
Uma nova classe de fenômenos espaciais, apelidada pelos pesquisadores de "galáxias ornitorrincos", tornou-se o mais recente enigma da astronomia moderna. Os objetos foram apresentados pela equipe liderada por Haojing Yan, da Universidade de Missouri, durante a reunião da Sociedade Astronômica Americana. Assim como o animal que lhes dá o nome — um mamífero que põe ovos e possui bico —, essas galáxias exibem traços que, segundo a ciência atual, não deveriam coexistir: são pequenas e compactas, mas não possuem buracos negros ativos, apesar de emitirem sinais de energia incomuns.
A descoberta foi possível graças aos dados de arquivo do Telescópio Espacial James Webb (JWST). Ao analisar o espectro de luz desses nove objetos, os cientistas notaram que eles não se encaixam na categoria de quasares, pois o gás em seu interior move-se de forma lenta, resultando em linhas espectrais estreitas e nítidas. Por outro lado, elas também não se parecem com galáxias comuns de formação estelar, já que sua estrutura é extremamente densa e pontual, desafiando a resolução sem precedentes do James Webb.
Os pesquisadores destacam três pontos fundamentais que tornam esses objetos únicos:
Espectro Incomum: Diferente dos quasares, que possuem linhas de emissão largas devido ao movimento caótico de gases ao redor de buracos negros, as "ornitorrincos" possuem sinais nítidos e estreitos.
Compactação Extrema: Mesmo com o alto poder de resolução do JWST, essas galáxias aparecem como pontos minúsculos, indicando que são blocos de construção primordiais do universo.
Ausência de Buracos Negros Ativos: Não há evidências de que esses objetos hospedem buracos negros supermassivos em atividade, o que abre espaço para novas teorias sobre como a luz galáctica é gerada no início dos tempos.
Para a equipe de Yan, essas galáxias podem representar um estágio de evolução nunca antes visto, ocorrendo antes das fusões caóticas que formaram as grandes galáxias que conhecemos hoje. A grande questão agora é se as galáxias podem começar sua formação de maneira "silenciosa" e compacta como esses blocos de construção sugerem. Com a previsão de que o James Webb opere por pelo menos mais 15 anos, a expectativa é que novas amostras sejam identificadas para desvendar se esses ornitorrincos cósmicos são a regra ou a exceção no universo primitivo.
Com informações: Live Science