Quarta, 01 de Julho de 2026
14°C 25°C
Brasília, DF
Publicidade

Haddad manda recado a Trump: "vamos manter parcerias, mas não como colônia"

Haddad manda recado a Trump: "vamos manter parcerias, mas não como colônia"

Redação
Por: Redação
06/08/2025 às 06h00 Atualizada em 06/08/2025 às 09h00
Haddad manda recado a Trump:
Foto: Reprodução

Ministro da Fazenda afirma que Brasil quer ampliar comércio com EUA, mas rejeita ingerência política. Parcerias devem respeitar soberania, democracia e interesses nacionais, diz Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (4) que o Brasil está disposto a ampliar parcerias com os Estados Unidos em áreas estratégicas, como terras raras e minerais críticos, mas ressalvou que isso não ocorrerá sob condição de subordinação. “Vamos manter parcerias, mas não na condição de satélite ou de colônia”, declarou em entrevista à Band News.

A declaração é uma resposta direta ao contexto de tensões comerciais provocadas pelo “tarifaço” imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra produtos brasileiros, além das sanções individuais contra autoridades brasileiras, como o ministro do STF Alexandre de Moraes. Ampliação da pauta comercial Haddad destacou que o governo brasileiro vem discutindo há mais de dois anos a expansão da pauta comercial bilateral. “A gama de setores em que interessa ao Brasil uma parceria com os Estados Unidos é enorme”, afirmou. Ele citou o potencial de cooperação na produção de baterias mais eficientes e em tecnologias limpas, aproveitando os recursos naturais do Brasil e a demanda norte-americana por insumos estratégicos. “Os Estados Unidos não são ricos em terras raras. Nós podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes na área tecnológica”, disse o ministro, reforçando que o objetivo é não apenas manter o comércio no patamar pré-tarifaço, mas expandi-lo. Retração dos EUA e aproximação com outros blocos Segundo Haddad, foi o próprio governo norte-americano que se retraiu do diálogo comercial com o Brasil e com a América do Sul. “Estamos há mais de dois anos discutindo que eles voltem a investir. Eles se retraíram, abriram espaço para a China, para a União Europeia”, afirmou, ressaltando que o Brasil busca diversificar suas relações internacionais, sem fechar portas a parcerias com os EUA. Soberania e democracia são inegociáveis Apesar da disposição para negociações, Haddad deixou claro que o Brasil não aceitará ingerência em seus assuntos internos. “Nossa democracia não está em discussão. O Brasil, nessas condições, não vai fazer acordo”, afirmou. Ele criticou a tentativa de vincular acordos comerciais a temas como a regulação do Pix e a gestão de bibliotecas públicas, que considerou questões de soberania nacional. “Tudo isso são questões de soberania que nada têm a ver com o debate comercial”, disse, sem citar nominalmente o governo Trump ou aliados de Bolsonaro, mas apontando para interesses eleitorais externos que buscam influenciar a política brasileira. Impacto do tarifaço e plano de apoio aos setores afetados Haddad avaliou que o impacto do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros será limitado. Segundo ele, apenas um terço das exportações brasileiras para os EUA — cerca de 4% do total das exportações do país — será afetado. “Mais da metade vai encontrar destino alternativo, porque são commodities com preços regulados pelo mercado global”, afirmou. Os principais impactos, segundo o ministro, recairão sobre produtos industriais feitos sob medida para o mercado norte-americano, que não podem ser facilmente redirecionados. Para esses setores, o governo prepara um plano de apoio com medidas específicas, sem afetar o resultado primário das contas públicas. Os recursos serão de fontes não orçamentárias. Brics não é o motivo, diz Haddad Questionado se a participação do Brasil no Brics seria o verdadeiro motivo das retaliações, Haddad negou. “Se fosse, outros países do bloco também teriam sido atingidos. Não precisamos ver outro tipo de assombração”, afirmou, referindo-se às narrativas que tratam o Brics como uma ameaça pelos EUA. O ministro defendeu que o comércio internacional não deve ser instrumentalizado para interesses eleitorais de outros países. “O comércio não pode ser usado para favorecer forças que querem entregar as riquezas nacionais”, concluiu.

Com informações: Agência Gov / Revista Fórum
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
18°
Tempo limpo
Mín. 14° Máx. 25°
17° Sensação
1.19 km/h Vento
36% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h39 Nascer do sol
17h51 Pôr do sol
Quinta
25° 14°
Sexta
26° 15°
Sábado
28° 15°
Domingo
28° 16°
Segunda
29° 16°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,21 +0,75%
Euro
R$ 5,93 +0,40%
Peso Argentino
R$ 0,00 +3,12%
Bitcoin
R$ 332,039,51 +2,83%
Ibovespa
171,688,61 pts -0.2%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias