Apesar de pouco frequente, o câncer ósseo pode afetar crianças e adolescentes , com destaque para dois tipos mais comuns: osteossarcoma e sarcoma de Ewing . Geralmente diagnosticados entre os 10 e 20 anos , esses tumores podem ser confundidos com lesões esportivas ou dores do crescimento, dificultando o reconhecimento precoce.
A Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) reforça, durante o
Julho Amarelo , campanha dedicada à conscientização sobre o tema, a importância da
identificação dos sinais e o
encaminhamento rápido para centros especializados .
Sinais que não podem ser ignorados
Os principais sintomas do câncer ósseo incluem:
- Dor persistente nos ossos ou articulações , especialmente à noite
- Inchaço ou aumento de volume em determinada região
- Claudicação sem causa aparente (manqueira inexplicável)
- Fraturas espontâneas ou com traumas leves
- Sensação de calor ou vermelhidão local
- Limitação de movimentos
Segundo a oncologista pediátrica e presidente da SOBOPE,
Mariana Bohns Michalowski , "qualquer dor óssea que persiste ou piora, mesmo com uso de analgésicos comuns, merece avaliação médica especializada". Ela também alerta para outros sinais como aumento de volume inexplicado e perda funcional de um membro.
Diagnóstico tardio ainda é desafio
Por apresentarem sintomas semelhantes a condições musculoesqueléticas comuns, os casos costumam ter
diagnóstico tardio , comprometendo o início do tratamento. Em muitos casos, o paciente chega ao médico após semanas ou meses com os sintomas, aumentando o risco de complicações.
Tratamento eficaz com protocolos modernos
Felizmente, avanços na medicina oncológica ampliaram as chances de
cura do câncer ósseo na infância e adolescência , especialmente quando o tumor é identificado precocemente e tratado em centros especializados. O tratamento geralmente envolve:
- Quimioterapia prévia e pós-cirúrgica
- Cirurgia com possibilidade de preservação do membro
- Radioterapia , conforme indicação clínica
“Apesar do impacto emocional de um diagnóstico de câncer ósseo, hoje temos protocolos atualizados e cirurgias especializadas capazes de trazer maiores taxas de cura e qualidade de vida”, destaca a especialista.
Importância da informação e do acesso
A SOBOPE reforça que
o diagnóstico precoce salva vidas . Por isso, é fundamental que
pais, responsáveis e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais e garantam o acesso imediato a serviços especializados.
“A informação, a escuta atenta e o encaminhamento correto são os primeiros passos para a cura. Não podemos deixar que a demora no diagnóstico atrapalhe o prognóstico”, conclui Mariana.
Sobre a SOBOPE
Fundada em 1981, a
Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) tem como missão disseminar conhecimento sobre o câncer infantojuvenil, uniformizar métodos de diagnóstico e tratamento e representar os oncologistas pediátricos brasileiros junto aos órgãos governamentais. A entidade também desenvolve e divulga protocolos terapêuticos para todo o país.
Com informações: SOBOPE