Conecte-se conosco

Distrito Federal

Deputados criticam condições de trabalho dos Educadores Sociais Voluntários

Publicado

em

Audiência pública discutiu a situação da categoria, que recebe auxílio de R$ 40 por turno e não possui direitos trabalhistas

As condições de trabalho dos Educadores Sociais Voluntários (ESVs) foram debatidas em audiência pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal, realizada nesta quinta-feira (10). Participantes do evento criticaram o valor recebido pela categoria e a ausência de direitos trabalhistas, entre outros pontos. Parlamentares sugeriram a profissionalização dos ESVs. “É muito forte falar isso, mas eu considero um trabalho análogo à escravidão”, avaliou o deputado João Cardoso (Avante), autor da audiência pública.

Os voluntários atuam principalmente no suporte a alunos com deficiência, em atividades como locomoção e higienização. Eles não têm vínculo empregatício com a Secretaria de Educação e recebem auxílio no valor total de R$ 40 por turno de 4 horas, para ressarcimento de despesas com alimentação e transporte. É permitido acumular até dois turnos por dia. Atualmente, o Distrito Federal conta com mais de 6 mil ESVs.

“Nós estamos tentando ver a melhor forma de fazer com que o Governo do Distrito Federal valorize a vida e o trabalho que vocês fazem pelas escolas”, afirmou Cardoso. O parlamentar é autor da indicação 6828/2024, que sugere ao GDF o envio de um projeto de lei para criação do cargo de Monitor Escolar Temporário, em substituição ao ESV.

A ideia é que a contratação seja nos moldes da legislação aplicada aos professores temporários. “A proposta busca regularizar e dignificar a atuação desses profissionais, garantindo melhores condições e assegurando que desempenhem sua função com a estabilidade e a remuneração adequadas”, explicou o deputado, no texto da indicação ao GDF. Um projeto de lei nesse sentido precisa ser de iniciativa do poder Executivo, pois lida com os cargos da Secretaria de Educação e, portanto, com a estrutura da administração direta do governo.

“É preciso profissionalizar os educadores sociais voluntários. Porque profissional tem piso, tem carreira, tem direito, tem progressão salarial e tem condição de se organizar para reivindicar mais direitos”, defendeu o deputado Gabriel Magno (PT), presidente da Comissão de Educação e Cultura. “Vocês são fundamentais para o bom andamento das atividades pedagógicas e para o cumprimento da lei de inclusão”, destacou.

O deputado Jorge Vianna (PSD) apoiou a proposta de transformação dos voluntários em monitores temporários, com a posterior abertura de concurso público para monitor. “Vocês são trabalhadores, não são voluntários. Se está sendo remunerado, se cobram a sua presença, se cobram atividade, se cobram resultado, isso é trabalho. Eu quero é concurso público para vocês”, defendeu Vianna.

Anúncio

O deputado federal Reginaldo Veras (PV-DF) também relatou estar há vários anos com a mesma demanda, de substituição do ESV por um novo cargo com vínculo trabalhista ou o fortalecimento da função de monitor. “Sem vocês, o professor não trabalha. Sem vocês, a educação pública para. Isso é fato. Mas, apesar dessa importância, há problemas de falta de vínculo trabalhista, desrespeito, assédio moral e discriminação”, afirmou Veras.

Perfil da categoria

A maioria dos educadores voluntários são mulheres (83,5%), com faixa etária de 30 a 49 anos (53%), de etnia preta ou parda (72,3%) e nível superior de formação (41,5% com ensino superior completo e 22,1% com pós-graduação). Os dados são de estudo realizado em 2024 pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF).

“Os educadores sociais voluntários apontaram como desafio a ausência de garantia de direitos trabalhistas. A pessoa pode dar um atestado, mas fica sem o auxílio daquele dia”, destacou Jaqueline Borges, coordenadora do IPEDF e umas das pesquisadoras do estudo. Outros desafios que foram relatados pelos ESVs no estudo foram o baixo valor da ajuda de custo, a alta rotatividade de voluntários e a falta de oferta, pelo Estado, de qualificação sobre educação inclusiva. “Muitos utilizam recursos próprios para se qualificar”, ressaltou Jaqueline.

A audiência pública completa pode ser assistida no Youtube da TV Câmara Distrital.


