
A carne alternativa acaba de ganhar uma nova fronteira com a gordura "cultivada". A empresa Mission Barns, sediada em São Francisco, desenvolveu uma tecnologia que permite cultivar gordura animal real fora do corpo do animal em biorreatores. Essa gordura é então combinada com ingredientes vegetais para criar produtos híbridos que replicam o sabor e a textura de carnes como salsichas, bacon e salame.
O princípio é simples: grande parte do sabor autêntico da carne de porco reside na gordura do animal. Ao obter uma pequena amostra de gordura de um animal vivo (como a porca Yorkshire Dawn), a Mission Barns consegue proliferar essas células em um meio nutritivo, replicando as condições do corpo. O resultado é um produto que é "fundamentalmente diferente" para o cérebro, mas que convence o paladar — o autor descreve a experiência como comer "Diet Meat" (Carne Diet), uma aproximação muito saborosa da carne real.
A Mission Barns está focando em carnes processadas ("desestruturadas") como almôndegas e salame, pois são mais fáceis de replicar do que cortes inteiros, como o lombo de porco. A empresa mistura a gordura cultivada com proteínas vegetais (como ervilha, trigo ou fava), adicionando especiarias para acentuar o sabor.
Agnóstica em Relação às Células: Embora tenha começado com carne suína, a tecnologia da Mission Barns é "agnóstica", podendo ser aplicada para cultivar gordura de frango e bovina.
Sabor e Textura: O objetivo principal é fornecer o sabor e a suculência que faltam aos produtos puramente vegetais, garantindo que o produto tenha a "sensação na boca" (mouthfeel) correta.
Aprovação e Expansão: Após receber a aprovação do Departamento de Agricultura dos EUA para levar a gordura cultivada ao mercado, a empresa planeja aumentar a produção e licenciar a tecnologia para outras companhias.
A iniciativa visa fornecer uma alternativa à pecuária industrial, responsável por uma alta pegada ambiental (estima-se que o gado seja responsável por 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa da humanidade), além das questões éticas de crueldade animal. A Mission Barns afirma que, com o uso de energia renovável em larga escala, seu processo tem um desempenho significativamente melhor em termos de emissões.
Embora o mercado de alternativas à carne tenha desacelerado, a Mission Barns encontrou que seus primeiros consumidores são principalmente flexitarianos — pessoas que priorizam o consumo vegetal, mas ocasionalmente consomem produtos de origem animal —, embora alguns vegetarianos e veganos também tenham experimentado.
Com informações: Grist, Mission Barns