
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), por meio da Escola de Contas (Escon), promoveu um evento especial nos dias 17 e 18 de novembro em celebração ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro). O encontro foi um convite à reflexão sobre as desigualdades estruturais que atingem a população negra no Brasil e a luta histórica por direitos.
A programação especial incluiu palestras, rodas de conversa, sarau e uma feira preta. O presidente do TCDF, conselheiro Manoel de Andrade, destacou a urgência de romper o preconceito e o silêncio, afirmando que reconhecer a diversidade é essencial para uma democracia viva. O regente da Escon, conselheiro Renato Rainha, ressaltou os avanços, como a criminalização do racismo e as cotas nos concursos, mas lembrou que "o racismo infelizmente continua muito presente".
O professor Nelson Inocêncio (UnB) resgatou a longa caminhada do movimento negro, que atravessa séculos, desde o tráfico atlântico até a criação de entidades no Distrito Federal. Ele destacou o papel da UnB na formulação das cotas raciais e como momentos de tensão, como as pichações racistas de 1987, impulsionaram mudanças na universidade.
A mestre Maria Luiza Júnior, fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU), criado em 1978, lembrou que a população negra entrou tardiamente na disputa por direitos devido à escravidão e ao abandono pós-abolição. Ela enfatizou que a lentidão no avanço da equidade se deve à necessidade de o movimento se reorganizar constantemente para enfrentar a violência policial e a recusa de aliados.
Uma roda de conversa com Fernanda Cordeiro (coordenadora de Diversidade e Inclusão da AGU) e o defensor público Fabrício Rodrigues (DPDF) destacou que políticas como as cotas e o reconhecimento institucional do racismo são resultados diretos da persistência histórica do movimento negro.
AGU: Fernanda Cordeiro apresentou o Programa Esperança Garcia (curso preparatório e bolsas para negros na advocacia pública) e a plataforma JurisRacial, que reúne normas ligadas ao combate ao racismo, defendendo que políticas públicas devem ser construídas junto com a população.
DPDF: Fabrício Rodrigues detalhou as iniciativas internas, como o curso Elementos Socio-Históricos do Racismo, o Laboratório Júnior (formado por estagiários negros) e a elaboração do Protocolo de Práticas Antirracistas.
O evento concluiu que o enfrentamento ao racismo institucional exige formação contínua, diagnóstico preciso (como o censo racial) e mudanças concretas nas rotinas de trabalho para que os avanços, conquistados com organização e enfrentamento, possam consolidar uma sociedade mais justa.
Com informações: TCDF, Escon, AGU, DPDF, UnB