Dados do Banco Central revelam que o cartão de crédito rotativo continua sendo o maior vilão do orçamento, com taxas médias de 438%; endividamento das famílias atinge quase 50% da renda.
O cenário financeiro para os brasileiros encerrou o ano de 2025 com sinais de alerta ligados. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (29 de janeiro de 2026), os juros médios cobrados das famílias subiram 7 pontos percentuais ao longo do ano passado, atingindo a marca de 60,1% ao ano.
A alta acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. Esse movimento do BC visa conter a inflação, mas tem como efeito colateral o encarecimento direto do consumo e do crédito para o cidadão comum.
O Perigo do Cartão de Crédito
O grande destaque negativo do relatório é o cartão de crédito rotativo. Embora tenha havido uma leve queda na taxa média em comparação a 2024, o valor ainda é astronômico: 438% ao ano.
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Rotativo (30 dias): É acionado quando o cliente não paga o valor total da fatura.
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Cartão Parcelado: Após os 30 dias de rotativo, os bancos parcelam a dívida, mas com juros que subiram para 189% ao ano em 2025.
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Crédito Pessoal: A modalidade não consignada (sem desconto em folha) também disparou, chegando a 116,8% ao ano.
Radiografia do Endividamento no Brasil
Os números mostram que as famílias estão destinando uma parcela cada vez maior de sua renda para pagar dívidas.
| Indicador | Valor em Dez/2025 | Comparação com 2024 |
| Inadimplência (Famílias) | 5,0% | Alta de 1,5 pp |
| Endividamento Total | 49,8% | Alta de 1,5 pp |
| Comprometimento de Renda | 29,3% | Alta de 2,2 pp |
O endividamento de 49,8% significa que metade de tudo o que as famílias ganham em um ano já está comprometido com dívidas. Se excluirmos o financiamento imobiliário, esse índice cai para 31,3%, ainda assim considerado elevado por especialistas.
Empresas também sentem o peso
No setor corporativo, o destaque foi o cheque especial para empresas, que atingiu surreais 355,7% ao ano, e o capital de giro, que saltou para 50,3% ao ano. Isso encarece a produção e, consequentemente, acaba sendo repassado para o preço final dos produtos nas prateleiras dos supermercados.
O que é o “Spread” Bancário?
O relatório aponta que o spread bancário subiu para 21,4 pontos percentuais. Esse valor representa a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que ele cobra de você. Essa margem serve para cobrir impostos, custos operacionais e o risco de calote, além de compor o lucro das instituições financeiras.
Com informações: ICL Notícias
