações da sociedade civil interpretaram a reação da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) à declaração do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que denunciou o genocídio contra os palestinos, como parte de uma estratégia do governo israelense. No último domingo (11/05), a organização judaica classificou as falas do mandatário como suposto ato de apoio ao antissemitismo.
Segundo fontes ouvidas por Opera Mundi, o que está por trás da nota da entidade sionista é uma estratégia política coordenada nos planos nacional e internacional. O objetivo seria consolidar o que identificam como um verdadeiro plano de extermínio do povo palestino.
O soft power sionista
Para Arturo Hartmann, membro do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o governo de Benjamin Netanyahu representa um projeto colonial e de extrema direita, com braços espalhados pelo mundo, como a CONIB. No entanto, ele avalia que a organização “obviamente não representa toda a comunidade judaica.”
“[O governo de Israel] tenta entrar em todas as esferas do poder público e do conhecimento para travar o debate e permitir que Israel construa um soft power [estratégia de influenciar ações de atores internacionais pela via cultural e do debate de ideias], construir um campo para fazer um washing [melhorar a imagem do governo israelense], enquanto você está exterminando uma população”, disse.
Hartmann também chama atenção para a tentativa de classificar qualquer crítica ao Estado de Israel como antissemitismo – o que tem ocorrido em diversos âmbitos, como nas universidades e em tramitação de projetos de lei no Congresso.
Além disso, o pesquisador enxerga uma tentativa de encobrir o contexto histórico do extermínio na Faixa de Gaza. “O conflito não começou em 7 de outubro. Essa crítica da CONIB tenta entregar implicitamente esse dado. Você tem um cerco desde 2007. Em 2012, a ONU já havia publicado um primeiro relatório que dizia que Gaza estava se tornando um lugar inabitável”, afirma.
Para Arturo, a narrativa adotada pela entidade também corrobora com o objetivo do governo de Netanyahu de realizar uma disputa no âmbito do direito internacional. A intenção seria livrar Israel da condenação de crimes de guerra e deixar o campo aberto para o avanço sobre o território palestino.
Lawfare de Israel
Moara Crivelente, doutora em Política Internacional e Resolução de Conflitos pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), o lawfare de Israel é algo antigo e que tem origem em uma tradição dos Estados Unidos – os principais aliados de Netanyahu na guerra contra o povo palestino. “Israel faz isso há muito tempo. Ficou conhecido o termo lawfare que é o uso de direito para o soft power, para compor uma estratégia ofensiva”, disse a pesquisadora.
Um dos braços explícitos dessa estratégia seria o Lawfare Project. Trata-se de uma rede de advogados sionistas, presente em diversos países, cujo objetivo é processar pessoas refratárias ao genocídio em Gaza. Um dos alvos é, inclusive, professores universitários que criticam o Estado de Israel, segundo Crivelente.
Lula criticou Estado de Israel durante coletiva realizada em Moscou – Ricardo Stuckert / Presidência da República
Apesar disso, a especialista em resolução de conflitos acredita que continua sendo importante chamar a atenção da comunidade internacional para o cenário em Gaza. “Temos visto arrefecer o debate sobre o genocídio na Palestina, e declarações como a de Lula ajudam a retomar o assunto nos termos certos e não só nas retóricas vazias. Chamar de genocídio é importante”, defendeu.
Já para Rogério Dutra, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), essa narrativa israelense “chancela” uma postura de Estado que é “absolutamente contrária às regras do direito internacional”. “Nós temos um protocolo para a realização de conflitos (…) e o extermínio em massa está fora de ser validado pelo direito internacional”, afirmou.
Segundo o jurista, a fala de Lula vai além de um posicionamento público e iria de encontro com princípios basilares dos direitos humanos. “A crítica que Lula faz ao Estado de Israel é absolutamente coerente com o respeito aos direitos humanos. Nós temos um conjunto bastante significativo de provas de que Israel está cometendo um genocídio”.
Outras vozes judaicas
A posição da CONIB não tem sido uma unanimidade na comunidade judaica. Alex Delouya, do Vozes Judaicas por Libertação, também recebeu o conteúdo da entidade sionista com indignação.“A nota da CONIB está errada ao dizer que Lula adota uma postura antissemita. Lula não faz nenhuma afirmação que se refere aos judeus. Há uma única afirmação que ele faz sobre o fato verdadeiro de que Israel é um Estado genocida (…) não há algo direcionado aos judeus, e sim à postura do governo israelense na guerra”, disse.
Anúncio
O ativista também acredita que a nota faz parte de uma estratégia adotada pelo governo israelense para justificar os seus crimes de guerra. “O expediente usado pela CONIB é bem conhecido. Utiliza o rótulo de antissemitismo de maneira falsa para sufocar as vozes palestinas e todas as vozes que denunciam o que Israel está fazendo”.
Alex disse ainda que a luta contra antissemitismo é prejudicada pelo o que ele entende como uma instrumentalização do conceito por parte de, apenas, alguns setores da comunidade judaica. “Israel não tem o monopólio da comunidade judaica, embora queira falar pelos judeus, não representa todos os judeus. Israel é um Estado e os judeus são uma comunidade diversa espalhada pelo mundo, com diferentes posições. A partir do momento que toda crítica a Israel vira antissemita, a gente perde força para combater de maneira séria o antissemitismo”, defendeu o representante da organização judaica.
As declarações de Lula
A fala de Lula também representa um papel de distribuição dos polos de poder no mundo, com mais protagonismo do Sul Global, segundo Amanda Harumy, doutora em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP). Ela acredita ainda que a declaração se insere em um contexto de construção de um mundo multipolar que não se dará, necessariamente, de modo pacífico.
“Espaços precisam ser construídos, então a liderança de Lula, somado ao histórico da diplomacia brasileira, pacifista e humanista, é muito importante. Nesse sentido, é fundamental dizer o que se passa na Palestina, alertando o mundo sobre a necessidade do fim desse conflito”, afirmou.
Fiscalização em Altamira e Uruará identificou serrarias irregulares, descumprimento de embargos e extração em terras indígenas e áreas protegidas
O Ibama desarticulou uma rede de processamento, armazenamento e transporte de madeira ilegal em uma operação estratégica no estado do Pará. As ações concentraram-se nos municípios de Altamira (distrito de Castelo dos Sonhos) e Uruará, regiões pressionadas pelo desmatamento no entorno da rodovia Transamazônica (BR-230). A operação resultou em multas que superam R$ 15 milhões, apreensão de milhares de metros cúbicos de madeira e a demolição de estruturas clandestinas. O Grupo de Combate ao Desmatamento da Amazônia (GCDA) liderou a fiscalização, focando no enfrentamento à cadeia produtiva que tenta legalizar produtos extraídos de áreas proibidas.
Em Uruará, o Ibama identificou a prática de “esquentamento”, onde fraudes em sistemas oficiais tentam dar aparência legal a madeiras retiradas de unidades de conservação e terras indígenas, como a TI Cachoeira Seca. Já em Castelo dos Sonhos, uma serraria reincidente, que já havia sido embargada em agosto de 2025, teve suas instalações demolidas após os agentes constatarem que a atividade ilegal havia sido retomada em descumprimento à ordem administrativa.
Principais resultados da operação
A fiscalização detalhou as irregularidades encontradas nos polos madeireiros:
Multas Aplicadas: R$ 13,7 milhões em Uruará e autuações adicionais em Castelo dos Sonhos, baseadas no Decreto Federal nº 6.514/2008.
Madeira Apreendida: Mais de 4,4 mil m³ em tora e cerca de 1,5 mil m³ de madeira serrada.
Áreas Invadidas: Fortes indícios de extração na Terra Indígena Baú, Terra Indígena Cachoeira Seca e na Base Aérea da Serra do Cachimbo.
Fiscalização em Rodovias: Apreensão de 156 m³ de madeira beneficiada sem documentação em caminhões na BR-230.
O combate ao “esquentamento” de madeira
A prática de fraude nos sistemas de controle ambiental é um dos maiores desafios para a preservação da Amazônia. Os criminosos utilizam créditos de áreas licenciadas para acobertar madeira derrubada em áreas protegidas. Durante as vistorias, o Ibama apontou divergências críticas entre os volumes declarados eletronicamente e o saldo físico encontrado nos pátios das empresas. Como medida punitiva, as empresas tiveram suas atividades suspensas nos sistemas oficiais, impedindo a comercialização legalizada até a regularização total.
