Ligue-se a nós

Brasil

Um ano e meio de reconstrução: confira 13 avanços que mostram como país mudou para melhor

Publicado

no

Em apenas 18 meses, governo Lula obtém resultados como o resgate de 24 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, a menor taxa de desemprego em 10 anos e a volta ao Brasil ao ranking das 10 maiores economias do mundo. Saiba mais

“[Passamos] um ano e seis meses recuperando a desgraça que os negacionistas fizeram nesse país”, afirmou o presidente Lula em Salvador, nesta segunda-feira (1º). Mas seu governo não só recuperou como uniu forças para a reconstrução de um país devastado por Bolsonaro. Em apenas 18 meses, Lula colocou o país em patamares inimagináveis para tão curto espaço de tempo.

Além de elevar da 12ª para a 8ª maior economia do mundo, o governo Lula obteve inúmeros êxitos como o resgate de 24 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o menor desemprego em 10 anos, a retomada vigorosa dos programas sociais e a atração de volumosos investimentos com a incrível recuperação da credibilidade do país. Para isso, Lula viajou pelos quatro cantos do mundo nos primeiros meses de 2023 e foi recebido com todas as honras, ao contrário dos presidentes pós-golpe de 2016.

Nesses 18 meses, os brasileiros e o mundo testemunharam a volta do espetáculo do crescimento com distribuição de renda que, aos poucos, vai novamente afastando o Brasil do vergonhoso Mapa da Fome – onde foi parar em 2022, e recolocando-o como modelo de desenvolvimento econômico com justiça social.

O volume e magnitude das conquistas, em tão pouco tempo, se explica com muito trabalho, respeito e dedicação ao povo brasileiro. Trata-se de um governo que honra seus compromissos, com programas e ações para garantir alimento, trabalho e renda e reduzir as desigualdades sociais. Assim, o país caminha para uma sociedade de classe média, grande sonho de Lula.

Anúncio

“Muita coisa já voltou para o rumo certo (…). O Brasil da justiça social e do pleno crescimento voltou e é só o começo”, comemorou o ministro-chefe da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta em seu perfil na rede X.

Confira abaixo 13 dos muitos avanços em um ano e meio de governo Lula que mostram como a vida dos brasileiros melhorou após a devastação social de Bolsonaro:

1 – Valorização do salário mínimo acima da inflação

Classificado por Lula como “intocável”, a política de valorização do salário mínimo tem reflexos positivos não só na vida de trabalhadores e aposentados como também em todas as categorias. Os últimos indicadores provaram que mais de 87% das negociações salariais tiveram reajuste acima da inflação e outras 10% no mesmo patamar.

2 – Inflação sob controle

Inflação baixa, para mim, não é um desejo, é uma obsessão”, disse Lula em entrevista a uma rádio baiana dia 01 de julho, após criticar o Banco Central (BC) e a taxa Selic “exagerada” de 10,50%. A inflação está controlada, segundo o presidente, que aprovou a manutenção da média de 3%. Para 2024, a previsão de é uma inflação na casa dos 4%, dentro, portanto, do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo BC.

3 – Aumento recorde da renda média

A renda média dos trabalhadores foi de R$ 3.181,00, avanço de 5,6% registrado em maio de 2024 em relação a 2023. no trimestre encerrado em maio. Outro recorde foi a massa de rendimentos dos trabalhadores brasileiros. Em maio foi registrado um total de R$ 317,9 bilhões, aumento de 2,2% em relação ao trimestre anterior e 9% diante a igual trimestre de 2023. Os dados são da PNAD Contínua do IBGE.

4 – Menor taxa de desemprego em 10 anos

Depois dos índices vergonhosos de mais de 14% de desemprego do governo anterior, em um ano e meio de governo Lula o Brasil registrou 7,1% de desempregados, menor índice desde 2014, e caminha para indicadores recordes alcançados no governo Dilma, abaixo de 4%.

Anúncio
5 – Recorde de empregados

Brasil atingiu 101,3 milhões de pessoas ocupadas, recorde da série histórica iniciada em 2012, assim como o total de 38,3 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

6 – Resgate de 24 milhões de brasileiros de quadro de insegurança alimentar

O incremento dos programas sociais, entre eles o de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), o aumento real do salário mínimo, da massa salarial e do número de pessoas empregadas resultam em maior distribuição de renda e redução das desigualdades sociais. Tudo isso se traduz na saída de 24 milhões de brasileiros da condição de insegurança alimentar. Além disso, indicadores revelaram altos índices de confiança do consumidor brasileiro em junho, com maior otimismo entre as famílias de baixa renda.

