
Um registro impressionante realizado em dezembro de 2025 revelou o Telescópio Espacial Hubble cruzando a superfície do Sol. Capturado pelo astrofotógrafo Efrain Morales, na cidade de Aguadilla, em Porto Rico, o vídeo mostra a silhueta do observatório — que orbita a Terra a 547 quilômetros de altitude — passando rapidamente diante da mancha solar AR4308. O evento foi extremamente fugaz, durando apenas 1,01 segundo do ponto de vista do observador, o que exigiu um planejamento técnico rigoroso para não perder o momento exato do trânsito.
A dificuldade da captura reside no tamanho reduzido do Hubble e na velocidade de seu deslocamento. Com cerca de 13 metros de comprimento, o telescópio é dez vezes menor que a Estação Espacial Internacional (ISS), tornando sua identificação contra o brilho solar um desafio considerável. Além disso, o alinhamento só pôde ser observado dentro de um corredor terrestre estreito, de apenas 7,54 quilômetros de largura, evidenciando que qualquer erro de posicionamento geográfico tornaria o registro impossível.

O sucesso da filmagem dependeu de uma combinação de softwares de precisão e hardware avançado:
Precisão Geográfica: O astrofotógrafo precisou se posicionar exatamente dentro da faixa de visibilidade calculada para o trânsito.
Equipamentos de Ponta: Foi utilizado um telescópio solar Lunt LS50THa e uma câmera ASI CMOS de alta taxa de quadros (frames por segundo), essencial para congelar o movimento a 27 mil km/h.
Segurança Solar: O registro utilizou filtros especializados para observação segura, reforçando que nunca se deve apontar equipamentos para o Sol sem proteção adequada.
Comparação com a ISS: Devido ao seu tamanho diminuto, o trânsito do Hubble é considerado muito mais complexo de fotografar do que o da Estação Espacial Internacional.
Lançado em 1990, o Hubble completa uma volta ao redor da Terra a cada 95 minutos. Embora o telescópio seja conhecido pelas imagens profundas do universo, registros feitos a partir da Terra, como o trânsito solar, ajudam a ilustrar a escala e a velocidade dos objetos produzidos pelo homem em órbita baixa. O vídeo de Morales não apenas documenta um evento raro, mas serve como um testemunho da evolução da astrofotografia amadora, que agora alcança níveis de precisão antes restritos a grandes agências espaciais.
Com informações: Olhar Digital