
Dois arqueólogos voluntários descobriram, na primavera de 2025, duas das moedas celtas mais antigas já registradas na Suíça. As peças de ouro, cunhadas por volta de meados do século III a.C., foram localizadas no pântano de Bärenfels, perto do município de Arisdorf. De acordo com o departamento de arqueologia local, o achado faz parte de um grupo seleto de pouco mais de 20 exemplares desse tipo conhecidos no país.
As moedas são classificadas como um "stater" (7,8 gramas) e um "quarto de stater" (1,86 gramas). O design das peças foi inspirado nas moedas de ouro de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande. Os celtas, que atuavam como mercenários e recebiam pagamentos em moedas gregas, passaram a imitar os modelos originais, incorporando elementos próprios, como o tríscele — um símbolo de espiral tripla típico da arte celta.
Especialistas acreditam que as moedas não eram utilizadas em transações comerciais cotidianas devido ao seu altíssimo valor. Em vez disso, eram destinadas a pagamentos de salários, dotes, presentes diplomáticos ou, como sugere o local da descoberta, oferendas religiosas. O pântano de Bärenfels, com seus buracos cheios de água, era considerado um local sagrado pelos celtas, que costumavam depositar objetos valiosos nesses ambientes como tributo às divindades.
A descoberta ocorreu após investigações de acompanhamento na área, onde outras 34 moedas de prata já haviam sido encontradas entre 2022 e 2023. A precisão dos voluntários Wolfgang Niederberger e Daniel Mona permitiu o resgate desses tesouros que ajudam a contar a história da influência grega sobre as tribos da Europa Central.
As raridades de ouro serão exibidas ao público em uma vitrine especial na cidade de Basileia. A exposição, que também contará com as moedas de prata encontradas anteriormente no mesmo local, está prevista para ser inaugurada em março de 2026.
Com informações: Live Science e Archaeology Baselland.