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Meio Ambiente

Nilvo Silva Adverte que Derrubada de Vetos na Nova Lei Destrói a Coordenação Ambiental

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A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (15.190/2025), aprovada em agosto, pode promover uma “virada histórica” no controle ambiental, dependendo de autodeclarações e regras flexíveis. No entanto, o cenário se agravou com a derrubada, pelo Congresso Nacional, da maioria dos vetos que barravam os dispositivos mais controversos do texto.

O mestre em Desenvolvimento Sustentável e ex-diretor do Ibama, Nilvo Silva, em entrevista exclusiva a ((o))eco, adverte que as mudanças extrapolam a esfera do licenciamento, atingindo o “coração do sistema” de coordenação ambiental e colocando em risco a gestão integrada no país.


Impactos no Sisnama e Fragmentação Regulatória

O Sisnama e Seus Desafios

O Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), originário da Política Nacional de Meio Ambiente da década de 1980, busca estabelecer regras comuns e promover a cooperação entre os entes da federação para proteção ambiental. Nilvo Silva compara-o ao SUS, onde o governo federal define bases gerais e estados/municípios executam políticas específicas. Contudo, ele afirma que o Sisnama nunca foi plenamente implantado.

Retrocesso Institucional

O especialista critica a nova lei, pois ela se recusa a estabelecer uma regra geral, destrói a coordenação entre entes federativos, fragiliza colegiados, amplia o poder discricionário individual e incentiva uma “corrida para o precipício regulatório” entre estados e municípios, fazendo com que os critérios comuns desapareçam. Para ele, é um retrocesso institucional profundo.

Abando das Bases

Ao derrubar grande parte dos vetos ao PL 2159, o Congresso abalou as bases do Sisnama, que já eram frágeis. Nilvo Silva explica que o licenciamento é o principal instrumento das instituições ambientais, usado para avaliar impactos e autorizar ou não um empreendimento. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), desmantelado no governo anterior e agora em recuperação, sempre teve papel ativo na formulação de regras nacionais. A nova lei, com os vetos derrubados, não fortalece essa coordenação: ela fragmenta, elimina normas gerais e entrega uma enorme discricionariedade aos órgãos licenciadores individuais, resultando em uma “colcha de retalhos” em vez de articulação federativa.

Agravamento de Problemas Históricos

O maior problema histórico do licenciamento sempre foi a baixa capacidade dos órgãos ambientais — falta de financiamento, equipes pequenas, pouca gestão e baixa transparência — diante de responsabilidades gigantes. As mudanças legislativas não aumentam essa capacidade; pelo contrário, elas afrouxam regras e reduzem responsabilidades, agravando o problema.

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Outros Pontos de Fragilização

A nova lei permite que a exigência do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), determinada pela Constituição em casos de degradação significativa, não seja cobrada quando o órgão licenciador considerar que não há impacto significativo. Isso transforma um dispositivo constitucional em uma decisão puramente arbitrária, sem critério geral. Além disso:

  • Cada ente da federação poderá definir o que precisa ou não de licenciamento.

  • Cada um definirá o potencial poluidor das atividades.

  • Atividades de alto impacto poderão ser dispensadas.

  • Abre-se margem para corrupção e “caos regulatório”.

Judicialização e Insegurança Jurídica

Nilvo Silva prevê que as mudanças trarão mais judicialização e insegurança para empreendedores privados e públicos. Isenções absurdas, autodeclaração em atividades com potencial significativo e conceitos indefinidos serão levados à Justiça. Embora algumas atividades possam ser facilitadas no curto prazo, o médio e longo prazos trarão uma “enxurrada de conflitos”.

Efeitos para o País

O grande desmonte enfraquece a capacidade de ação do Estado. A autodeclaração em atividades de médio potencial poluidor significa abrir mão de controle. A sociedade perde duplamente: com mais risco ambiental e com instituições mais fracas. A falta de articulação federativa é considerada gravíssima.

Para o especialista, embora haja chance de correção para aspectos pontuais, setores mais modernos perceberão os problemas e pressionarão por mudanças. No entanto, a fragilidade institucional — a destruição da coordenação federativa — pode demorar muito mais a ser corrigida, sendo muito difícil reconstruir o sistema.


Com informações de  ECO

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3 Comentários

1 comentário

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Meio Ambiente

Estados dos EUA propõem “escudos de proteção” para petrolíferas contra processos climáticos

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Legisladores em Oklahoma e Utah tentam aprovar leis que blindam a indústria de combustíveis fósseis de responsabilidades civis por danos ao meio ambiente

Em um movimento que críticos classificam como um ataque à democracia e à responsabilidade corporativa, legisladores republicanos nos estados de Oklahoma e Utah apresentaram projetos de lei para proteger empresas de petróleo e gás de processos judiciais. As propostas surgem como uma reação defensiva à crescente onda de litígios climáticos nos Estados Unidos, onde mais de 70 governos locais já processam gigantes do setor por enganarem o público sobre os riscos do aquecimento global.

Em Oklahoma, o projeto de lei busca impedir a maioria dos processos civis contra petrolíferas, a menos que haja violações específicas de leis ambientais ou trabalhistas. Já em Utah, a medida bloquearia ações judiciais focadas em emissões de gases de efeito estufa, a menos que uma violação de licença ou estatuto seja comprovada em tribunal. Ambas as regiões são grandes produtoras de combustíveis fósseis e possuem forte influência política da indústria.


Estratégia de Defesa da Indústria

A ofensiva legislativa não é um evento isolado, mas parte de uma coordenação nacional para criar um “escudo de responsabilidade”.

  • Lobby no Congresso: Empresas como ConocoPhillips e o American Petroleum Institute (API) têm pressionado parlamentares federais por proteções semelhantes.

  • Ações Coordenadas: No ano passado, 16 procuradores-gerais republicanos solicitaram ao Departamento de Justiça dos EUA garantias de imunidade para o setor.

  • Argumento das Empresas: A indústria alega que os processos tentam “regular emissões” de forma disfarçada, algo que, segundo eles, deveria ser tratado apenas por leis federais e não por tribunais estaduais.


Impacto Jurídico e Constitucional

Especialistas em direito ambiental apontam que, se aprovadas, essas leis enfrentarão severos desafios nos tribunais. Richard Wiles, presidente do Centro para a Integridade Climática, afirma que “se você não violou a lei, não há razão para buscar imunidade”.

Estado Alvo do Projeto de Lei Status do Litígio Local
Oklahoma Bloqueia alegações de fraude, engano e marketing enganoso. Sem processos ativos atualmente.
Utah Foca especificamente em restringir processos sobre emissões. Sem processos ativos atualmente.

O projeto de Oklahoma é considerado o mais agressivo, pois ataca justamente a base dos processos atuais: a acusação de que as empresas mentiram deliberadamente sobre o impacto de seus produtos.


Ciência da Atribuição: O Novo Trunfo dos Processos

O medo da indústria cresceu devido aos avanços na ciência da atribuição. Hoje, cientistas conseguem ligar eventos climáticos extremos específicos diretamente às emissões históricas de empresas individuais. Segundo Pat Parenteau, especialista da Faculdade de Direito de Vermont, “é apenas uma questão de tempo até que um júri emita um veredicto multibilionário”.

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Enquanto o Supremo Tribunal dos EUA decide se revisará casos importantes (como o de Boulder, Colorado), estados conservadores tentam fechar as portas dos tribunais antes que os primeiros vereditos sejam proferidos.


Com informações: Grist / The Guardian

 

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Meio Ambiente

Fórum do Mar Patagônico: Tratado do Alto-Mar entra em vigor com foco no Atlântico Sul

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Coalizão de ONGs do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile defende proteção de áreas estratégicas como a Elevação do Rio Grande e o “Agujero Azul”

Uma nova era para a governança dos oceanos começou oficialmente. Nesta sexta-feira (16), o Fórum para a Conservação do Mar Patagônico publicou a primeira análise sul-americana detalhada sobre o Acordo BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction), também conhecido como Tratado do Alto-Mar. Após duas décadas de negociações na ONU, o tratado entra em vigor estabelecendo regras globais para proteger águas internacionais — aquelas que ficam além das 200 milhas náuticas da costa e que, até então, careciam de uma proteção ambiental robusta.

O documento técnico serve como um guia estratégico para que países como Brasil, Argentina, Uruguai e Chile assumam o protagonismo na conservação marinha. O foco central está na criação de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) em regiões de alta biodiversidade que sofrem com a sobrepesca industrial e a ameaça iminente da mineração submarina. Especialistas destacam que o acordo é vital para espécies migratórias, como baleias, albatrozes e petréis, que utilizam o alto-mar como corredores de alimentação e deslocamento.

Áreas Críticas e Relevância Social

A análise identifica pontos geográficos onde a implementação do Tratado BBNJ é urgente para garantir a segurança alimentar e a saúde dos ecossistemas do Hemisfério Sul:

  • Elevação do Rio Grande: Localizada diante da costa do Brasil e do Uruguai, esta formação submarina é riquíssima em biodiversidade e recursos minerais, sendo alvo de disputas e estudos científicos.

  • Agujero Azul: Região estratégica em frente à Argentina, conhecida por sua produtividade biológica e por ser um dos pontos de maior pressão da frota pesqueira internacional no Atlântico Sul.

  • Justiça Ambiental: O tratado permite que países do Sul Global tenham acesso equitativo aos benefícios dos recursos genéticos marinhos e participem ativamente das decisões que antes eram dominadas por potências tecnológicas.

Próximos Passos na Governança Oceânica

De acordo com José Truda Palazzo Jr., coautor da análise e coordenador do Instituto Baleia Jubarte, a entrada em vigor do acordo é apenas o primeiro passo. O desafio agora é operacional:

  1. Definição de Regras: Estabelecer instâncias técnicas e critérios para avaliações de impacto ambiental em águas internacionais.

  2. Articulação Regional: Unificar as políticas pesqueiras dos países sul-americanos com as novas normas do tratado.

  3. Liderança Científica: Utilizar dados produzidos na região para fundamentar a criação das primeiras reservas marinhas em alto-mar.

A análise completa, intitulada “BBNJ: um acordo-chave para a governança do oceano”, já está disponível para consulta pública, servindo de base para governos e movimentos sociais que buscam uma economia azul sustentável.


Com informações: Fórum do Mar Patagônico / Instituto Baleia Jubarte / ECO

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Meio Ambiente

Autogestão e agroecologia redesenham o consumo no Brasil

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Empreendimentos coletivos e cooperativas de consumo mostram que a união entre produtores e consumidores é a chave para preços baixos e justiça ambiental

O modelo tradicional de consumo, que separa quem produz de quem compra, está sendo desafiado por uma onda de autogestão comunitária que ganha força no Brasil. Iniciativas como o supermercado participativo Gomo Coop, em São Paulo, e a usina solar da Coopaq, em Alagoas, provam que o equilíbrio ecológico e a economia no bolso não são metas excludentes. Ao eliminar intermediários e o desperdício gerado pela competição desenfreada, esses modelos criam um ciclo de benefício mútuo que protege tanto o ecossistema quanto o orçamento familiar.

A lógica é simples, mas revolucionária: em vez de esperar que o mercado dite preços baseados na escassez, produtores e consumidores se organizam em pactos colaborativos. Nesse formato, a demanda é planejada e a oferta é garantida, assegurando que o alimento chegue à mesa com valores muito mais acessíveis. O resultado é o que especialistas chamam de “ligação imediata”, onde o impacto ambiental é positivo justamente porque não há excesso de produção descartado nem exclusão de quem não pode pagar os preços inflacionados das prateleiras comuns.

Além da economia direta, esse movimento ataca um problema central das grandes metrópoles: a injustiça ambiental. Historicamente, os problemas ecológicos atingem primeiro — e com maior força — as populações marginalizadas pelo mercado competitivo. Ao fortalecer hortas comunitárias, como o Parque Ecológico na favela da Maré, no Rio de Janeiro, a autogestão devolve a essas comunidades o controle sobre sua segurança alimentar e sobre o território onde vivem, transformando áreas antes degradadas em polos de produção agroecológica.

{ “action”: “image_generation”, “action_input”: “A vibrant and inspiring photo of a community-run organic market in a Brazilian urban area. People of diverse backgrounds are smiling and interacting, choosing fresh vegetables from wooden crates. In the background, there is a small solar panel setup and a lush green garden. The atmosphere is sunny, professional, and full of community spirit, highlighting the connection between local production and sustainable consumption.” }

Sustentabilidade com benefícios individuais e coletivos

Diferente do que prega o senso comum, adotar práticas sustentáveis não significa sacrificar a individualidade ou o conforto. O conceito contemporâneo de sustentabilidade, inspirado na gestão responsável da pesca, mostra que respeitar os ciclos naturais é a única forma de garantir a continuidade da própria renda. Para o consumidor, participar de grupos de compras coletivas ou redes ecológicas significa acessar produtos de alta qualidade, livres de agrotóxicos, por uma fração do preço de mercado.

A experiência de famílias que migram para o consumo direto com feirantes orgânicos demonstra que a proximidade física e o compromisso recíproco são os pilares dessa nova economia. Quando o consumidor se torna corresponsável pelo que é produzido, ele deixa de ser um mero comprador passivo e passa a integrar uma junta comunitária. Esse modelo de “consultas recíprocas” fortalece o comércio local e cria uma rede de proteção contra as oscilações bruscas da economia globalizada.

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Portanto, o fomento a essas práticas deve ser uma prioridade não apenas de movimentos sociais, mas também de governos que busquem soluções reais para a crise climática e a desigualdade social. Ao adotar a Natureza como um “terceiro sócio” nos negócios, a sociedade brasileira caminha para um modelo onde a eficiência econômica serve à vida, e não o contrário. A agroecologia e a autogestão deixaram de ser utopias para se tornarem ferramentas práticas de sobrevivência e prosperidade em 2026.


Com informações: Julio Lopes / ECO

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