
O cenário político do Rio de Janeiro sofreu uma nova reviravolta nesta sexta-feira (27). O deputado cassado e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso pela Polícia Federal em sua residência, em Teresópolis. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Unha e Carne.
Bacellar já havia sido detido em dezembro de 2025, mas respondia em liberdade sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, a nova decisão judicial aponta que a recente perda de seu mandato parlamentar e indícios de que ele estaria atuando para atrapalhar investigações justificam o retorno ao sistema prisional para a garantia da ordem pública.
A prisão atual está diretamente ligada a investigações que apuram o vazamento de informações sigilosas de operações policiais. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bacellar é acusado de repassar dados estratégicos sobre ações contra o Comando Vermelho para o então deputado TH Joias, que era o alvo principal da ofensiva.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes menciona que há evidências de que o investigado orientou terceiros a retirar provas e "esvaziar" locais que seriam alvos de busca e apreensão. A influência política de Bacellar, mesmo após a cassação, foi citada como um risco à continuidade das apurações relacionadas à ADPF 635 (conhecida como ADPF das Favelas).
O cerco contra o ex-presidente da Alerj se intensificou nesta semana, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a cassação de seu mandato. O motivo foi o envolvimento no escândalo da Ceperj, o mesmo caso que atingiu a chapa do ex-governador Cláudio Castro. Com a exclusão dos votos de Bacellar, o TRE-RJ realizará uma recontagem (retotalização) na próxima terça-feira (31), o que pode alterar a composição das cadeiras na Assembleia Legislativa.
Em nota, os advogados de defesa, Daniel Bialski e Roberto Podval, afirmaram desconhecer os motivos da nova ordem de prisão. A defesa sustenta que Bacellar vinha cumprindo rigorosamente todas as medidas cautelares impostas anteriormente e classificou a detenção como "indevida e desnecessária", prometendo recorrer da decisão imediatamente. Bacellar foi encaminhado ao presídio de Benfica, onde aguardará audiência de custódia.
-----------------------------------------------
Rodrigo Bacellar / Polícia Federal / Alerj / Alexandre de Moraes / Rio de Janeiro