Conecte-se conosco

Tecnologia

O preço da inteligência artificial: data centers, consumo de energia e o paradoxo de Jevons

Publicado

em

O paradigma da Inteligência Artificial (IA) hegemônica, baseado no modelo conexionista e em grandes redes neurais, exige uma crescente quantidade de dados e poder computacional. Essa demanda se traduz na expansão maciça de data centers globais, elevando drasticamente o consumo de energia, o uso de água e as emissões de carbono. Especialistas alertam que o aumento da eficiência energética dessas instalações pode ser neutralizado pelo Paradoxo de Jevons, que faz com que o consumo total de recursos cresça em proporção maior que os ganhos de eficiência, intensificando a degradação ecológica

A Convergência da IA e a Crise de Infraestrutura 🌐

A atual hegemonia da IA (que, ironicamente, se alinha à tradição cibernética que o termo “Inteligência Artificial” foi cunhado para evitar) depende do processamento de dados em escala de hiperescala.

  • Crescimento Exponencial: O processamento de treinamento para modelos de IA complexos dobra a cada aproximadamente cinco meses, e o tamanho dos datasets a cada oito meses.

  • Impacto Econômico: O mercado global de data centers, estimado em US$ 386,71 bilhões em 2025, deve alcançar US$ 627,40 bilhões até 2030, impulsionado pela necessidade de infraestrutura para IA generativa.

O Brasil é o 10º país no ranking mundial em quantidade de data centers, com 195 centros em operação, concentrados no eixo Sudeste-Sul, mas com polos estratégicos no Nordeste e Sul. A potência de carga global de TI estimada para 2025 (120,07 GW) equivale a 57% da capacidade instalada da matriz energética nacional, evidenciando a pressão sobre os sistemas elétricos.

O Paradoxo da Eficiência e a Pegada Ecológica 💧

As instalações de data centers para IA impõem requisitos rigorosos (computação de altíssimo desempenho, refrigeração especializada e fontes de energia robustas) que resultam em um consumo elevado de eletricidade e de água potável – podendo atingir volumes diários equivalentes ao abastecimento de cidades de 10 mil a 50 mil habitantes.

  • Paradoxo de Jevons: Este conceito, revivido por figuras como o CEO da Microsoft, Satya Nadella, descreve o fenômeno onde o aumento da eficiência no uso de um recurso, em vez de diminuir, impulsiona o aumento do seu consumo total.

  • Pegada Hídrica e de Carbono: Estudos mostram que a pegada hídrica anual dos data centers americanos é de 513 milhões de metros cúbicos, similar ao consumo de Los Angeles. Nos estados com maior concentração de data centers, há também maior escassez de água e mais emissões de gases do efeito estufa.

Soberania e a Busca por uma “Green AI” 🌱

A concentração da infraestrutura de data centers em oligopólios de big techs levanta sérios debates sobre a soberania digital do país, o controle de dados e a transferência de riscos ambientais.

O artigo conclui que para superar a crise ambiental associada à IA, não basta apenas aumentar a eficiência energética; é necessário buscar novas epistemologias que se desviem do paradigma conexionista, que exige grandes volumes de dados e poder computacional. O autor sugere uma reflexão baseada no pensamento planetário e interespécie, em linha com a proposta de Yuk Hui (2024), buscando alternativas para o “descanso do planeta”.


Com informações: Diplomatique

Anúncio

 

Tecnologia

Google assume liderança na corrida da inteligência artificial com o Gemini 3

Publicado

em

Por

Estratégia combina infraestrutura própria de chips, integração profunda com dados de usuários e parceria histórica com a Apple para dominar o setor

A disputa pelo topo do mercado de inteligência artificial sofreu uma reviravolta significativa. Após um início conturbado com o Bard, o Google consolidou o Gemini 3 como o modelo a ser batido. Lançado em novembro de 2025, o novo sistema superou concorrentes como o ChatGPT e o Claude em diversos testes de desempenho, sendo classificado por especialistas como a “IA mais inteligente” já desenvolvida pela empresa. O diferencial do Google, segundo análise do The Verge, não está apenas no código, mas na posse de toda a cadeia: chips próprios (TPUs), infraestrutura de escala global e uma base de usuários massiva.

