Um marco na política comercial brasileira e regional será concretizado no dia 16 de setembro, com a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). A cerimônia ocorrerá no Rio de Janeiro, durante a reunião de chanceleres do Mercosul, sob a presidência temporária do Brasil. O anúncio oficial foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores, destacando o evento como um passo estratégico para a diversificação e modernização das parcerias econômico-comerciais do bloco sul-americano.
A EFTA é um grupo intergovernamental formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. Juntos, esses países representam um mercado de aproximadamente 15 milhões de habitantes, com um Produto Interno Bruto (PIB) somado de US$ 1,4 trilhão. O acordo com a EFTA é estratégico para o Mercosul, pois abre portas para economias de alta renda, com países que se destacam globalmente pelo seu poder aquisitivo. Liechtenstein, por exemplo, possui um PIB per capita de US$ 186 mil, um dos mais altos do mundo. A Suíça também está entre as nações mais ricas, com uma renda média anual de US$ 104,5 mil por pessoa.
A história de uma negociação
As negociações para a parceria comercial começaram em junho de 2017, em Buenos Aires. Ao longo de mais de oito anos, foram realizadas 14 rodadas de negociações. A conclusão dos termos ocorreu em julho de 2025, pavimentando o caminho para a assinatura do acordo em setembro. Este processo prolongado indica a complexidade e a importância das discussões, que buscaram equilibrar os interesses comerciais de ambos os blocos.
Para o Brasil, que atualmente detém a presidência temporária do Mercosul, a consolidação da união aduaneira e a diversificação de parceiros econômicos são objetivos centrais em um cenário internacional considerado instável e complexo. O acordo com a EFTA é visto como um elemento fundamental para alcançar essas metas. Além disso, a presidência brasileira do bloco planeja dar ênfase à adesão plena da Bolívia, fortalecendo a integração regional.
O impacto econômico da EFTA
O acordo de livre comércio com a EFTA oferece ao Mercosul acesso a mercados que, embora menores em termos populacionais, se destacam pelo alto nível de desenvolvimento econômico. A Suíça e a Noruega são conhecidas por suas economias estáveis, com forte investimento em tecnologia e serviços. A Islândia e Liechtenstein também possuem economias prósperas. A entrada facilitada de produtos e serviços do Mercosul nesse mercado pode impulsionar as exportações brasileiras e de outros países do bloco, estimulando setores de alta competitividade.
O acordo representa uma oportunidade para o Mercosul diversificar suas exportações, reduzindo a dependência de grandes parceiros comerciais tradicionais e garantindo novas fontes de receita. A parceria pode beneficiar setores como o agronegócio, produtos industrializados de valor agregado, e serviços. A concretização deste acordo marca um momento de abertura comercial para o Mercosul, que busca se posicionar de forma mais competitiva na economia global.
Com informações: Agência Brasil