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Cultura deve movimentar R$ 207 bi, mas favela ainda luta por espaço no mercado

Indústria de entretenimento cresce 5,7% ao ano no Brasil; projetos como o “Boca de Brasa” em Salvador surgem como pontes para profissionalizar talentos da periferia

Redação
Por: Redação Fonte: PwC Brasil / Instituto Data Favela / Fundação Gregório de Mattos (FGM) / Criativos
26/03/2026 às 12h00
Cultura deve movimentar R$ 207 bi, mas favela ainda luta por espaço no mercado

A indústria de Entretenimento e Mídia (E&M) no Brasil vive um momento de expansão acelerada. Segundo o relatório “Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2022-2026”, da PwC Brasil, o setor deve injetar cerca de R$ 207 bilhões (US$ 39,9 bilhões) na economia nacional até o final de 2026. Com um crescimento anual composto de 5,7%, o mercado abrange desde a publicidade e jogos até a música e as artes cênicas.

No entanto, o brilho das cifras contrasta com a realidade dos gargalos socioeconômicos. Embora as favelas brasileiras movimentem sozinhas cerca de R$ 300 bilhões por ano (dados do Instituto Data Favela), os artistas que nelas residem enfrentam dificuldades históricas para acessar cadeias de produção, formação qualificada e redes de distribuição.

O desafio da profissionalização na periferia

Para 24% dos moradores de favelas, o sonho é "trabalhar com o que gosta", mas a transição para o mercado profissional é árdua. O multiartista baiano ODILLON, primeiro rapper a vencer o prêmio de Melhor Intérprete Vocal no Festival da Educadora FM, relata que a virada de chave só acontece quando o talento encontra a gestão.

"A mudança veio após o ‘Boca de Brasa’, que trouxe um amadurecimento da visão profissional. Agora tenho o olhar para lidar com as situações burocráticas e organizacionais de uma carreira", conta o artista de Salvador.

Boca de Brasa: O motor da cultura soteropolitana

Em Salvador, a estratégia para reduzir esse abismo passa pelos Polos Criativos Boca de Brasa, da Fundação Gregório de Mattos (FGM). O programa funciona como um catalisador do ecossistema cultural, focando não apenas na arte, mas na capacitação de agentes.

  • Impacto em 2026: 500 novos artistas certificados e prontos para o mercado.

  • Rede: Mais de 2 mil agentes culturais articulados nos territórios.

  • Vitrines: Projetos que impulsionam nomes como Nega Fyah, Andrezza Santos e o Grupo de Teatro Jaé.

Para Fernando Guerreiro, presidente da FGM, o projeto apenas identifica e apoia o que já existe de mais potente: "É da periferia que nascem a identidade e os principais movimentos da cultura soteropolitana. O projeto cria condições para que mostrem seu trabalho no Brasil e no mundo".


Indústria Cultural / PwC Brasil / Boca de Brasa / Salvador / Periferia / Economia Criativa / Inclusão Social / Música / Teatro / Data Favela

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