
O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) publicou, nesta sexta-feira (22/08), um editorial contundente em que afirma que a “ruína” de Jair Bolsonaro representa uma oportunidade histórica para a direita brasileira se reconstruir com bases democráticas, éticas e voltadas ao interesse nacional.
O texto, crítico ao ex-presidente e ao seu círculo familiar, o define como um “zumbi político” — uma figura sem projeto coletivo, que sobrevive apenas da fidelidade cega de seus seguidores e cuja única agenda é escapar da responsabilização criminal. Indiciamento escancara interesses mesquinhos O editorial faz referência ao indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro pela Polícia Federal por crimes como coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, ligados à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Para o Estadão, as conversas divulgadas nas investigações revelam que os interesses do clã Bolsonaro estão acima do país, do partido e até dos aliados.“Sua única preocupação é garantir, a qualquer custo, que o ex-presidente jamais seja responsabilizado. Qualquer outro objetivo não tem a menor importância.”“Anistia” era só retórica, diz jornal O jornal destaca mensagens em que Eduardo Bolsonaro afirma que a prometida “anistia ampla, geral e irrestrita” era apenas um artifício retórico. O verdadeiro objetivo, segundo ele, é livrar apenas Jair Bolsonaro da prisão — o que descarta qualquer solução intermediária, como a chamada “anistia light”.
“Essa confissão só reforça: toda a energia negativa do clã foi direcionada a um fim — salvar Jair Bolsonaro, e apenas ele, da cadeia.”Bolsonarismo como projeto de autopreservação O Estadão sustenta que o movimento bolsonarista nunca foi sobre democracia, soberania ou liberdade, mas sim um projeto de autopreservação familiar que explora seguidores e sacrifica o Brasil.
“A causa bolsonarista jamais foi a defesa da democracia. Trata-se de um projeto de autopreservação que explora seguidores e intoxica o destino nacional com sua desgraça particular.”Chamado aos “verdadeiros conservadores” O editorial faz um apelo aos conservadores institucionais — aqueles que respeitam a Constituição, as eleições e o Estado de Direito — para que se distanciem de Bolsonaro.
“Lideranças com pretensões eleitorais que se consideram decentes não podem continuar a se associar a um clã que já demonstrou ser capaz de trair os interesses mais vitais do País em troca da liberdade do líder da facção.”Chance de renovação da direita Por fim, o jornal reconhece que já há movimentos no campo da direita em busca de uma alternativa democrática ao governo Lula, sem o atraso ideológico e a ruptura institucional do bolsonarismo.
“Que assim seja, pois o Brasil não pode seguir refém de uma família que intoxica o destino nacional com sua desgraça particular.”