
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) segue como a principal causa de morte no Brasil, superando inclusive os óbitos por infarto. Dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil revelam um cenário alarmante: entre os dias 1º e 7 de janeiro de 2026, o país registrou 656 mortes por AVC — uma média de um óbito a cada 15 minutos.
O número é 27% superior às mortes por infarto no mesmo período (516). Essa tendência de letalidade do AVC já vinha se consolidando nos últimos anos, com 85.793 mortes em 2024 e mais de 64 mil registros apenas até outubro de 2025. Segundo a Rede Brasil AVC, o problema tem atingido cada vez mais jovens, que muitas vezes ignoram os fatores de risco por acreditarem estar imunes.
A rapidez no atendimento é o fator que define se o paciente terá uma recuperação plena ou sequelas permanentes. A Dra. Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, reforça que o uso da técnica SAMU (Sorriso, Abraço, Música e Urgência) pode salvar vidas:
S (Sorriso): Peça para a pessoa sorrir. Veja se um lado do rosto não se mexe.
A (Abraço): Peça para levantar os braços. Verifique se há perda de força em um dos lados.
M (Música/Mensagem): Peça para repetir uma frase simples. Note se a fala está enrolada ou confusa.
U (Urgência): Se notar qualquer um desses sinais, ligue para o 192 imediatamente.
[Image showing an infographic of the FAST/SAMU method to identify stroke symptoms]
O AVC pode ser Isquêmico (85% dos casos, causado por obstrução de vaso) ou Hemorrágico (rompimento de vaso). As sequelas dependem da área do cérebro afetada, mas as mais comuns incluem:
Paralisia ou fraqueza em um lado do corpo (rosto, braço ou perna);
Dificuldade de fala e compreensão;
Perda de visão ou memória;
Tontura e falta de equilíbrio.
A reabilitação deve começar nas primeiras 24 a 48 horas ainda no hospital, com fisioterapia e fonoaudiologia. No entanto, a prevenção primária e secundária (para evitar um segundo evento) é o caminho mais eficaz. A meta é manter a pressão arterial abaixo de 13/8, o colesterol LDL abaixo de 70 e a glicose controlada.
Mudar hábitos pode prevenir até 90% dos casos:
Parar de fumar e reduzir o consumo de álcool;
Praticar atividade física regularmente;
Manter uma alimentação saudável, com baixo teor de sal e gordura.
Fundada em 2008, a ONG trabalha para melhorar a assistência, pesquisa e educação sobre a doença no Brasil. Para mais informações e materiais educativos, acesse: www.redebrasilavc.org.br.
Com informações: Rede Brasil AVC, Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil