
Com o auxílio de inteligência artificial (IA), uma quadrilha está modificando vídeos já existentes nas redes sociais para aplicar golpes, solicitando doações para projetos sociais falsos. Esses vídeos adulterados têm sido veiculados em anúncios do YouTube em todo o Brasil.
Os criminosos roubam vídeos de contas de projetos sociais, celebridades e políticos e utilizam a IA para distorcer a voz e a fala das pessoas, pedindo doações para diversas causas, como lares de idosos, crianças vulneráveis e ONGs de animais.
Instituição Falsa: Um dos projetos usados é a Casa Francisco de Assis, uma instituição que já existiu, mas que está com o CNPJ baixado e não funciona mais.
Vítima Pública: A professora Katya Lichtnow, idealizadora da Escola de Cuidados ISS, teve um vídeo roubado e alterado. No vídeo fake, ela aparece com a fala distorcida pedindo dinheiro para uma instituição inexistente, enquanto o vídeo original tratava de um tema diferente.
Katya Lichtnow alertou que o golpe tende a atingir pessoas mais velhas e vulneráveis. Embora tenha registrado boletim de ocorrência e denunciado, o vídeo continuava rodando na plataforma. Os golpistas também criaram uma conta no Instagram com mais de 50 mil seguidores, suspeitando-se da compra de seguidores para dar credibilidade.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) registrou um aumento de 128% nos crimes cibernéticos com uso de IA em 2024. A popularização da tecnologia tem levado a fraudes cada vez mais elaboradas.
O delegado Eduardo Del Fabbro (DRCC) e o professor de direito digital Alisson Possa (Ibmec Brasília) destacam sinais para identificar deepfakes:
Olhar Fixo: O olhar da pessoa no vídeo costuma ficar fixo, sem se mexer normalmente.
Movimento da Boca: O movimento da boca é travado e não condiz com o que está sendo falado (como se fosse uma dublagem).
Voz Inalterada: O tom de voz não muda, é sempre o mesmo, e a fala pode acelerar e frear bruscamente.
Recomendação de Segurança: O passo mais seguro é sempre confirmar a veracidade das solicitações de doação ou urgência por meio de outro canal (ligar diretamente para a pessoa, mandar mensagem de voz, ou usar um aplicativo onde a identidade do contato seja confirmada).
Com informações: Metrópoles