
Um estudo rigoroso publicado na revista Nature Medicine em 9 de março de 2026 trouxe evidências sólidas sobre um hábito comum: o uso de multivitamínicos. A pesquisa revelou que tomar um suplemento diariamente pode retardar marcadores específicos do envelhecimento biológico em cerca de quatro meses ao longo de um período de dois anos.
Diferente da idade cronológica (contada pelo calendário), a idade biológica reflete o estado real das células e tecidos. Para medir isso, os cientistas utilizaram os "relógios epigenéticos", que analisam a metilação do DNA — padrões de etiquetas moleculares que mudam de forma previsível à medida que envelhecemos.
O estudo, liderado pelo epidemiologista Howard Sesso (Brigham and Women’s Hospital, Boston), analisou amostras de sangue de quase mil adultos saudáveis com média de 70 anos. Os principais achados foram:
Efeito em cascata: O suplemento retardou dois dos cinco "relógios" de DNA testados — justamente os que são indicadores de risco de mortalidade.
Benefício direcionado: O impacto foi significativamente maior em pessoas que já apresentavam um envelhecimento acelerado (cuja idade biológica era superior à cronológica antes do estudo).
Qualidade de vida: O objetivo não é apenas a longevidade, mas o "viver melhor". Segundo Sesso, a suplementação parece colocar o organismo em uma trajetória de saúde mais robusta.
Embora o efeito seja considerado pequeno em termos de tempo absoluto (4 meses em 24 meses), a consistência dos dados chamou a atenção da comunidade científica. Steve Horvath, um dos maiores especialistas mundiais em gerociência e criador de um dos relógios utilizados, classificou o estudo como uma das evidências mais críveis já produzidas sobre suplementos comuns.
"A apetite do público por saber se suplementos cotidianos podem genuinamente retardar o envelhecimento é enorme. Este estudo fornece provas concretas", afirma Horvath.
Apesar dos resultados promissores, os autores reforçam que o multivitamínico não substitui uma dieta equilibrada, mas pode atuar como uma rede de segurança nutricional, especialmente para idosos. A pesquisa abre caminho para entender como intervenções simples podem impactar o risco clínico de doenças relacionadas à idade a longo prazo.
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