
Desde que o Telescópio Espacial James Webb (JWST) iniciou suas operações em 2022, astrônomos ficaram intrigados com a presença de "pequenos pontos vermelhos" no universo primitivo. Esses objetos desafiavam as teorias de evolução cósmica, pois pareciam possuir massa demais para o pouco tempo de existência do universo naquelas coordenadas. No entanto, um estudo publicado nesta quarta-feira (14 de janeiro) na revista Nature trouxe uma nova explicação: esses pontos são, na verdade, buracos negros supermassivos em fase de crescimento, envoltos em "casulos" de gás que ocultam suas emissões de raios X e rádio.
A pesquisa analisou o espectro de luz infravermelha de 30 desses objetos e revelou que o movimento acelerado do hidrogênio ao seu redor é uma evidência clara de núcleos galácticos ativos. Segundo Rodrigo Nemmen, astrofísico da Universidade de São Paulo (USP), as velocidades extremas observadas comprovam a presença de buracos negros "famintos" atraindo matéria. Com a nova interpretação de que o gás mascara o tamanho real dos objetos, os cientistas recalcularam suas massas e descobriram que eles são cerca de 100 vezes menores do que se supunha, o que finalmente os enquadra nos modelos padrão de evolução do cosmos.
A descoberta ajuda a preencher lacunas sobre como os gigantes espaciais se formam:
O Casulo Gasoso: Nuvens densas de gás retêm radiações de alta energia, explicando por que o JWST não detectava ondas de rádio ou raios X.
Massa Corrigida: Ao entender a interferência do gás, cientistas descobriram que esses objetos têm massas muito menores, compatíveis com a idade do universo primitivo.
Velocidades Extremas: O gás ao redor dos pontos move-se a milhares de quilômetros por segundo, atraído pela gravidade do núcleo central.
Evolução Cósmica: A confirmação desses "buracos negros bebês" valida as teorias de como galáxias e seus centros gravitacionais crescem ao longo de bilhões de anos.
A identificação desses objetos como jovens buracos negros supermassivos abre uma nova janela para o estudo da infância do universo. O desafio agora é determinar se essa fase de "casulo" é uma etapa comum para todos os buracos negros supermassivos ou se os pequenos pontos vermelhos representam uma classe rara de evolução. Pesquisadores pretendem usar o James Webb para observar centenas de outros candidatos, buscando assinaturas de luz que revelem como esses gigantes limpam o gás ao seu redor para se tornarem os quásares brilhantes que observamos em eras posteriores.
Com informações: Live Science e Nature