
A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL), figura central do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), articula um novo passo em sua trajetória política para as eleições de 2026: a disputa por uma cadeira no Senado Federal. Conhecida por ter liderado o primeiro mandato coletivo da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em 2018 e por ser a primeira representante do MTST na Câmara do Recife, Jô agora foca no pioneirismo de se tornar a primeira mulher negra senadora pelo estado.
Em entrevista recente, a parlamentar sublinhou que sua pré-candidatura faz parte de um movimento nacional para ocupar espaços de decisão com perfis que venham das periferias e dos movimentos sociais. Para ela, a renovação no Legislativo Federal é urgente diante do que classifica como um "Congresso inimigo do povo", referindo-se ao avanço de pautas conservadoras.
Jô Cavalcanti argumenta que a presença de mulheres negras no parlamento é frequentemente subjugada, o que torna ainda mais estratégico o fortalecimento de nomes progressistas. Ela cita a importância de candidaturas aliadas, como a de Rosa Amorim (atualmente deputada estadual pelo PT) para a Câmara Federal, como parte de um esforço conjunto para mudar a face da política nacional.
"Nós, mulheres negras, somos retiradas dos papéis de decisão. Por isso é tão importante fortalecermos essa movimentação nacional de mulheres na política", afirmou Cavalcanti.
No contexto estadual, Jô encara a disputa com pragmatismo, especialmente diante da provável busca pela reeleição do atual senador Humberto Costa (PT). Embora ambos integrem o campo de apoio ao governo do presidente Lula, a vereadora defende que sua candidatura oferece uma alternativa necessária à esquerda.
Para a pré-candidata, o diferencial de seu nome reside em:
Enegrecimento da política: Levar para o Senado a vivência da população negra e periférica.
Origem nos movimentos sociais: Uma trajetória pautada pela luta por moradia e direitos básicos.
Voz dos territórios: Representar quem "sentiu a dor nos próprios territórios", oferecendo uma perspectiva de classe e raça que, segundo ela, ainda é sub-representada no Senado.
A estratégia de Jô Cavalcanti reforça o debate sobre a diversidade nas instâncias de poder e a necessidade de parlamentares que sustentem e ampliem as políticas públicas do Poder Executivo sob uma ótica popular e antirracista.
Com informações: Brasil de Fato