A ambientalista suíça, falecida aos 81 anos, dedicou quatro décadas à conservação da Mata Atlântica nordestina, transformando clareiras em florestas para proteger espécies raras, como o anumará
A ambientalista e ornitóloga suíça Anita Studer faleceu nesta segunda-feira (15), em Genebra, aos 81 anos. Doutora em Biologia, Studer dedicou grande parte de sua vida à conservação da Mata Atlântica no Nordeste do Brasil, deixando um legado de mobilização social e reflorestamento.
Anita Studer chegou ao Brasil em 1976 para estudar aves. No início da década de 1980, na Serra de Pedra Talhada (entre Pernambuco e Alagoas), ela avistou o raro pássaro anumará (Curaeus forbesi). Ao perceber que a sobrevivência da espécie estava ameaçada pelo desmatamento, ela decidiu mudar seu foco. “Primeiro eu vou salvar a floresta, e depois tenho todo o tempo do mundo para estudar o anumará”, disse à época.
Legado de Conservação e Educação
Em 1985, Anita fundou na Suíça a ONG Nordesta – Reflorestamento e Educação, para financiar projetos de conservação no Brasil. Liderando uma intensa mobilização que envolveu moradores, prefeitos e educadores, seu esforço culminou na criação da Reserva Biológica (Rebio) de Pedra Talhada pelo Governo Federal, em 13 de dezembro de 1989. A reserva possui 4,5 mil hectares e abrange territórios em Pernambuco e Alagoas.
Seu trabalho não parou na criação da reserva. A ativista articulou a criação de viveiros, corredores florestais e a proteção de nascentes junto a escolas e comunidades, resultando em milhões de mudas de Mata Atlântica plantadas.
O projeto de Studer ganhou reconhecimento internacional, sendo impulsionado pelo prêmio Rolex Award for Enterprise em 1990. Seu legado foi honrado com batismos científicos: a perereca Dendropsophus studerae e o líquen Astrothelium studerae levam seu nome.
O trabalho da ornitóloga costurou ciência, políticas públicas e mobilização comunitária, deixando paisagens novamente verdes onde antes havia clareiras, um testamento da sua missão de vida.
Fonte: ECO