* Agência CLDF

Anúncio

Continue lendo
Anúncio

2 Comentários

1 comentário

  1. Your article helped me a lot, is there any more related content? Thanks! https://www.binance.com/en/register?ref=JHQQKNKN

  2. binance

    29/08/2025 em 17:25

    Your point of view caught my eye and was very interesting. Thanks. I have a question for you. https://www.binance.info/de-CH/register-person?ref=UM6SMJM3

Deixa uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Distrito Federal

Soldado torna-se réu por feminicídio e destruição de cadáver de cabo do Exército no DF

Publicado

em

Por

Justiça comum acolhe denúncia do MPDFT e decide que crime, ocorrido dentro de unidade militar, será julgado por júri popular por não ter relação com atividades da caserna

O Tribunal do Júri de Brasília aceitou, nesta quarta-feira (7), a denúncia contra o soldado Kelvin Barros da Silva, tornando-o réu pelo assassinato de Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos. A vítima era cabo temporário músico do Exército e foi morta em 5 de dezembro de 2025. O crime foi classificado como feminicídio por envolver menosprezo à condição de mulher, com agravantes de crueldade e ausência de chance de defesa. Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o acusado desferiu um golpe de faca no pescoço da jovem e, em seguida, ateou fogo ao corpo, o que resultou também na acusação por destruição de cadáver.

Um ponto central da decisão judicial foi a definição da competência para o julgamento. Embora o assassinato tenha ocorrido dentro de uma organização militar, a Justiça do Distrito Federal acatou o argumento de que o ato não possui vinculação com o desempenho de funções militares. Dessa forma, prevalece a competência constitucional do Tribunal do Júri para crimes dolosos contra a vida, permitindo que o acusado seja julgado pela sociedade em um júri popular. A Justiça Militar da União permanecerá responsável apenas por eventuais crimes conexos de natureza estritamente militar que possam surgir no curso do processo.

Detalhes do caso e qualificadoras

A denúncia detalha a gravidade das ações praticadas pelo agora réu:

  • Feminicídio: O crime foi motivado por discriminação e menosprezo à condição feminina da vítima.

  • Crueldade: O MPDFT apontou que o uso de arma branca e a posterior carbonização do corpo demonstram requintes de crueldade.

  • Impossibilidade de Defesa: A vítima foi atacada de forma a não conseguir reagir ou escapar da agressão fatal.

  • Ocultação e Destruição: Após a morte, Kelvin ateou fogo ao local para destruir o cadáver e fugiu sem levantar suspeitas imediatas.

Competência da Justiça Comum

A decisão reforça o entendimento jurídico de que crimes contra a vida praticados por militares contra militares, quando motivados por razões pessoais e fora do contexto operacional, devem ser analisados por cidadãos civis. O MPDFT sustentou que o julgamento pelo júri popular é uma forma de a sociedade exercer sua defesa contra atos de extrema violência. Kelvin Barros da Silva responderá ao processo sob a custódia das autoridades, enquanto o caso segue os trâmites para a definição da data do julgamento final.


Com informações: MPDFT

Anúncio

Continue lendo

Distrito Federal

Clínica de implantes é condenada a indenizar paciente por falhas graves em tratamento dentário no DF

Publicado

em

Por

Justiça de Brasília determinou a restituição integral de valores e o pagamento de danos morais após perícia constatar falta de planejamento e baixa qualidade das próteses

A 6ª Vara Cível de Brasília condenou a empresa Vital Implantes Eireli a indenizar uma paciente e seu marido por danos materiais e morais decorrentes de um tratamento de reabilitação oral mal-sucedido. De acordo com o processo, a paciente passou mais de três anos submetida a diversos procedimentos, incluindo a colocação de próteses e implantes, sem que o serviço fosse concluído de forma satisfatória. As falhas na prestação do serviço resultaram em sequelas físicas e emocionais, impedindo a mulher de se alimentar e dormir adequadamente devido a dores persistentes e próteses provisórias de má qualidade.

