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O olhar de duas garotas para a finitude da vida é tema de "A natureza das coisas invisíveis"

O olhar de duas garotas para a finitude da vida é tema de "A natureza das coisas invisíveis"

Redação
Por: Redação
25/11/2025 às 23h00 Atualizada em 26/11/2025 às 02h00
O olhar de duas garotas para a finitude da vida é tema de
Foto: Reprodução
O longa-metragem de estreia de Rafaela Camelo, "A Natureza das Coisas Invisíveis", acompanha a amizade de duas meninas em um hospital para abordar luto, amadurecimento e o papel da imaginação diante da morte. O filme, protagonizado por uma menina trans, chega aos cinemas após receber prêmios importantes no Brasil e em Berlim

O filme "A Natureza das Coisas Invisíveis", da diretora Rafaela Camelo, explora a finitude da vida a partir da perspectiva de duas garotas que se tornam amigas em um hospital. A obra, classificada como coming of age, utiliza essa amizade para processar a experiência do luto e a descoberta da morte, sem abordar questões comuns do gênero, como bullying ou sexualidade.

Abordagem do luto e imaginação

Rafaela Camelo explicou que a ideia central era usar o cinema como um espaço para processar o luto, focando na experiência íntima das personagens e na forma como o luto atravessa mulheres de diferentes gerações.

  • Foco Introspectivo: O filme busca um tom mais contemplativo e introspectivo, inspirado em clássicos como "O Espírito da Colmeia" (Víctor Erice) e "Fanny e Alexander" (Ingmar Bergman).

  • Abertura Emocional: Para a cineasta, o que acontece com as meninas não é a perda da infância, mas sim a abertura de um novo território emocional. Diante de respostas insatisfatórias dos adultos, as garotas recorrem à imaginação, tratada como uma forma legítima de "organizar o mundo" e buscar sentido em experiências intangíveis.

Protagonismo e transgeneridade

Um dos pontos centrais do filme é que a personagem Sofia (interpretada por Serena) é uma menina trans, cuja identidade é tratada com naturalidade e não como um dilema.

  • Identidade em Segundo Plano: A diretora buscou evitar resumir a personagem à sua identidade de gênero. O maior dilema de Sofia no filme é a doença de sua bisavó, e não a sua transgeneridade, que não é questionada ou alvo de violência no roteiro.

  • Luto e Transição: A personagem Sofia relaciona a questão da morte da bisavó com o luto de sua antiga identidade (Bento), afirmando que ambos os lutos estão relacionados à transição: "Um luto relacionado à passagem de um plano espiritual para outro, o outro luto de uma identidade para a outra."

O longa-metragem foi aclamado em festivais, recebendo o Prêmio da Crítica de Melhor Filme Brasileiro e o Prêmio Prisma Queer de Melhor Filme Brasileiro na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, além de ter sido agraciado na categoria melhor longa-metragem no Festival MixBrasil. O filme estreará nos cinemas nesta quinta-feira (27).


Com informações: Revista Fórum

 
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