
Jones Manoel, uma das vozes mais influentes da esquerda radical no Brasil, confirmou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026. A estratégia envolve uma filiação democrática ao PSOL, já que seu partido de origem, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), ainda não possui registro formal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Jones busca quebrar um jejum de 40 anos sem um representante assumidamente comunista no Congresso Nacional.
Natural da favela da Borborema, em Recife, o historiador de 36 anos consolidou sua imagem através da internet, utilizando o YouTube e podcasts para "agitar e propagar" o marxismo-leninismo. Na entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, ele revela que sua vontade inicial era disputar a presidência para pautar temas antissistêmicos, mas foi convencido pela tática do PCBR de focar no Legislativo para "organizar a classe e fazer denúncias" de dentro das instituições.
Jones Manoel aponta que sua atuação no Congresso focará em reformas estruturais que, segundo ele, são ignoradas pelo debate tradicional entre "petistas e bolsonaristas":
Relações de Trabalho: Crítica à precarização e à falta de perspectiva de aposentadoria, defendendo a redução da jornada e o aumento real de salários.
Soberania dos Recursos Naturais: Defesa do controle nacional sobre o petróleo e as reservas de terras raras, questionando por que o Brasil, sendo autossuficiente, paga preços internacionais em combustíveis.
Qualidade dos Serviços Públicos: Defesa do SUS e da educação pública com foco na ampliação quantitativa e qualitativa, visando retirar a classe trabalhadora da dependência dos planos de saúde privados.
Para Jones, a ausência de uma candidatura de esquerda radical à presidência em 2026 é um erro estratégico que entrega o debate ideológico para a direita.
Polarização Limitada: Ele argumenta que o atual governo pratica uma política de "austeridade neoliberal" que fortalece o fascismo ao não resolver problemas estruturais.
Hegemonia da Direita: Jones alerta que a presença de múltiplos candidatos de direita (Zema, Caiado, Tarcísio) normaliza discursos extremos, fazendo com que candidatos moderados pareçam a única alternativa viável à esquerda.
Big Techs: O candidato relatou a exclusão de suas contas na Meta (Instagram/Facebook) como uma prova do caráter político dos algoritmos, que teriam predisposição a circular conteúdos de direita.
Questionado sobre como o eleitor deve se preparar para o próximo ano, Jones reforçou que "a direita trabalha com memes e fake news", enquanto a esquerda precisa de densidade teórica para transformar a realidade.
| Obra Recomendada | Autor | Tema Central |
| A Ordem do Capital | Clara Mattei | Como a austeridade econômica pavimenta o caminho para o fascismo. |
| A Dialética Radical do Brasil Negro | Clóvis Moura | A questão racial na formação do capitalismo dependente brasileiro. |