
A Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP) manifestou, neste sábado (14), uma profunda preocupação com os rumos da avaliação do ensino médico no país. O foco das críticas é o recém-realizado Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED). Segundo a entidade, embora a regulamentação seja necessária, o processo atual carece de método e maturidade técnica, gerando instabilidade tanto para instituições quanto para estudantes.
Para o Dr. Anis Mitri, presidente da AHOSP, a qualidade de um curso de Medicina é um conjunto complexo que envolve corpo docente, infraestrutura, pesquisa e prática hospitalar. "Reduzir a formação médica a uma única prova significa ignorar elementos estruturais fundamentais para a qualidade do ensino", afirma o médico, destacando que decisões apressadas comprometem o tempo de adaptação de todo o ecossistema de saúde.
Um dos pontos mais polêmicos levantados pela associação é a divulgação tardia dos parâmetros de proficiência e da metodologia de cálculo das notas, que só foram tornados públicos após a aplicação do exame. Segundo a AHOSP, avaliar instituições por critérios que não eram conhecidos no momento da prova fere princípios básicos de previsibilidade e segurança jurídica.
Inconsistências nas notas: Alterações posteriores na nota de corte e anulação de questões.
Diferenças de formação: Disparidades no tempo de curso entre os estudantes avaliados.
Centralização excessiva: O uso de um único indicador em desacordo com os princípios do SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior).
A AHOSP reforça que não é contra a existência de exames nacionais, mas exige que o debate seja conduzido com transparência e diálogo. A entidade defende que a confiança no sistema avaliativo é essencial para que a sociedade tenha segurança na competência dos futuros médicos.
"Avaliar é indispensável, mas avaliar bem exige método e respeito a todos os envolvidos", conclui Dr. Anis Mitri. A associação agora busca ampliar a participação de entidades médicas e órgãos reguladores no debate para garantir que o ENAMED não se torne apenas um índice burocrático, mas uma ferramenta real de melhoria assistencial.
Palavras-Chave: ENAMED avaliação médica, formação de médicos Brasil, AHOSP ensino superior.