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Instrutor de Taguatinga usa o skate para transformar vidas após o crime

Instrutor de Taguatinga usa o skate para transformar vidas após o crime

Redação
Por: Redação
21/01/2026 às 19h00 Atualizada em 21/01/2026 às 22h00
Instrutor de Taguatinga usa o skate para transformar vidas após o crime
Foto: Reprodução
Robson Oliveira lidera projeto voluntário que oferece disciplina e esperança para crianças vulneráveis no DF, apesar da falta de recursos e patrocínios

Todas as tardes, as ruas de Taguatinga tornam-se palco de uma lição que vai muito além das manobras esportivas. Sob a liderança de Robson Diego de Menezes Oliveira, de 43 anos, um grupo de crianças se reúne para aprender a filosofia do skate. O projeto, batizado de Brasil Skate School, nasceu em 2019 com uma premissa clara: oferecer aos jovens da periferia as oportunidades que o próprio Robson não teve em sua juventude, utilizando o esporte como um escudo contra a criminalidade e o isolamento social.

O trabalho é realizado de forma estritamente voluntária e enfrenta desafios estruturais severos. Sem CNPJ, apoio do poder público ou patrocínios fixos, o instrutor utiliza o pouco tempo livre após o expediente como auxiliar de limpeza no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) para se dedicar aos alunos. Com um estoque limitado de apenas três skates para atender todo o grupo, Robson ensina que o compartilhamento e a paciência são tão fundamentais quanto o equilíbrio sobre as quatro rodinhas.

A trajetória de Robson é marcada por quedas reais e superações profundas. Criado em um ambiente de vulnerabilidade, ele viveu o ciclo da criminalidade e do tráfico de drogas, chegando a ser detido e preso na Papuda em diferentes ocasiões. Foi no sistema penitenciário, através da leitura e da reflexão, que ele decidiu mudar de rota. "O skate me deu a vida", afirma ele, destacando que a ferramenta de transformação que ele oferece hoje é a mesma que o resgatou do abismo em seus momentos mais sombrios.

No vídeo a seguir, Robson Oliveira relata detalhes de sua jornada de redenção e explica como o projeto sobrevive à base de solidariedade e resistência nas praças do Distrito Federal.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=wnjfZVbWTH0[/embed]

A resiliência do projeto foi testada durante a pandemia de Covid-19, quando o distanciamento social levou ao encerramento temporário das atividades em oito cidades do DF. Robson chegou a sofrer uma recaída, mas retornou com força total após sua última soltura em 2023. Agora, ele foca na disciplina e no respeito mútuo, agindo como um mentor que orienta as crianças a não buscarem no crime um escape para as dificuldades financeiras, enfatizando que a verdadeira vitória não está em bens materiais, mas na integridade.

A rede de apoio atual conta com figuras como Hugo, um amigo deficiente físico que se encantou com a iniciativa ao ver Robson ensinando na vizinhança. Juntos, eles buscam sensibilizar doadores e lojas especializadas para que o projeto consiga mais equipamentos. A isonomia do atendimento é prioridade: qualquer criança, independentemente da condição financeira, pode participar das aulas, desde que respeite as regras de convivência e dedicação estabelecidas pelo instrutor.

Para os especialistas em segurança pública e pedagogia, iniciativas como a de Robson são vitais para preencher lacunas deixadas pelo Estado. Ao oferecer um ambiente afetuoso e disciplinado, o projeto atua na prevenção primária da violência, mostrando aos jovens que existem caminhos alternativos através da cultura urbana. O impacto humanizado é visível no brilho dos olhos dos pequenos skatistas de Taguatinga, que aprendem a se levantar após cada queda, seja no asfalto ou na vida.

Robson permanece firme em sua missão, consciente de que a falta de estrutura formal é um obstáculo, mas não um impedimento. Para ele, a "centelha de felicidade" despertada ao ajudar o próximo não depende de validação externa ou de burocracias. A resistência demonstrada por este jornalista do esporte de rua é um convite à reflexão sobre como o apoio comunitário pode ser o diferencial para mudar o destino de centenas de jovens brasilienses.


*Com informações: Jornal de Brasília e Agência UniCeub

 
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