Em sua defesa, a clínica alegou que o tratamento seguiu as técnicas adequadas e atribuiu a demora e as intercorrências à culpa exclusiva da paciente, citando atrasos na entrega de exames e períodos de suspensão do tratamento. No entanto, o laudo pericial foi determinante para a sentença, apontando erros graves como a ausência de exames essenciais, falta de prontuário médico e execução técnica deficiente. O juiz concluiu que a insatisfação da paciente foi uma reação legítima a uma sucessão de erros da clínica e determinou o pagamento de R$ 10 mil por danos morais, além da devolução de todo o dinheiro investido.

Falhas identificadas pela perícia especializada

O laudo técnico destacou pontos críticos que fundamentaram a condenação:

  • Falta de Planejamento: Ausência de diretrizes claras e comunicação inadequada sobre os riscos e etapas do tratamento.

  • Deficiência Documental: O prontuário da paciente era inexistente ou incompleto, dificultando o acompanhamento por diferentes profissionais.

  • Má Qualidade Protética: As próteses entregues apresentavam baixa qualidade e divergiam do que havia sido contratado originalmente.

  • Negligência Clínica: Omissão de exames indispensáveis para procedimentos complexos de implantes em pacientes com perda óssea.

Resumo da decisão judicial

A sentença do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) estabeleceu:

  1. Rescisão Contratual: O contrato entre as partes foi formalmente encerrado por culpa da clínica.

  2. Restituição Financeira: A Vital Implantes deve devolver todos os valores pagos pela paciente ao longo dos três anos de tratamento.

  3. Danos Morais: Pagamento de R$ 10 mil como compensação pelo sofrimento físico, emocional e pelo descaso no atendimento.

  4. Possibilidade de Recurso: A empresa ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores.


Com informações: TJDFT

 

Anúncio

Continue lendo

Distrito Federal

Distrito Federal registra queda de 96% nos casos de dengue em 2025

Publicado

em

Por

Monitoramento contínuo, uso de drones e tecnologia Wolbachia foram fundamentais para reduzir as notificações de 278 mil para 11 mil em um ano

O Distrito Federal apresentou um balanço epidemiológico altamente positivo ao encerrar o ano de 2025. De acordo com o boletim da Secretaria de Saúde (SES-DF), o número de casos prováveis de dengue entre residentes despencou de 278.019, em 2024, para apenas 11.108 em 2025 — uma redução drástica de 96%. A queda foi observada em todas as regiões de saúde do DF, sendo a faixa etária dos 20 aos 29 anos a que ainda concentra o maior índice de notificações. Das 24.759 suspeitas registradas ao longo do ano, menos da metade foi confirmada como caso provável, evidenciando o sucesso das medidas de controle e prevenção.

Segundo a Vigilância Epidemiológica, o controle da doença foi alcançado graças à atualização rigorosa do plano de contingência para arboviroses e ao investimento em tecnologias de monitoramento. Mais de 1,8 milhão de imóveis foram vistoriados por agentes de saúde, que contaram com o apoio de drones para mapear focos em áreas de difícil acesso e a instalação de milhares de ovitrampas (armadilhas para ovos) para monitorar a densidade populacional do mosquito Aedes aegypti.

Estratégias de combate e tecnologias aplicadas

O combate à dengue em 2025 foi marcado por uma abordagem multifacetada:

  • Método Wolbachia: Utilização de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que impede o vírus da dengue de se desenvolver no inseto, reduzindo a transmissão.

  • Monitoramento por Drones: Mapeamento de 2.100 hectares em 22 regiões administrativas para identificar acúmulos de água em telhados e lotes vagos.

  • Vigilância Ambiental: Instalação de 3,2 mil estações de larvicidas e 3,8 mil ovitrampas para controle biológico e estatístico.

  • Ações Territoriais: Borrifações residuais e visitas domiciliares constantes para eliminação de criadouros.

Alerta para o período de chuvas

Apesar da redução histórica, a Secretaria de Saúde reforça que a população não deve baixar a guarda. Com a chegada do verão, a combinação de calor intenso e chuvas frequentes cria o ambiente ideal para a reprodução do mosquito. A manutenção da limpeza de calhas, vasos de plantas e caixas d’água continua sendo a principal barreira contra novas epidemias. A melhoria na qualidade dos dados coletados em 2025 permite agora que o sistema de saúde antecipe surtos e direcione as equipes de aplicação de inseticida (“fumacê”) com maior precisão cirúrgica.


Com informações: Agência Brasília e Jornal de Brasília

Anúncio

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights