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Um texto recente do economista André Lara Resende trouxe à tona uma discussão profunda sobre as premissas que sustentam as regras fiscais brasileiras. O debate central gira em torno de como o gasto público é interpretado: enquanto analistas de mercado o veem como uma ameaça à disponibilidade de recursos, uma nova vertente teórica argumenta que o investimento estatal é capaz de gerar renda e, consequentemente, aumentar a poupança nacional.
A visão tradicional, muitas vezes chamada de “velho olhar”, baseia-se na ideia de que o governo compete com o setor privado pelos mesmos recursos financeiros. Nessa lógica, quanto mais o Estado gasta, menos sobra para o mercado, o que elevaria as taxas de juros. No entanto, críticos apontam que essa premissa só seria válida se a economia estivesse sempre em pleno emprego, o que raramente ocorre na prática.
O ponto nevrálgico da nova análise é o efeito multiplicador. Estudos apontam que cada real investido em políticas sociais ou infraestrutura pode gerar um crescimento proporcionalmente maior no PIB. Esse crescimento da renda resulta em mais consumo e maior arrecadação de impostos, ajudando a equilibrar as contas públicas de forma natural, ao contrário do que ocorre em períodos de cortes drásticos, que costumam desaquecer a economia e reduzir a receita.
Dados do Tesouro Nacional decompostos por especialistas revelam que o principal motor do crescimento da dívida pública brasileira no período recente não foi a “gastança” ou o déficit primário, mas sim o pagamento de juros sobre o estoque da dívida líquida.
| Fator de Variação | Contribuição (p.p.) |
| Juros Nominais | +84,41 p.p. |
| Crescimento do PIB | -70,63 p.p. |
| Emissão Líquida | -0,42 p.p. |
| Variação Total (DLSP/PIB) | +13,36 p.p. |
Fonte: Ferrari et al. (2025) / IFFD.
Os números demonstram que, enquanto os juros pressionam a dívida para cima, o crescimento do PIB é o principal fator redutor. O resultado primário (emissões líquidas) teve, na verdade, uma contribuição negativa para o aumento da dívida no período agregado, desmistificando a ideia de que o excesso de gastos primários seja o único culpado pelo endividamento.
O professor Caio Vilella, da UFF, argumenta que as regras fiscais brasileiras, como a meta de resultado primário e o limite de crescimento de gastos de 2,5%, estão epistemologicamente presas a modelos que caíram em desuso internacional após a crise de 2008. Países desenvolvidos têm adotado modelos mais flexíveis que permitem ao Estado cumprir “missões” estratégicas sem a obrigação de equilíbrio orçamentário no curto prazo.
A manutenção de regras rígidas no Brasil, segundo o autor, ignora que o gasto público pode induzir o desenvolvimento e gerar novos recursos em vez de apenas drenar o que já existe. Essa “miopia fiscal” pode custar ao país a ausência de um plano de longo prazo para o desenvolvimento econômico.
Com informações: Diplomatique.
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