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Mistério no Adriático: Estudo sugere que tartarugas marinhas fugiram de terremoto há 80 milhões de anos

Mistério no Adriático: Estudo sugere que tartarugas marinhas fugiram de terremoto há 80 milhões de anos

Redação
Por: Redação
29/01/2026 às 16h00 Atualizada em 29/01/2026 às 19h00
Mistério no Adriático: Estudo sugere que tartarugas marinhas fugiram de terremoto há 80 milhões de anos
Foto: Reprodução
Alpinistas e geólogos descobrem centenas de rastros em face rochosa na Itália; evidências apontam para uma "debandada" pré-histórica preservada por uma avalanche subaquática de lama

Uma descoberta fascinante feita por alpinistas no Monte Cònero, na Itália, está abrindo uma janela única para o comportamento de répteis marinhos do Período Cretáceo. Sulcos profundos encontrados na face rochosa — que há 79 milhões de anos era o fundo do oceano — sugerem que um grupo de tartarugas marinhas fugiu desesperadamente de um terremoto.

A investigação, publicada na revista Cretaceous Research, foi liderada por Alessandro Montanari, do Observatório Geológico Coldigioco, após ser alertado por alpinistas que notaram padrões incomuns na rocha calcária conhecida como Scaglia Rossa.

O Cenário: Uma Avalanche que Congelou o Tempo

Para os pesquisadores, a preservação dessas trilhas é um "milagre" geológico. Normalmente, marcas deixadas no fundo do mar são apagadas em pouco tempo por correntes marinhas ou pela atividade de vermes e moluscos que "jardeiam" o sedimento.

Neste caso, o estudo indica que:

  1. O Evento Sísmico: Um forte terremoto sacudiu a região, que ficava a centenas de metros de profundidade.

  2. A Fuga: As tartarugas, sentindo as vibrações ou a instabilidade, começaram a nadar vigorosamente. Algumas pressionaram seus remos contra o fundo de lama para ganhar impulso em direção ao mar aberto ou profundezas maiores.

  3. O Soterramento: Apenas minutos após a fuga, o terremoto desencadeou uma avalanche subaquática de lama que cobriu os rastros instantaneamente, protegendo-os da erosão por milhões de anos até que forças tectônicas empurrassem esse antigo fundo do mar para o topo da montanha.

Debate Científico: Quem fez as marcas?

Embora a evidência geológica do terremoto e da avalanche seja sólida, a autoria das pegadas ainda gera debate entre paleontólogos:

  • A Favor das Tartarugas: Montanari e sua equipe acreditam que apenas vertebrados de grande porte, como as tartarugas marinhas (conhecidas por comportamentos sociais de nidificação ou alimentação), poderiam deixar esses sulcos paralelos.

  • O Questionamento: Michael Benton, professor da Universidade de Bristol, aponta que as tartarugas marinhas modernas nadam com um movimento de "voo subaquático" em forma de oito, que nem sempre toca o fundo de forma simétrica. Ele questiona por que os animais não simplesmente nadaram para cima, longe do chão, em vez de se empurrarem contra ele.

Importância da Descoberta

Independentemente do debate sobre a espécie exata — se tartarugas, plesiossauros ou mosassauros solitários — o local é considerado um tesouro paleontológico. Ele registra um momento preciso de pânico animal causado por um desastre natural há milhões de anos.

O geólogo Paolo Sandroni, que documentou o local com drones e análises de microfósseis, espera que a descoberta atraia especialistas em rastros fósseis (icnólogos) para decifrar exatamente como esses gigantes se moviam sob pressão extrema.


Com informações: Live Science, Cretaceous Research

 
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