
O Teatro Levino de Alcântara, na Escola de Música de Brasília (EMB), foi palco do encerramento oficial da 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebra) na última sexta-feira (23). O evento, que se estendeu até este sábado (24), marcou a conclusão de um dos maiores projetos de educação musical da América Latina, reunindo apresentações da Banda Sinfônica e recitais de canto erudito em uma celebração que lotou as dependências da instituição pública.
Promovido pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), o Civebra 2026 registrou a marca de quase 3 mil inscritos, oferecendo formação gratuita para músicos de diversos níveis técnicos. Durante todo o mês de janeiro, a EMB operou em regime intensivo, com aulas nos três turnos, transformando-se em um polo de intercâmbio entre estudantes locais e professores de renome internacional. Nesta edição, a programação homenageou dois ícones da história da música: o compositor espanhol Manuel de Falla, na vertente erudita, e o trompetista norte-americano Miles Davis, na vertente popular.
Além do aperfeiçoamento técnico, o Civebra reafirmou sua função como ferramenta de democratização cultural. Como unidade da rede pública de ensino, a Escola de Música de Brasília possibilita que a comunidade não apenas consuma arte, mas também se torne protagonista da produção musical. Esse movimento gera um impacto direto na economia criativa do Distrito Federal, preparando novos talentos para o mercado de trabalho profissional e movimentando setores como hotelaria e serviços com a chegada de participantes de outros estados e países.
Jean Figueiredo, representante da SEEDF, enfatizou durante o evento que o curso já é considerado um patrimônio imaterial da capital federal. Para a gestão educacional, o investimento de aproximadamente R$ 1,7 milhão nesta edição reflete o compromisso em manter Brasília como um destino de referência para o estudo musical global. A integração entre a prática pedagógica e as apresentações abertas ao público fortalece o vínculo da escola com a sociedade civil.
A estrutura do 47º Civebra permitiu que alunos de diferentes idades e backgrounds compartilhassem o mesmo espaço. Luís Mário, participante do curso de Big Band focado em arranjos de jazz, descreveu a experiência como transformadora, destacando que o convívio com músicos de alta performance eleva o nível técnico de todos os envolvidos. O ambiente colaborativo é uma das marcas registradas do curso, que prioriza a prática de conjunto.
A relevância do evento também foi destacada pela Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto, que ressaltou a singularidade da EMB no cenário educacional do DF. A musicalização é vista como um componente essencial na formação cidadã, oferecendo perspectivas de futuro e inclusão social para jovens da rede pública que buscam na música uma carreira ou um meio de expressão.
Para muitas famílias, o encerramento do Civebra representa a culminação de anos de incentivo. Wilton César Moreira, pai de Caio César, aluno de percussão erudita, expressou orgulho ao ver o filho no palco. O relato de Wilton reflete o impacto intergeracional da escola: músico amador de cavaquinho, ele revelou que o sucesso do filho reacendeu seu próprio desejo de ingressar formalmente nos estudos musicais na EMB, reforçando que o aprendizado não tem limite de idade.
O evento também atraiu um público diversificado, incluindo pessoas que nunca haviam assistido a uma orquestra presencialmente. Espectadores como Luiz Eduardo Guerra defenderam a importância do apoio governamental a instituições de ensino musical gratuito. Segundo ele, em um país onde a cultura muitas vezes carece de incentivo, a existência de um curso da magnitude do Civebra é fundamental para valorizar gêneros que vão da música clássica à Bossa Nova e ao Blues.
Com informações: Secretaria de Educação do DF, Agência Brasília, Política Distrital