
Estudo utiliza dados de satélite e física de fluxo glacial para mapear montanhas e vales submersos, fundamentais para prever o aumento do nível do mar.
Cientistas alcançaram um feito histórico ao mapear a rocha subjacente à enorme camada de gelo da Antártida com uma precisão sem precedentes. O estudo, publicado na revista Science nesta quinta-feira (15 de janeiro), revelou uma paisagem complexa de montanhas, vales e bacias escondidos sob mais de 14 milhões de quilômetros quadrados de gelo. Até então, o interior do continente gelado era uma das superfícies menos conhecidas do sistema solar devido à dificuldade de realizar levantamentos terrestres e aéreos em condições tão extremas.
A nova cartografia foi possível graças à combinação de imagens de satélite de alta resolução com modelos físicos que analisam como o gelo flui sobre as irregularidades da rocha. Ao integrar essas medições, os pesquisadores conseguiram identificar estruturas de 2 a 30 quilômetros de extensão que antes eram invisíveis. Entre as descobertas estão canais de rios que se estendem por centenas de quilômetros — prováveis vestígios da paisagem antártica antes da glaciação — e vales profundos em regiões onde se acreditava haver apenas planície.
Um novo mapa das características ocultas sob o gelo da Antártica mostra o continente gelado com detalhes sem precedentes.

O mapeamento detalha o "esqueleto" do continente e sua influência no clima global:
Estruturas Ocultas: Revelação de colinas, cordilheiras e cadeias montanhosas inteiras anteriormente desconhecidas.
Limites Tectônicos: Identificação de transições acentuadas entre terras altas e baixas, sugerindo falhas e divisões de placas.
Canais Ancestrais: Evidências de sistemas fluviais antigos que agora servem como trilhos para o movimento das geleiras.
Dinâmica Glacial: O mapa permite observar como a topografia esculpe a superfície do gelo e orienta seu fluxo em direção ao oceano.
A importância deste estudo vai além da geologia pura. Como a paisagem rochosa determina a velocidade com que o gelo desliza para o mar, o novo mapa é uma ferramenta essencial para a climatologia. Com dados mais exatos sobre o relevo subaquático e subglacial, os cientistas podem aprimorar os modelos de derretimento causados pelo aquecimento global. Isso torna as projeções sobre o aumento do nível do mar muito mais precisas, permitindo que nações costeiras planejem melhor suas defesas contra as mudanças climáticas nas próximas décadas.
Com informações: Live Science e Science