
No auge do calor de fevereiro, a imagem de uma bebida transbordando gelo ou um sorvete bem frio parece o paraíso para qualquer folião. No entanto, o alívio imediato pode esconder uma armadilha para a saúde. Segundo a Dra. Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, o choque térmico provocado por líquidos em baixíssimas temperaturas pode "congelar" as defesas do sistema respiratório.
A explicação é biológica: os tecidos da garganta e do nariz são revestidos por pequenos cílios que filtram impurezas e microrganismos. "Esse conflito entre altas e baixas temperaturas acaba paralisando esses cílios. Quando esse mecanismo de defesa deixa de funcionar, o acúmulo de sujeira e secreção aumenta, favorecendo que bactérias ataquem a mucosa", alerta a médica.
O resultado desse processo costuma aparecer horas depois ou no dia seguinte à folia. Os quadros mais comuns são:
Faringite e Amigdalite: Inflamações que causam dor intensa e dificuldade ao engolir.
Rouquidão: Afeta diretamente quem está abusando da voz nos blocos e trios.
Irritação por Álcool: O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, além do choque térmico, causa o ressecamento da mucosa e pode provocar refluxo, irritando ainda mais a região da orofaringe.
Para não precisar interromper a festa por causa de uma dor de garganta, a Dra. Cristiane lista recomendações essenciais:
Intercale com água: Beba pelo menos dois litros de água em temperatura ambiente ao longo do dia. Isso mantém as mucosas hidratadas e resistentes.
Evite o "extremo": Tente não ingerir líquidos imediatamente retirados do freezer. Aguardar alguns instantes para que a temperatura suba levemente reduz o impacto do choque térmico.
Alimentação leve: Priorize frutas e vegetais frescos, que ajudam a fortalecer o sistema imunológico contra as bactérias oportunistas.
Cuidado com o Ar-condicionado: Ao chegar em casa, evite o choque térmico direto e certifique-se de que os filtros do aparelho estão limpos para não respirar poeira e ácaros acumulados.
Muitas vezes, a dor de garganta no Carnaval é confundida com o simples cansaço de gritar e cantar. No entanto, se houver febre ou placas de pus, a automedicação deve ser evitada. O repouso e a hidratação são os primeiros passos, mas a avaliação médica é indispensável se os sintomas persistirem, especialmente para evitar que uma simples inflamação se torne uma infecção bacteriana mais séria.
Palavras-Chave: dor de garganta carnaval, choque térmico bebidas geladas, saúde do folião 2026.