
O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), defendeu a participação do Poder Legislativo na decisão de compra do ativo. “No meu entendimento, esse processo tem que passar pela Câmara Legislativa, até para dar mais transparência e segurança ao processo. A CLDF cumprirá o seu dever”, garantiu.Gabriel Magno (PT) também fez críticas à operação de compra. “A Lei Orgânica não permite essa compra e também exige expressamente autorização legislativa. O BTG, que é o banco da turma da Faria Lima, quis comprar o Master por R$ 1 real, mas o BRB quer pagar R$ 2 bilhões. Isso é um escândalo que pode se tornar o maior da história do DF”, alertou. O distrital também informou que está tomando as medidas cabíveis para barrar a operação. “Estamos entrando agora com uma representação no TCDF pedindo a suspensão imediata de todos os atos administrativos, financeiros e contábeis desta escandalosa operação de compra do Banco Master. Também protocolamos pedidos de investigação na Comissão de Valores Mobiliários, no Banco Central e no Ministério Público Federal”, afirmou. Para o deputado Max Maciel (Psol), o valor desembolsado pelo BRB para a compra do Master poderia ser utilizado para desenvolver o DF. “Com R$ 2 bilhões faríamos 222 escolas, 13 hospitais, 155 UPAs, 370 terminais rodoviários, tarifa zero irrestrita, 15 novos trens do Metrô-DF, poderíamos construir o BRT Norte, nomearíamos 1.800 enfermeiros e 6.000 técnicos de enfermagem. Poderíamos fazer um debate para que o BRB ajude no desenvolvimento do DF. Esta Casa tem legitimidade para debater os rumos do BRB”, observou. Paula Belmonte (Cidadania) reforçou a importância de se ouvir o presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, que virá à CLDF na próxima segunda-feira (7) para explicar a operação aos parlamentares. “Protocolamos um requerimento para que o presidente do BRB venha dar uma satisfação para nós deputados. Fico muito feliz que ele tenha aceitado, mas vamos ser duros sim no cuidado com o BRB. Também pedimos para a procuradoria fazer um parecer a respeito da necessidade de autorização legislativa para esta transação. Estamos atentos e vamos acompanhar tudo o que está acontecendo no BRB”, garantiu a deputada. O deputado Fábio Félix (Psol) levantou suspeitas sobre o real motivo da operação. “Essa é uma operação nebulosa que não se sabe se estava no plano de negócios do BRB. Todos que operam no mercado financeiro dizem que essa operação é um esquema. O BRB vai estatizar a dívida e ajudar o banqueiro dono do Master. O BRB vai pagar pelas ações, mas as operações vão continuar sendo tocadas pelo banqueiro. Nós queremos informações sobre isso. A imprensa deu que o BTG estava negociando a compra do Master por R$ 1. A Caixa Econômica Federal se negou a comprar esse banco por pareceres de seus especialistas internos. Não pode haver uma operação de R$ 2 bilhões sem que a CLDF seja chamada para conversar. Quem tem que dar a palavra final é o povo do DF por meio de suas representações”, frisou. Governo O líder do governo na Casa, deputado Hermeto (MDB), garantiu que a operação de compra ainda não foi concretizada e pediu paciência aos colegas para que o presidente do BRB possa explicar a medida. “Conversei com o presidente do BRB e ele disse que não tem nada concluído. O que houve até agora foi uma votação no conselho do BRB. Ele vai vir aqui na segunda-feira (7) para esmiuçar toda essa história. Vai colocar tudo abertamente para Brasília toda ver. Não foi nada concluído ainda. O presidente do BRB não é louco de fazer uma coisa dessas abruptamente. O banco só progrediu e aumentou seu capital desde que Ibaneis assumiu. Antes do Ibaneis, ninguém conhecia o BRB. Hoje o Brasil inteiro conhece o nosso banco. Na segunda-feira ele estará aqui para mostrar claramente que transação é essa”, garantiu Hermeto.
*Agência CLDF