
O deputado distrital Chico Vigilante (PT) apresentou, na terça-feira (12/8/2025), a moção 1.457/2025 com o objetivo de declarar Donald Trump persona non grata no Distrito Federal. A proposta foi motivada por declarações do ex-presidente dos Estados Unidos em que ele citou Brasília como exemplo de capital com alto índice de criminalidade, ao lado de outras cidades do mundo.
A moção foi debatida durante a sessão ordinária da Câmara Legislativa do DF, gerando intensa discussão entre parlamentares sobre soberania nacional, diplomacia e a resposta a críticas internacionais.
A polêmica teve início em maio de 2025, quando o Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta recomendando que turistas americanos evitem áreas do DF, como Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá, por questões de segurança. A medida foi vista por diversos parlamentares como um afronta à imagem da capital federal.
Chico Vigilante afirmou que não aceita interferência externa em assuntos internos:
“Esse elemento chamado Donald Trump não tem o direito de se meter nas nossas questões internas. Portanto, ele que cuide lá dos Estados Unidos e do Brasil cuidamos nós que somos brasileiros.”
A discussão ganhou novo impulso após o governador do DF, Ibaneis Rocha, enviar uma carta ao ex-presidente americano em resposta às declarações. O conteúdo do documento foi criticado por parlamentares da oposição.
O deputado Gabriel Magno (PT) classificou a carta como "subserviente", enquanto Max Maciel (PSOL) afirmou que a população do DF "não precisa prestar contas a governos estrangeiros" e destacou a necessidade de investimentos em segurança, saúde e educação.
Já o deputado pastor Daniel de Castro (PP) defendeu a atitude de Ibaneis, dizendo que o governador agiu com diplomacia e responsabilidade.
O líder do governo na Câmara, Hermeto (MDB), rebateu as críticas e destacou avanços na área de segurança no Distrito Federal, como a contratação de novos policiais, recomposição salarial e modernização da frota da Polícia Militar e da Polícia Civil.
“Brasília é uma cidade segura, com índices de criminalidade em queda. Não vamos aceitar generalizações que desrespeitam nossa população e nossos agentes de segurança”, afirmou.
Os deputados Thiago Manzoni e Roosevelt (PL) rejeitaram a moção e classificaram o discurso da esquerda como "ofensivo" e desalinhado da realidade. Eles também criticaram o que chamaram de "instrumentalização política" da soberania nacional, relacionando-a a projetos ideológicos externos.
A expressão "persona non grata" (pessoa não grata) é usada no direito diplomático para indicar que uma pessoa não é bem-vinda em um território. Embora a moção não tenha força legal para impedir a entrada de Trump no DF, tem caráter simbólico e político, expressando repúdio formal às suas declarações.
Com informações: Agência CLDF / Jornal de Brasília