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Mobilidade no DF: Audiência Pública discute novos planos de transporte para 2026

Mobilidade no DF: Audiência Pública discute novos planos de transporte para 2026

Redação
Por: Redação
25/01/2026 às 23h57 Atualizada em 26/01/2026 às 02h57
Mobilidade no DF: Audiência Pública discute novos planos de transporte para 2026
Foto: Reprodução
A atualização do PDTU e a criação do PMUS avançam com a participação popular, prevendo a expansão de ciclovias, corredores de BRT e ampliação do metrô para melhorar o transporte público no DF.

A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) realizou, no último sábado (24), a terceira audiência pública voltada à atualização do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e à elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS). O encontro, ocorrido na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), serviu como palco para que usuários do sistema de transporte coletivo e representantes de entidades civis apresentassem sugestões que visam reestruturar o deslocamento na capital federal e nas regiões administrativas.

Segundo o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, a participação social é o pilar central para que o projeto final reflita as reais necessidades da população. Até o momento, o processo consultivo já contabiliza mais de quatro mil contribuições da sociedade civil. Essas sugestões foram colhidas não apenas nas audiências, mas também em oficinas presenciais realizadas em diversas regiões administrativas e por meio de consultas online. O objetivo é que o PDTU e o PMUS sejam unificados em um texto único, que deverá ser encaminhado para votação na CLDF ainda em 2026.

Ações para modos ativos e micromobilidade

Um dos pontos de maior destaque nas propostas apresentadas pela equipe técnica diz respeito aos modos ativos de transporte. O plano prevê um investimento robusto na infraestrutura voltada a ciclistas e pedestres. Entre as metas estabelecidas, destaca-se a implementação de 847 km de novas ciclovias, além de 175 km de ciclofaixas e 28 km de ciclorrotas. A ideia é criar uma rede conectada que permita o uso da bicicleta como transporte principal ou complementar ao sistema de ônibus e metrô.

Além da malha viária, o projeto contempla a instalação de paraciclos em pontos estratégicos, como estações de metrô, terminais de BRT e paradas de ônibus. A micromobilidade elétrica e a reforma de travessias subterrâneas também constam no escopo de ações para tornar o trânsito mais humano e acessível. A intenção é reduzir a dependência de veículos motorizados individuais, promovendo um ambiente urbano mais sustentável e menos congestionado.

Zonas de velocidade reduzida e acessibilidade

O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) introduz conceitos modernos de urbanismo, como a criação das "Zonas 30". Nessas áreas, localizadas prioritariamente em zonas residenciais e próximas a escolas e hospitais, a velocidade máxima permitida será de 30 km/h. O objetivo é reduzir drasticamente o risco de atropelamentos e acidentes graves, garantindo a segurança de crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Outra inovação apresentada é o modelo de "Ruas Completas". Nessas vias, o espaço urbano é redistribuído de forma equilibrada entre ônibus, ciclistas e pedestres, com a velocidade máxima limitada a 50 km/h. Segundo a engenheira Fernanda Malon, do Labtrans, a Avenida Hélio Prates, em Ceilândia, é um dos exemplos de locais que receberão esse tratamento, incluindo a instalação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e travessias elevadas para facilitar o fluxo de pessoas.

Grandes obras e integração regional

Para o sistema de transporte coletivo, o PDTU desenhou cenários que contemplam obras estruturantes de grande impacto. Estão previstos projetos como o BRT Norte, BRT Leste e o Anel BRT do Plano Piloto, além da ampliação da linha do metrô e a implementação de sistemas de VLT em regiões densamente povoadas como Taguatinga e Ceilândia. Ao todo, as propostas somam mais de 300 km de novas vias dedicadas ao transporte público, sendo uma parcela significativa destinada ao modal ferroviário.

A integração com o Entorno do Distrito Federal também foi pautada, com a previsão de trens regionais que facilitariam o deslocamento diário de milhares de trabalhadores. O plano inclui ainda a construção de uma nova ponte sobre o Lago Paranoá e um acesso inédito para a região de São Sebastião, visando desafogar os gargalos atuais de trânsito nas saídas sul e leste de Brasília.

Necessidade de apoio institucional e jurídico

Apesar do otimismo com o avanço técnico, representantes de movimentos sociais alertam para os desafios da execução. Wesley Ferro, secretário-executivo do Instituto Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT), destacou que o plano precisa de um respaldo jurídico e político sólido. Ele ressaltou que decisões judiciais e falta de articulação entre os poderes podem atrasar obras vitais, como os corredores exclusivos de ônibus.

A Semob-DF reforçou que continuará o diálogo com a sociedade e que a próxima etapa será a discussão específica do projeto de lei que dará base legal a todas as mudanças propostas. A expectativa é que, com a unificação dos planos, o Distrito Federal consiga estabelecer uma política de estado para a mobilidade que ultrapasse gestões governamentais e foque na eficiência do transporte de massa.


Com informações: Agência Brasília, Jornal de Brasília

 
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