7 – Recorde de famílias beneficiárias no Bolsa Família

O presidente Lula se orgulha de ser o que mais cuida do povo pobre. Prova disso é o Novo Bolsa Família que, após as tentativas de desestruturação do governo anterior, voltou a ser pilar fundamental da rede de proteção social do governo federal. Com a inserção de mais 200 mil famílias, o programa teve alcance recorde em junho de 2024 de 21 milhões de famílias, com orçamento de R$ 14,23 bilhões e valor médio de R$ 683,75 por família a partir do aumento de 12%.

8 – Recorde de profissionais no Mais Médicos

Em 2023 o programa chegou a mais de 25.400 profissionais, um aumento de 105% em relação a 2022. A meta para 2024 é de 28 mil médicos ativos. 86 milhões de pessoas são beneficiadas pelo programa e 744 novos municípios passaram a ser atendidos.

9 – Indústria e empreendedorismo em alta e recorde de novos negócios

Apesar da alta taxa de juros fixada pelo Banco Central do bolsonarista Roberto Campos, os esforços do governo Lula têm resultados positivos como a venda até junho de um milhão de carros, um importante indicador do poder de compra das famílias. Além disso, foram abertos 1,43 milhões de pequenos negócios.

Anúncio
10 – Isenção do IR para quem ganha até R$ 2.824

O governo garantiu a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até dois salários mínimos por mês (R$ 2.824) a partir de 2025, beneficiando 15 milhões de brasileiros. Até o final do mandato, Lula garantiu que até 2026 isentará do imposto aqueles que ganham até R$ 5 mil por mês.

11 – Volta ao ranking das 10 maiores economias do mundo

O Brasil foi a sétima maior economia do mundo entre 2010 e 2014, durante os governos do PT. Depois do golpe de 2016 foi perdendo posições até despencar para a 11ª em 2022. Com menos de dois anos de mandato, Lula recolocou o Brasil na 8ª posição no ranking das maiores economias do mundo, do Fundo Monetário Internacional (FMI). O crescimento de 0,8% do PIB no primeiro trimestre de 2024 resultou em alta acumulada de 2,5% nos quatro trimestres encerrados em março, o que levou o Brasil a subir de posição, ultrapassando a Itália.

12 – Recorde de exportações e atração de investimentos

Com a volta de Lula, o Brasil voltou a ser a “bola da vez” no mercado internacional e bateu todos os recordes. Em um ano e meio de mandato, foram 150 mercados abertos para produtos da agropecuária brasileira. Além disso, praticamente todas as montadoras anunciaram investimentos no país, num total de R$ 130 bilhões, o que demonstra o alto nível de confiança no ambiente de estabilidade e credibilidade proporcionados pelo governo federal. De janeiro a abril de 2024 as exportações totalizaram US$ 108 bilhões, 5,7% acima do mesmo período de 2023 (US$ 103 bilhões).

13 – Escola em tempo integral e reajuste da merenda escolar

Uma das maiores crueldades dos governos Temer e Bolsonaro, o congelamento do valor da merenda escolar foi prontamente revisado por Lula logo no início de 2023, com aumento de 39% no valor repassado pelo governo federal, que foi de 36 para 50 centavos por dia para cada aluno matriculado no ensino básico da rede pública, além de indígenas e quilombolas, crianças na pré-escola e em creches e estudantes em escolas de tempo integral.

Aliás, essa também foi uma das primeiras ações do presidente Lula em 2023. O programa visa o aumento das vagas em tempo integral, ofertando jornada igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais, com investimentos que devem chegar a R$ 4 bilhões até o final de 2024, e a R$ 12 bilhões até 2026, com a previsão de 3,2 milhões de novas vagas. Segundo o MEC, 100% dos estados e de 84,3% dos municípios brasileiros já aderiram.

Anúncio

Fato Novo com informações: Redação/PT

Brasil

Morte de três toneladas de peixes no Rio Piracicaba é investigada

Publicado

no

Por

Multa aplicada poderá variar de R$ 500 a R$ 50 milhões

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), agência paulista responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, está investigando a morte de pelo menos três toneladas de peixes no rio Piracicaba, no município do interior do estado de São Paulo.

O odor alterado do rio e a mortandade dos peixes foram notados no dia 7 de julho. No dia seguinte, a Cetesb identificou que a fonte poluidora que causou a morte dos animais era a Usina São José, instalada no município vizinho de Rio das Pedras (SP).


