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A atual crise geopolítica na Venezuela revela uma estrutura de poder que vai além da disputa entre esquerda e direita: a sistemática invisibilização de mulheres em cargos de alta influência. Segundo a advogada e especialista em gênero Thaís Cremasco, a cobertura internacional falha ao tratar figuras como Cilia Flores, María Corina Machado e Delcy Rodríguez como meros satélites de protagonistas masculinos. Esse fenômeno, descrito como um “apagamento visual e estratégico”, retira a autonomia de mulheres que, na prática, são arquitetas de regimes, líderes de resistência e gestoras de crises agudas.
O texto destaca que a misoginia na política internacional não possui bandeira ideológica. Seja no governo ou na oposição, as mulheres são frequentemente reduzidas a papéis domésticos ou tratadas como peças de substituição. Ignorar a competência técnica de Delcy Rodríguez na diplomacia, a trajetória jurídica e política de Cilia Flores ou a resiliência autônoma de María Corina Machado é, segundo a análise, um erro que impede a compreensão real do destino da América Latina e reafirma a crença arcaica de que o poder é um território exclusivamente masculino.
As três lideranças ocupam espaços decisivos, mas enfrentam escrutínios distintos baseados no gênero:
Cilia Flores: Advogada e ex-presidente da Assembleia Nacional, é uma das principais arquitetas do chavismo. Contudo, é frequentemente reduzida ao rótulo de “esposa de Maduro”, o que a retira do palco das decisões estratégicas perante a opinião pública mundial.
María Corina Machado: Alçada à condição de rosto da oposição e símbolo moral, enfrenta dificuldades de visibilidade quando a disputa migra para a partilha real do poder. Sua liderança é muitas vezes lida como passageira ou dependente de concessões masculinas.
Delcy Rodríguez: Atual presidenta interina e face técnica do regime, coordena as frentes diplomáticas mais complexas. Sua autoridade é constantemente questionada por prismas de subserviência, ignorando sua capacidade de gestão executiva em momentos de colapso.
Para Cremasco, o silenciamento dessas lideranças é um sintoma de uma miopia estratégica global. O roteiro venezuelano repete padrões vistos em conflitos no Iraque ou Afeganistão, onde a estrutura de poder mantém os homens no centro enquanto as mulheres são empurradas para a margem assim que o poder entra em disputa real. Ajustar o foco da imprensa e das análises políticas para reconhecer a autonomia dessas mulheres é essencial para entender as forças que realmente movem a Venezuela hoje.
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