
Enquanto o governo federal avança com a proposta de flexibilizar as regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), medida que dispensaria a obrigatoriedade de aulas em Centros de Formação de Condutores (CFCs), representantes das autoescolas de todo o país intensificam os esforços para barrar a mudança. Em Brasília, uma reunião preparatória realizada nesta semana marcou o início da articulação para a grande mobilização nacional marcada para 5 de novembro, data próxima ao encerramento da consulta pública sobre o tema.
O encontro contou com a presença de figuras centrais do movimento: Biratam, presidente da Associação Brasileira dos Proprietários de Autoescolas (Abrauto); Olga, diretora da entidade; Cleiton Jorge, presidente da ASSINTT-DF; e Derson, reconhecido como um dos principais articuladores políticos do setor no Distrito Federal. Juntos, eles selaram um compromisso de unir a categoria em todos os estados para defender não apenas os negócios das autoescolas, mas, sobretudo, a segurança viária e a qualidade na formação de novos motoristas.A mobilização do dia 5 de novembro será uma resposta direta à minuta do Ministério dos Transportes que, segundo as entidades, coloca em risco 170 mil empregos e pode levar ao fechamento de 15 mil CFCs em todo o país. A proposta — que permite ao candidato à CNH dispensar as 20 horas-aula práticas obrigatórias e se preparar de forma autodidata — é vista pelo setor como um retrocesso na política de trânsito e um risco à vida nas ruas e estradas.
“Não somos contra o barateamento da CNH, mas somos contra colocar vidas em risco em nome de uma economia ilusória”, afirmou Derson durante a reunião. “A formação em autoescola não é burocracia: é o que garante que um novo motorista saiba frear, estacionar, respeitar sinais e, acima de tudo, conviver com os outros no trânsito.”A mobilização do dia 5 de novembro contará com atos simultâneos em capitais de todo o Brasil, envolvendo carros de instrução, profissionais do setor, alunos e apoiadores da causa. Em Brasília, a concentração está prevista na Esplanada dos Ministérios, com carros de autoescola ocupando simbolicamente a via em defesa da formação responsável. A união entre Abrauto, ASSINTT e lideranças locais como Derson demonstra a capacidade de articulação do setor em um momento crítico.
“Estamos unidos não por corporativismo, mas por responsabilidade”, destacou Cleiton Jorge. “O trânsito brasileiro já mata mais do que guerras. Não podemos abrir mão da formação profissional dos condutores.”
Com a consulta pública encerrando em 2 de novembro, a mobilização do dia 5 surge como um grito de alerta à sociedade e ao poder público: a CNH não pode ser tratada como um simples documento, mas como um compromisso com a vida. E, nessa luta, as autoescolas não estão sozinhas — estão organizadas, unidas e prontas para defender o que consideram essencial para um trânsito mais seguro e justo.