
O tabuleiro político para a sucessão presidencial foi oficialmente montado no Palácio do Planalto. Em reunião ministerial realizada nesta terça-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), repetirá a dobradinha na chapa que buscará a reeleição. Com a decisão, Alckmin deixará o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para focar integralmente na campanha.
A movimentação faz parte de uma ampla reforma ministerial forçada pelo calendário eleitoral. Pela legislação, ocupantes de cargos no Executivo que pretendem se candidatar precisam se desincompatibilizar das funções até o dia 4 de abril (seis meses antes do pleito). No total, pelo menos 18 ministros devem deixar o primeiro escalão do governo nos próximos dias para disputar cargos no Senado, governos estaduais e Câmara Federal.
A saída mais emblemática é a de Fernando Haddad, que deixa o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo. Em seu lugar, assume o atual secretário-executivo, Dario Durigan, seguindo a estratégia de Lula de priorizar "soluções caseiras" para garantir a continuidade das políticas econômicas. Outros nomes fortes como Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente) e Rui Costa (Casa Civil) também se preparam para concorrer a vagas no Senado por seus respectivos estados.
A reforma também atinge ministérios de representatividade social. Anielle Franco (Igualdade Racial) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) devem buscar cadeiras na Câmara dos Deputados. No caso de Anielle, a meta é fortalecer a base governista no Rio de Janeiro, enquanto Sônia mira o eleitorado de São Paulo. De acordo com dados do TSE, a representatividade de grupos minoritários tem sido uma pauta crescente, e essas candidaturas visam consolidar essa tendência no Legislativo.
Para evitar a paralisia da gestão durante o período eleitoral, o presidente orientou que a maioria das substituições priorize os secretários-executivos. No entanto, alguns nomes ainda estão em fase de definição, como é o caso de Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), que avaliam se permanecem no governo para gerir crises setoriais ou se partem para a disputa eleitoral.
O marketing da campanha também já tem comando definido: Sidônio Palmeira, atual chefe da Secom, deixará o cargo no meio do ano para assumir novamente a comunicação da campanha de Lula. Com a chapa Lula-Alckmin selada, o governo agora corre contra o tempo para nomear os substitutos oficiais e garantir que o ritmo de entregas não seja prejudicado pelo clima de disputa partidária.
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