“[A Cetesb] interrompeu o descarte irregular de resíduo industrial e iniciou as análises das amostras coletadas para definir as punições cabíveis à usina, que incluem multa gravíssima e encaminhamento para apuração de crime ambiental, além de ajustes de conduta por parte da empresa”, disse a Cetesb, em nota.


Nesta quarta-feira (17), a Cetesb informou que está aguardando a conclusão das análises laboratoriais das amostras recolhidas no Rio Piracicaba, para embasar o processo administrativo que definirá a penalidade a ser aplicada à Usina São José, produtora de açúcar e álcool. A punição deverá ser publicada até a próxima sexta-feira (19).

Anúncio

A Usina São José S/A Açúcar e Álcool informou, em nota, que está acompanhando as investigações sobre a mortandade de peixes no Rio Piracicaba e suas possíveis causas. “Cabe lembrar que as operações da usina estavam interrompidas desde 2020, tendo sido retomadas somente em maio deste ano, e que nos últimos 10 anos houve mais de 15 ocorrências dessa natureza na região”.

A empresa disse ainda que adota as melhores práticas do ponto de vista ambiental “e não poupa esforços para colaborar plenamente com a Cetesb, a Polícia Ambiental e o Ministério Público”.

A prefeitura de Piracicaba informou que recolheu 2,97 toneladas de peixes mortos na área urbana do município. Os peixes mortos foram descartados para não permitir contaminação do solo ou da água.

Segundo a prefeitura, após a emissão do laudo final pela Cetesb, a multa aplicada na usina poderá variar de R$ 500 a R$ 50 milhões. “A prefeitura continua monitorando a qualidade da água do rio e também pretende exigir do responsável o repovoamento, com a soltura de alevinos [peixes jovens]”.

Siga nossas redes sociais: Facebook Instagram.

Anúncio

Fato Novo com informações e imagens: Agência Brasil

Continuar Lendo

Brasil

Brasil apresenta objetivos de desenvolvimento sustentável na ONU

Publicado

no

Por

Das 169 metas, apenas 14 foram plenamente cumpridas

Depois de seis anos, o Brasil voltou a apresentar na Organização das Nações Unidas (ONU) um balanço de seus objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). Chamado de Relatório Nacional Voluntário, o documento mostra a evolução do Brasil em cada um dos 17 ODS das Nações Unidas, do período de 2016 a 2022.

A apresentação do relatório brasileiro foi feita nesta quarta-feira (17) pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo. A sessão ocorreu no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, na sede da ONU, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Segundo ele, o Brasil decidiu voltar a apresentar o relatório para demonstrar a retomada do compromisso do país com o desenvolvimento sustentável e a Agenda 2030. “Apresentar o diagnóstico sobre a implementação das metas, dos objetivos do desenvolvimento sustentável no país,  comunicar mundialmente a atuação do Brasil com relação à agenda 2030, e restabelecer sua imagem internacional como protagonista da agenda do desenvolvimento”, disse o ministro.

O documento apresentado pelo Brasil considera o período de 2016 a 2022 e mostra que, das 169 metas dos ODS, apenas 14 (8,2%) foram plenamente cumpridas; enquanto 35 (20,7%) apresentaram uma evolução positiva; 26 metas (15,4%) não mostraram nenhum progresso, e 23 (13,6%) sofreram retrocessos. Já 71 metas (42%) não puderam ser adequadamente avaliadas devido à falta de dados disponíveis ou a irregularidades nas séries de dados coletados.

Anúncio

“Não é um mapa agradável, infelizmente eu vou ter que mostrá-lo aqui, o que aconteceu no país nesses últimos seis anos, sobretudo nos últimos quatro anos de desmonte de todas as políticas públicas de proteção à pessoa humana e ao cidadão”, disse Macêdo.


“Esse, infelizmente, foi onde o Brasil foi levado nesses últimos seis anos, com políticas públicas fragilizadas e desmanteladas pelo governo anterior. O retorno do Brasil ao Mapa da Fome, a população brasileira vulnerável nos temas da saúde e da pobreza extrema, e a fragilização da democracia”, acrescentou.

Retomada

O relatório destacou também as ações que a atual gestão do governo federal tem feito desde 2023 para avançar na Agenda 2030 e nas metas dos ODS. Entre os destaques estão a recriação da Comissão Nacional dos ODS, a retomada de programas de combate à fome, à pobreza e à desigualdade; de enfrentamento das emergências climáticas e preservação dos biomas; de transição energética justa e sustentabilidade da Amazônia; além da defesa da democracia, igualdade racial e trabalho decente, e participação da sociedade brasileira nas decisões das políticas públicas.


