
A compreensão humana sobre a evolução do cosmos acaba de ganhar um novo capítulo. Uma equipe de astrônomos liderada pela Universidade de Pittsburgh (UPitt) anunciou a descoberta da COSMOS-74706, a galáxia espiral barrada mais distante já confirmada espectroscopicamente. O achado foi apresentado em 8 de janeiro de 2026, durante a 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, e revela que estruturas galácticas complexas, como a da nossa Via Láctea, já existiam há mais de 11,5 bilhões de anos.
O diferencial desta descoberta reside na precisão. Enquanto candidatos anteriores dependiam de lentes gravitacionais (que podem distorcer a imagem) ou estimativas de desvio para o vermelho, a COSMOS-74706 teve sua idade validada por meio de espectroscopia utilizando o James Webb (JWST) e o Observatório Keck. Este método é o "padrão ouro" da astronomia, eliminando as incertezas de 10-15% comuns em outras medições e confirmando que a galáxia já possuía uma "barra" central de estrelas em uma época em que o Universo era muito jovem.
Na Sequência de Hubble, as galáxias evoluem de discos irregulares para formas mais organizadas. As barras centrais não são apenas estéticas; elas funcionam como motores galácticos:
Canalização de Gás: Elas transportam gás das bordas para o centro da galáxia.
Alimentação de Buracos Negros: Esse gás alimenta o buraco negro supermassivo central.
Regulação Estelar: As barras podem suprimir ou estimular a formação de novas estrelas em diferentes regiões do disco.
A existência de uma barra tão cedo sugere que as galáxias podem amadurecer muito mais rápido do que as teorias tradicionais previam. "É a galáxia espiral barrada confirmada espectroscopicamente com maior desvio para o vermelho já vista", afirmou Daniel Ivanov, líder do estudo.
A descoberta só foi possível graças à sensibilidade infravermelha de instrumentos de última geração, que conseguem "enxergar" através da poeira cósmica e do tempo.
| Instrumento | Função no Estudo |
| James Webb (JWST) | Captura inicial da morfologia e luz infravermelha profunda. |
| MOSFIRE (Telescópio Keck) | Confirmação espectroscópica definitiva da idade e distância. |
| Simulações de Supercomputadores | Comparação dos dados observados com modelos de formação galáctica. |
Esta descoberta ajuda os cientistas a refinar os modelos de formação e evolução galáctica, indicando que o "amanhecer cósmico" foi um período de atividade estrutural muito mais intenso e organizado do que se imaginava anteriormente.
Com informações: Live Science / Universe Today