O Monumento Natural Estadual Cajueiro de Pirangi garante a proteção da árvore gigante, ponto turístico da praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim
O famoso Cajueiro de Pirangi, localizado no Rio Grande do Norte e reconhecido internacionalmente como o maior do mundo, recebeu um novo status de proteção ambiental. Através de um decreto assinado pela governadora Fátima Bezerra, a área de mais de 8.400 metros quadrados que abriga a árvore secular foi transformada no Monumento Natural Estadual Cajueiro de Pirangi. A medida, oficializada durante a celebração dos 137 anos da planta, estabelece uma unidade de conservação de proteção integral, visando salvaguardar não apenas o patrimônio botânico, mas também a fauna local, incluindo espécies ameaçadas de extinção como o lagartinho-do-foliço e a cobra-de-duas-cabeças.
A árvore, que detém o título no Guinness Book desde 1994, possui uma anomalia genética rara que permite que seus galhos cresçam lateralmente e criem novas raízes ao tocarem o solo, expandindo-se continuamente. Com a criação da 12ª unidade de conservação do estado, o governo potiguar busca estruturar melhor a gestão do local, incentivando a pesquisa científica e o turismo sustentável. A preservação garante que o símbolo cultural e histórico de Parnamirim seja mantido para as futuras gerações sob um regime jurídico mais rigoroso e voltado para a educação ambiental.
Objetivos e características da nova proteção
A criação do monumento natural traz diretrizes específicas para a gestão da área:
Proteção Jurídica: O decreto nº 35.203/2025 assegura proteção integral contra intervenções que possam degradar a árvore.
Fomento Científico: Estímulo ao estudo da anomalia genética e da biodiversidade local.
Preservação da Fauna: Foco na proteção de répteis endêmicos e ameaçados que habitam o ecossistema do cajueiro.
Turismo Sustentável: Fortalecimento da economia local através de atividades turísticas ordenadas e educativas.
Dimensões: A unidade abrange o perímetro de cerca de 500 metros da árvore recordista.
O fenômeno botânico de Pirangi
O crescimento desmedido do Cajueiro de Pirangi é fruto de um fenômeno genético raro. Diferente de árvores comuns, seus galhos pesados inclinam-se até o chão e, devido a uma mutação, possuem a capacidade de criar raízes (alporquia natural). Uma vez enraizados, esses galhos passam a funcionar como novos troncos, alimentando o crescimento de novos ramos laterais. Estima-se que a árvore produza cerca de 70 mil cajus por safra, ocupando uma área equivalente a 70 cajueiros normais, o que atrai milhares de visitantes anualmente ao litoral sul do Rio Grande do Norte.
Investigação do Gaeco aponta que grupo manipulava processos cíveis e criminais para extorquir investigados; movimentações chegam a R$ 4 milhões
Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Pará (MPPA), revelou a existência de uma associação criminosa infiltrada nas cúpulas da segurança e do judiciário paraense. O esquema envolveria dois delegados da Polícia Civil, um promotor de Justiça e um juiz, suspeitos de burlar a distribuição de processos e cobrar vantagens indevidas. Segundo o relatório de 552 páginas elaborado pela Procuradoria-Geral de Justiça, o grupo identificava vítimas em potencial — incluindo influenciadores digitais ligados a jogos de aposta e devedores cíveis — para instaurar inquéritos policiais que serviam como instrumento de pressão para o pagamento de propinas.
Em decisão proferida em 12 de dezembro, a desembargadora Eva do Amaral Coelho determinou o afastamento imediato dos delegados Arthur Afonso Nobre de Araújo e Carlos Daniel Fernandes de Castro, além do promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano. O juiz Jackson Sodré Ferraz também é alvo da investigação, tendo o sigilo bancário e fiscal de seus familiares quebrado sob suspeita de recebimento de valores ilícitos. Estima-se que o núcleo liderado pelo delegado Arthur Nobre tenha movimentado cerca de R$ 4 milhões de forma irregular desde 2021, utilizando saques em espécie e contas de terceiros para lavagem de dinheiro.
