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Uma pesquisa abrangente publicada na revista Total Environment Advances revelou que, mesmo quatro anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), a contaminação na Bacia do Rio Doce permanecia em níveis alarmantes. O estudo, conduzido por pesquisadores da Unesp e da UFPR com apoio da FAPESP, analisou 503 peixes de diversas espécies e identificou o acúmulo de 13 metais diferentes. Entre os mais perigosos, o cádmio, o cromo e o chumbo ultrapassaram os limites legais, representando riscos severos à saúde humana, como o desenvolvimento de câncer e a redução do coeficiente de inteligência (QI).
De acordo com a autora do estudo, Flávia Yamamoto, a lama dos rejeitos de mineração funcionou como uma “bomba de poluentes”, ressuspendendo contaminantes antigos depositados no leito do rio. O desastre de 2015, provocado pela mineradora Samarco (Vale e BHP), despejou cerca de 34 milhões de metros cúbicos de lama na bacia, impactando 230 municípios. O estudo destaca que a situação é ainda mais complexa no Alto Rio Doce, uma região historicamente degradada por séculos de mineração de ouro e atividades siderúrgicas intensivas, o que gera uma mistura perigosa de metais como arsênio, mercúrio, ferro e manganês.
A bioacumulação nos peixes expõe as comunidades ribeirinhas a perigos crônicos:
Cancerígenos: Cádmio e cromo foram encontrados em níveis que excedem os padrões de segurança.
Neurotóxicos: O chumbo, presente nas amostras, está associado a problemas de memória e diminuição do QI.
Prevalência: Ferro e manganês foram os metais mais comuns detectados nos tecidos dos animais.
Dinâmica Sazonal: A contaminação é intensificada no período de chuvas, quando os rejeitos são revolvidos e espalhados por toda a cadeia alimentar.
Para o professor Denis Abessa (Unesp), supervisor do estudo, a persistência da contaminação coloca as populações tradicionais em um “dilema cruel”. Como o peixe é a principal fonte de proteína e renda para muitos ribeirinhos, a recomendação de não consumo gera insegurança alimentar direta. Os pesquisadores defendem que as autoridades realizem monitoramentos independentes regulares e divulguem os dados de forma transparente, permitindo que a população tome decisões informadas sobre sua própria saúde, sem depender exclusivamente dos relatórios das mineradoras envolvidas no desastre.
Com informações: ECO
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