“Quando nós chegamos ao governo, nesse terceiro mandato do presidente Lula, o presidente encontrou 33 milhões de brasileiros famintos e mais um terço da população com algum tipo de insegurança alimentar. Com a retomada do novo Bolsa Família, com as Cozinhas Solidárias, com a economia popular, com os programas sociais, já retiramos, nesses um ano e meio, 24,5 milhões de brasileiros que estavam na fome e na miséria absolutas”, destacou Macêdo.


O ministro ressaltou ainda o lançamento de programas como o Plano Brasil Sem Fome, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa de Aquisição de Alimentos para Merenda Escolar, o Plano Safra da Agricultura Familiar e do Agronegócio e o lançamento da Política Nacional de Agroecologia.

Anúncio

“Quero falar que na educação também, nós retomamos programas como a expansão das universidades e criamos o Pé de Meia, um programa que visa manter os jovens do ensino fundamental e médio na escola”, disse.


Segundo o documento apresentado, a agenda de enfrentamento à mudança do clima passou, desde 2023, a traba­lhar em colaboração com as políticas de desenvolvimento econômico, social e am­biental. O texto destaca que o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima foi reformulado e o Plano Clima está sendo elaborado de forma participativa.


“Nós fizemos o plano de ação para a prevenção e controle do desmatamento na Amazônia Legal, reduzindo em quase 50% o desmatamento no nosso país, já no primeiro momento. E a nossa meta é o desmatamento zero. E estamos acabando de lançar o Plano Clima Participativo, que vai ser feito com a participação da sociedade para enfrentar as mudanças climáticas”, disse o ministro.


O ministro encerrou a apresentação destacando a iniciativa brasileira de criar o ODS 18, que trata da Igualdade Étnico-Racial. A proposta foi apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU em 2023.

“O ODS 18 é voluntário e foi assumido pelo nosso país. Está em processo de implementação e já foi criada uma câmara técnica no universo da Comissão Nacional de ODS e feita a elaboração das metas e indicadores que vão ser debatidos, discutidos e validados pela sociedade brasileira organizada, os movimentos sociais”.

Anúncio

Siga nossas redes sociais: Facebook Instagram.


Fato Novo com informações e imagens: Agência Brasil

Continuar Lendo

Brasil

Ampliar governança federal sobre o cerrado é chave para o combate às mudanças climáticas

Publicado

no

Por

Coração das águas do Brasil, o bioma é essencial para estratégias de adaptação e mitigação no país

A boa notícia de que a devastação da Amazônia caiu 62,2% no último ano merece ser comemorada, mas o desmatamento do cerrado subiu 67,7% e isso não pode ser ofuscado. Desde o debate político para aprovação do Código Florestal, em 2012, o cerrado foi colocado como bioma de sacrifício.

A possibilidade legal de conversão de até 80% das propriedades rurais, na maior parte do bioma, é entendida como uma meta a ser alcançada, independente de critérios socioambientais que deveriam orientar o processo de autorização de supressão de vegetação.

Áreas de recarga de aquíferos e mananciais, prioritárias para biodiversidade, provedoras de inúmeros serviços ecossistêmicos, e territórios de povos e comunidades que deveriam ser protegidos, têm sido devastados numa velocidade impressionante.

A ênfase na proteção da Amazônia é super relevante, e nela o governo federal tem maior capacidade de gestão e governança nas ações de comando e controle feita por órgãos ambientais como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em função do grande número de áreas protegidas e terras públicas sob sua jurisdição.

Anúncio

No cerrado, pelo contrário, a maior parte dessas atribuições está nos órgãos estaduais de meio ambiente, que enfrentam forte pressão política e econômica para favorecer a expansão do agronegócio, sobretudo na região do Matopiba. É expressivo que 47% de toda a perda de vegetação nativa do país no ano de 2023 tenha ocorrido nessa região.

O cerrado é o coração das águas do Brasil. Dele, provêm as águas de oito das 12 principais bacias hidrográficas do país, responsáveis por grande parte da geração de energia hidrelétrica, mas também pela provisão de água para abastecimento industrial e urbano. O bioma é responsável pela ciclagem da água que vem dos rios voadores da Amazônia para a região centro-sul do país, e pela regulação dos regimes hidrológicos essenciais para a economia.