Detalhes do esquema e principais investigados
A atuação do grupo consistia em uma “inversão completa” das funções públicas:
Modus Operandi: O grupo instaurava inquéritos sobre temas cíveis (como dívidas) para simular cobranças e forçar acordos mediante propina. Em um caso com influenciadores, a solicitação teria atingido R$ 547 mil.
Arthur Nobre de Araújo (Delegado): Apontado como figura central e mentor da associação criminosa.
Carlos Daniel de Castro (Delegado): Ex-diretor metropolitano da Polícia Civil, afastado por suspeita de participação no esquema.
Jackson Sodré Ferraz (Juiz): Investigado por conceder medidas cautelares estratégicas durante plantões judiciais para favorecer as ações do grupo.
Luiz Márcio Cypriano (Promotor): Afastado de suas funções por suposto envolvimento direto nas negociações ilícitas.
Respostas institucionais e defesas
O Ministério Público afirmou que as investigações prosseguem para reunir provas contra todos os envolvidos, classificando o episódio como um grave ataque ao sistema de segurança do estado. A Polícia Civil do Pará já instaurou processos disciplinares e confirmou o afastamento dos delegados citados. Já as defesas dos investigados apresentam posicionamentos variados: a defesa do juiz Jackson Sodré nega as acusações e afirma que elas não se sustentam; a defesa do delegado Carlos Daniel reafirma sua inocência, enquanto o promotor afastado declarou que aguarda acesso integral aos autos para se manifestar. O Tribunal de Justiça do Pará optou por não comentar o caso por estar sob sigilo.
Websites store cookies to enhance functionality and personalise your experience. You can manage your preferences, but blocking some cookies may impact site performance and services.
Essential cookies enable basic functions and are necessary for the proper function of the website.
Name
Description
Duration
Cookie Preferences
This cookie is used to store the user's cookie consent preferences.
30 days
These cookies are needed for adding comments on this website.
Name
Description
Duration
comment_author
Used to track the user across multiple sessions.
Session
comment_author_email
Used to track the user across multiple sessions.
Session
comment_author_url
Used to track the user across multiple sessions.
Session
Google Tag Manager simplifies the management of marketing tags on your website without code changes.
Name
Description
Duration
cookiePreferences
Registers cookie preferences of a user
2 years
td
Registers statistical data on users' behaviour on the website. Used for internal analytics by the website operator.
session
These cookies are used for managing login functionality on this website.
Name
Description
Duration
wordpress_logged_in
Used to store logged-in users.
Persistent
wordpress_sec
Used to track the user across multiple sessions.
15 days
wordpress_test_cookie
Used to determine if cookies are enabled.
Session
Statistics cookies collect information anonymously. This information helps us understand how visitors use our website.
Google Analytics is a powerful tool that tracks and analyzes website traffic for informed marketing decisions.
Contains information related to marketing campaigns of the user. These are shared with Google AdWords / Google Ads when the Google Ads and Google Analytics accounts are linked together.
90 days
__utma
ID used to identify users and sessions
2 years after last activity
__utmt
Used to monitor number of Google Analytics server requests
10 minutes
__utmb
Used to distinguish new sessions and visits. This cookie is set when the GA.js javascript library is loaded and there is no existing __utmb cookie. The cookie is updated every time data is sent to the Google Analytics server.
30 minutes after last activity
__utmc
Used only with old Urchin versions of Google Analytics and not with GA.js. Was used to distinguish between new sessions and visits at the end of a session.
End of session (browser)
__utmz
Contains information about the traffic source or campaign that directed user to the website. The cookie is set when the GA.js javascript is loaded and updated when data is sent to the Google Anaytics server
6 months after last activity
__utmv
Contains custom information set by the web developer via the _setCustomVar method in Google Analytics. This cookie is updated every time new data is sent to the Google Analytics server.
2 years after last activity
__utmx
Used to determine whether a user is included in an A / B or Multivariate test.
18 months
_ga
ID used to identify users
2 years
_gali
Used by Google Analytics to determine which links on a page are being clicked
30 seconds
_ga_
ID used to identify users
2 years
_gid
ID used to identify users for 24 hours after last activity
24 hours
_gat
Used to monitor number of Google Analytics server requests when using Google Tag Manager