
Mais de 30% dos adultos sofrem com algum tipo de alergia ao redor do mundo, e esse número não para de crescer. A pergunta que intriga cientistas e pais é: nascemos com elas ou as adquirimos? Segundo o Dr. Derek Chu, especialista da Universidade McMaster, a resposta é uma combinação complexa de ambos os fatores. As alergias surgem quando o sistema imunológico entra em um estado de "desequilíbrio", confundindo substâncias inofensivas, como pólen ou amendoim, com invasores perigosos.
Estudos com gêmeos idênticos mostram que a genética tem um peso esmagador: se um gêmeo tem alergia, a chance de o outro ter o mesmo quadro chega a 95%. Em gêmeos fraternos, esse número cai para 37%. Um dos vilões genéticos mais conhecidos é o gene da filagrina (FLG). Mutações nesse gene enfraquecem a barreira de hidratação da pele, permitindo que alérgenos penetrem através de microfissuras. Quando um bebê com a pele ressecada encosta em restos de comida, o sistema imunológico pode ser "treinado" erroneamente para atacar aquele alimento.
Embora a genética forneça o "mapa", o ambiente é quem decide o destino. Cientistas defendem a Teoria da Higiene, que sugere que vivemos em ambientes limpos demais. Sem parasitas, bactérias e vírus para combater, nosso sistema imunológico acaba desenvolvendo células de defesa contra alergias em excesso. Bebês expostos a uma maior diversidade de micróbios ambientais tendem a desenvolver microbiomas intestinais e cutâneos mais robustos e tolerantes.
Outro fator crucial é a introdução alimentar. Antigamente, recomendava-se adiar o contato com alimentos alergênicos; hoje, a ciência prova o contrário. A exposição precoce e consistente a proteínas, como as do amendoim, ensina o corpo a tolerar a substância. "Se o sistema imunológico for exposto de forma inconsistente, ele não aprenderá a tolerar e poderá apresentar um comportamento inadequado", explica o Dr. Chu.
A imunologista Leah Kottyan, do Hospital Infantil de Cincinnati, reforça que ter os genes da alergia não é uma "sentença de prisão perpétua". Existem intervenções eficazes, como a imunoterapia, que podem recondicionar o corpo. Além disso, o método de parto e o uso de antibióticos nos primeiros anos de vida também influenciam na formação da microbiota do bebê, podendo aumentar ou diminuir os riscos.
Para os pais que desejam prevenir alergias nos filhos, as recomendações atuais são práticas: cuidar bem da pele da criança para evitar rachaduras e introduzir alérgenos comuns na dieta de forma precoce e frequente, sempre sob orientação médica. Entender que a genética não é determinística abre portas para uma geração de adultos muito mais resiliente a pólens, pelos de animais e alimentos que, antes, eram vistos como grandes ameaças.
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