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Cientista político avalia que Lula se fortalece após tarifaço de Trump

Cientista político avalia que Lula se fortalece após tarifaço de Trump

Redação
Por: Redação
03/08/2025 às 07h00 Atualizada em 03/08/2025 às 10h00
Cientista político avalia que Lula se fortalece após tarifaço de Trump
Foto: Reprodução

Para Paulo Niccoli Ramirez, reação diplomática do Brasil diante das tarifas dos EUA fortaleceu Lula e expôs contradições da oposição bolsonarista, que teria "enterrado a própria cova política"

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou a rejeição pela primeira vez em 2025 após o decreto dos Estados Unidos que impôs tarifas a produtos brasileiros, segundo levantamento da AtlasIntel divulgado nesta quinta-feira (31). Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da FESPSP, o episódio fortaleceu a imagem do governo brasileiro e expos as contradições da oposição bolsonarista. “Lula angariou um discurso mais potente nacionalista, o que o favoreceu. Não é o estúpido estilo dos bolsonaristas, que é da boca para fora, mas um nacionalismo que defende a indústria brasileira, a produção como um todo, os trabalhadores”, afirmou Ramirez em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. O professor destacou ainda que “a família Bolsonaro enterrou a própria cova política, atacando os interesses nacionais”. Segundo ele, os bolsonaristas não só perderam popularidade, como “esse jogo político conspiratório, antinacional, decreta o fim político da família Bolsonaro”. Ramirez afirmou também que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado deve ter um desfecho “nos próximos meses” e defendeu a criminalização do bolsonarismo. “Sempre foi uma visão autoritária, militarista, antidemocrática. É isso que caracteriza o bolsonarismo”, criticou. Condução diplomática Ramirez destacou a condução diplomática do governo diante da decisão de Donald Trump, que impôs tarifas, mas manteve isenção para cerca de 42% dos produtos. “O Brasil tentou agir da forma mais correta possível. […] Dentro de uma economia globalizada, é impossível que um país sobreviva por si mesmo”, avaliou. Ele considerou acertada a decisão de Lula de não fazer contato direto com Trump, delegando a mediação ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PDB). “Agora vemos a importância da aliança feita com o PSB e com a figura de Alckmin, exatamente porque o Alckmin é o representante, como sempre foi, dos setores burgueses brasileiros, do setor industrial, do agronegócio”, observou. Questionado se as sanções dos EUA poderiam representar uma tentativa de golpe contra o Brasil, Ramirez associou a postura de Trump a estratégias históricas de interferência dos EUA na América Latina. “Não é uma atitude econômica que foi tomada contra o Brasil, mas uma atitude política que não tem outro objetivo, como tentam os fascistas, de intervenção sobre a soberania dos países do mundo”, indicou.

Com informações: Brasil de Fato
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