
A cidade de Bagé torna-se hoje o epicentro do audiovisual gaúcho com o encerramento da 17ª Mostra Regional da Fronteira. O evento, que antecede o Festival Internacional de Cinema da Fronteira, selecionou 13 curtas-metragens que pintam um retrato fiel e urgente do Rio Grande do Sul em 2026.
A curadoria de Marizele Garcia priorizou filmes que nasceram da realidade social do estado, fugindo de clichês e abraçando a diversidade:
"Trapo" (João Chimendes - Uruguaiana): O grande favorito, vencedor em Gramado, que usa o olhar de um menino para transformar o cotidiano em fantasia, comparado pela crítica às invenções de Georges Méliès.
"Canção Imigrante" (C. Borges e P. Guindani - Porto Alegre): Um documentário musical que une músicos da Venezuela e da Costa do Marfim, mostrando como o som é a linguagem universal que acolhe quem chega ao RS.
"Quando começa a chover o coração bate mais forte" (Mirian Fichtner): Um registro sensível e necessário sobre as enchentes de maio de 2024, focado no trauma e na perda das populações periféricas.
"Roxo Lilás Violeta" (Theo Tajes): A história da Ocupação Mirabal em Porto Alegre, que serve de refúgio para mulheres vítimas de violência doméstica.
O Secretário de Cultura de Bagé, Zeca Brito, reforça que a mostra é um "espaço de escuta". A descentralização da produção é visível: dos 13 filmes, a maioria vem de cidades como Sant’Ana do Livramento, Pelotas, Capão da Canoa e Cachoeira do Sul, provando que o cinema gaúcho não pulsa apenas na capital.
O festival se destaca por ser um espaço onde realizadores e público debatem o "fazer cinematográfico". Muitos dos títulos exibidos são frutos de editais públicos, o que permitiu que histórias de comunidades negras, mulheres e imigrantes ganhassem a tela grande com alta qualidade técnica.
Com informações: Brasil de Fato / Associação de Críticos de Cinema do RS