A correlação entre desmatamento e alterações climáticas é bem evidenciada na diminuição da vazão de águas em diversas bacias hidrográficas no norte de Minas Gerais, no oeste da Bahia e sul do Piauí. Na verdade, dados recentes da Agência Nacional de Águas (ANA) sobre o impacto das mudanças climáticas nos recursos hídricos do Brasil projetam para 2040 uma redução superior a 40% na capacidade hídrica de diversos rios, em todas as regiões do país.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Cemaden/MCTI), de 2024, mostram a evolução de áreas suscetíveis à desertificação, com a expansão de 52% do semiárido na região do Matopiba (370 mil km2), entre 2005 e 2023. Pela primeira vez aparece o registro de uma região com clima árido (5.700 km2) no Brasil, entre os estados da Bahia e Pernambuco.

Desastres climáticos estão se repetindo no país nos últimos anos. Petrópolis (RJ), Ilhéus (BA) e São Sebastião (SP) sofreram com eventos extremos. Em abril deste ano, no Maranhão, um grande número de cidades também ficaram inundadas, e, em maio, o Rio Grande do Sul foi palco de uma grande tragédia. A seca na Amazônia e o fogo no Pantanal são exemplos de que o clima já mudou.

Anúncio

É preciso mudar também o olhar e a ação política dos governos federal e estaduais para garantir políticas de adaptação e mitigação à altura dos desafios que se apresentam. A influência do bloqueio atmosférico causado pela concentração de calor no centro-oeste do país impediu a disseminação das chuvas, que se concentraram no Rio Grande do Sul. E, como consequência do aumento do desmatamento no cerrado, é possível projetar que esse cenário se repita no futuro.

A capacidade de ação e governança federal nas políticas de comando e controle sobre a conversão de vegetação nativa do cerrado precisa ser aumentada. É fundamental estruturar critérios que regulem a conformidade das autorizações de supressão de vegetação nativa e outorga do uso da água, sob responsabilidade dos estados, com critérios mais rigorosos e consequentes com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nas agendas de clima e conservação da biodiversidade. Hoje, o processo de concessão de licenças para desmatar nos estados não observa sequer a simples validação das informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Aumentar o rigor nesse processo vai na direção oposta ao que o Congresso Nacional vem trabalhando para aprovar, com novas alterações na lei geral do licenciamento e no próprio Código Florestal, que favorecem ainda mais o avanço sobre e a devastação dos ecossistemas. Então, é preciso um verdadeiro pacto federativo e freio de arrumação para conter autorizações de desmatamento sem conformidade socioambiental.

Os dados divulgados pelo MapBiomas em seu relatório anual mostram que somente 9,23% da área desmatada em 2023 no cerrado não possui indício de ilegalidade. O cerrado foi o bioma com maior aumento de área desmatada dentro de reserva legal: um aumento de 136%, totalizando 136.368 hectares de perda de vegetação nativa em reserva legal, em um ano.

Está evidente a falta de ação pública efetiva para conter essas ilegalidades nos estados, e a baixa capacidade de gestão federal para implementar o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado), lançado em 2023.

Anúncio

Mas, também é preciso registrar: está faltando coerência e compromisso por parte do setor produtivo (produtores e comercializadores de commodities) com uma agenda de agricultura de baixo carbono efetiva, livre de desmatamento e conversão de ecossistemas.

Parte essencial da solução está no próprio mercado, que tem feito vistas grossas e, inclusive, se posicionado contra normativas que procuram livrar as cadeias de suprimento de produtos com origem em áreas desmatadas, a exemplo da nova lei europeia que regula a importação de commodities. Iniciativas como esta têm potencial para diminuir o impacto do consumo de carne, soja, óleo de palma, entre outros produtos, nas mudanças do clima e perda de biodiversidade.

Ampliar a transparência e rastreabilidade nas cadeias de suprimento de commodities pode favorecer muito as políticas de controle do desmatamento e contribuir para a identificação e responsabilização das conhecidas “maçãs podres” do agronegócio. Somente numa conjunção de esforços públicos e privados será possível alcançar a meta anunciada mundo afora pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de desmatamento zero em 2030.

É preciso despertar para a realidade de que a sobrevivência do cerrado, de seus povos e comunidades, e suas contribuições para regulação do clima e conservação da biodiversidade, será chave para fortalecer quaisquer estratégias nacionais de adaptação e mitigação.

Siga nossas redes sociais: Facebook Instagram.

Anúncio

Fato Novo com informações e imagens: Brasil de Fato

Continuar Lendo

Mais vistas