A expansão do alcance do Gemini ganhou um impulso bilionário com a recente parceria oficializada entre o Google e a Apple. A partir de agora, o Gemini será integrado à Siri, processando parte das 1,5 bilhão de solicitações diárias feitas por usuários de iPhone em todo o mundo. Esse movimento coloca a IA do Google no centro da interface móvel mais utilizada do planeta, garantindo um fluxo contínuo de dados e contexto que retroalimenta o aprendizado do modelo, tornando-o cada vez mais preciso e personalizado.

Os pilares do domínio do Google em IA

A empresa reuniu quatro elementos fundamentais que poucos concorrentes conseguem igualar:

  • Chips Proprietários (TPUs): O uso de hardware desenvolvido internamente reduz a dependência da Nvidia e permite otimizar custos e desempenho em escala ilimitada.

  • Inteligência Pessoal: O Gemini agora acessa o histórico de e-mails, fotos, arquivos e buscas no Chrome para fornecer respostas altamente contextualizadas sem esforço do usuário.

  • Parceria com a Apple: A integração com a Siri garante que o Gemini esteja presente em bilhões de dispositivos, capturando uma fatia gigantesca do mercado de assistentes virtuais.

  • Ecossistema Integrado: Ao contrário de modelos isolados, o Gemini atua transversalmente em todos os produtos Google (Docs, Gmail, Maps e Android).

O futuro da IA: personalização e escala

Com o lançamento do recurso “Inteligência Pessoal”, o Google remove a barreira dos prompts longos. A IA já “sabe” quem é o usuário com base nos dados acumulados ao longo de anos, permitindo uma interação muito mais natural e preditiva. Embora o ChatGPT ainda possua uma base fiel de usuários diretos, a estratégia do Google foca na onipresença: estar onde o usuário já está, seja pesquisando no computador ou falando com o celular. Essa integração sistêmica sugere que a corrida da IA agora não é mais sobre quem lança o primeiro modelo, mas sobre quem detém o ecossistema mais completo.


Com informações: Olhar Digital e The Verge

 

Anúncio

Continue lendo

Tecnologia

Google lança protocolo universal para unificar compras via inteligência artificial

Publicado

em

Por

Novo padrão aberto permite que agentes de IA realizem desde a busca de produtos até o pagamento final sem sair da interface de conversação

O Google anunciou o Universal Commerce Protocol (UCP), um protocolo de código aberto desenvolvido para padronizar a comunicação entre diferentes agentes de inteligência artificial e plataformas de vendas. O objetivo é criar uma “linguagem comum” que permita que assistentes digitais realizem jornadas completas de consumo — incluindo descoberta de itens, checkout e suporte pós-venda — em diversas empresas, eliminando a necessidade de integrações técnicas complexas e individuais para cada varejista.

Com a implementação do UCP, os usuários poderão finalizar compras diretamente no app Gemini ou na busca do Google em modo IA. O sistema utilizará automaticamente as informações de pagamento do Google Pay e dados de envio da Google Wallet para agilizar o processo. Segundo estimativas da McKinsey, o comércio baseado em agentes pode movimentar até US$ 5 trilhões até 2030, e o Google posiciona o novo protocolo como a infraestrutura necessária para escalar esse mercado globalmente, competindo diretamente com soluções similares da OpenAI, Microsoft e Amazon.

Inovações no comércio baseado em agentes

A estratégia do Google foca na integração total da experiência do cliente:

  • Checkout Nativo: Possibilidade de comprar itens de varejistas (inicialmente nos EUA) sem sair do chat da IA, com suporte futuro para PayPal.

  • Personalização com Gemini: O sistema Gemini Enterprise for Customer Experience (CX) permite que empresas, como a rede Kroger, sugiram produtos baseados em restrições alimentares e sensibilidade a preço.

  • Ofertas Diretas (Direct Offers): Marcas podem disparar cupons de desconto exclusivos no momento exato em que o usuário demonstra intenção de compra durante a conversa.

  • Padrão Aberto: O UCP busca evitar que o setor seja fragmentado por barreiras técnicas, permitindo que qualquer desenvolvedor utilize as primitivas funcionais do protocolo.

O novo cenário competitivo da IA

A corrida para dominar o “e-commerce agentic” está acelerada. Enquanto a OpenAI aposta no Instant Checkout via ChatGPT em parceria com a Stripe, e a Microsoft integra o Copilot ao Shopify, o Google utiliza sua vasta base de dados de busca e publicidade para oferecer uma solução mais granular. A introdução de anúncios nativos para IA, que aparecem como recomendações úteis durante a interação, sinaliza uma mudança profunda no modelo de marketing digital, onde a utilidade da ferramenta se torna o principal veículo para a conversão de vendas.


Com informações: Tech Crunch, CNBC, The Wall Street Journal e Olhar Digital

 

Anúncio

Continue lendo

Ciência

Reator de fusão nuclear da China supera limite crítico de densidade de plasma

Publicado

em

Por

Experimento no EAST (Experimental Advanced Superconducting Tokamak) mantém estabilidade em densidades extremas, abrindo caminho para energia limpa e ilimitada

O reator de fusão nuclear da China, conhecido como “sol artificial” (EAST), atingiu um marco histórico ao operar o plasma além do seu limite de densidade habitual, o chamado Limite de Greenwald. Em um estudo publicado na revista Science Advances, os cientistas revelaram que conseguiram manter o plasma estável em densidades de 1,3 a 1,65 vezes superiores ao limite operacional comum. O avanço é crucial porque densidades mais elevadas aumentam a probabilidade de colisão entre átomos, tornando o processo de fusão mais eficiente e econômico.

A fusão nuclear busca replicar o processo que alimenta o Sol, fundindo átomos para liberar energia sem as emissões de gases de efeito estufa ou os resíduos radioativos de longa duração da fissão nuclear. O sucesso no EAST foi possível graças ao controle rigoroso da interação do plasma com as paredes do reator, utilizando uma técnica de auto-organização que evitou as instabilidades que normalmente interrompem a reação. Embora a tecnologia ainda consuma mais energia do que produz, este “regime livre de densidade” teórico agora comprovado aproxima a humanidade de uma fonte de energia sustentável para o futuro.

Avanços técnicos e o Limite de Greenwald

A superação deste obstáculo físico representa um salto na engenharia de tokamaks:

  • O Problema da Densidade: O Limite de Greenwald define o ponto onde o plasma se torna instável e “apaga”. Operar acima dele é essencial para viabilizar centrais elétricas.

  • Técnica de Estabilização: Os pesquisadores controlaram a pressão inicial do gás e o aquecimento por micro-ondas (ressonância ciclotron de elétrons) para equilibrar o sistema.

  • Auto-organização (PWSO): O estudo validou a teoria de que o plasma pode se auto-organizar em relação às paredes do reator, mantendo-se estável mesmo sob condições extremas.

  • Comparativo Global: O feito se soma a avanços nos EUA (DIII-D e Wisconsin), consolidando dados para o projeto internacional ITER.

O caminho até 2039 e a crise climática

Apesar do entusiasmo, cientistas ressaltam que a fusão nuclear ainda é experimental. O ITER, o maior tokamak do mundo em construção na França com participação de dezenas de países (incluindo China e EUA), tem previsão para iniciar reações em larga escala apenas em 2039. Portanto, embora promissora para as próximas gerações, a fusão não é vista como solução imediata para a crise climática atual, que exige cortes drásticos de emissões no presente através de tecnologias já disponíveis.


Com informações: Live Science

 

Anúncio

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights