
Num artigo sobre “mangakás que surpreendentemente ainda não foram adaptados em animê”, mencionaram meu nome. Disseram que talvez o próprio autor tenha recusado ofertas… Que papo é esse? Nada a ver! Sério, por que será!?
Por que minhas obras não são adaptadas em animê? Se alguém souber a verdadeira razão, por favor, me conte.
Na resposta de um seguidor, o assunto do teor dos mangás de Morita é colocado em jogo (tradução livre):
Falando sério, acho que é porque há muitas cenas [nas obras de Morita] que os pais não gostariam que os filhos vissem. Eu, pessoalmente, gostei muito quando li na infância e ficaria feliz se fosse adaptado em animê — mas, se isso acontecer, gostaria que fosse transmitido em um horário mais tarde da noite, quando as crianças não costumam assistir.
Outro ainda brinca com o que os jovens dos mangás usavam:
Rokudenashi Blues [uma das obras mais famosas de Morita] é minha juventude, mas se você pensar objetivamente [no porquê de não virar animê], acho que é porque os estudantes do ensino médio fumam e bebem álcool (risos).

Rokudenashi Blues. | Imagem: Reprodução/Masanori Morita
Ainda inédito no Brasil no que se diz respeito a mangás publicados, Masanori Morita é certamente um dos nomes mais relevantes da história da Shonen Jump — a mais famosa antologia de mangás, de onde saíram títulos como Dragon Ball, Naruto e One Piece. Rokudenashi Blues, seriado de 1988 a 1997, vendeu mais de 60 milhões de cópias, número acima de alguns outros medalhões como Ranma ½, City Hunter, Yu Yu Hakusho ou Os Cavaleiros do Zodíaco (todos com animação de TV ou até remakes).
Ele começou a sua carreira como assistente de Tetsuo Hara, criador de Hokuto no Ken, e iniciou nas publicações da editora Shueisha em 1987, passando por Shonen Jump, Young Jump e Grand Jump — onde finalizou sua série mais recente, Zashisu, no ano passado.
Rookies, seu 2º grande sucesso, publicado de 1998 a 2003 com mais de 21 milhões de cópias vendidas, foi adaptado em um dorama pela TBS em 2008, esse disponível no Brasil pela Netflix. Rokudenashi Blues também virou live-action, com filmes e um dorama, além de duas pequenas animações para cinema pela Toei — o máximo de animê que Morita teve. Beshari-Gurashi, publicado de 2005 a 2009, também virou dorama.
As histórias famosas do autor são caracterizadas por estudantes encrenqueiros, “garotos-problema” que tomam algum rumo na vida através de algum caminho improvável (o boxe em Rokudenashi Blues, o beisebol em Rookies e a comédia em Beshari-Gurashi).