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Fóssil de “verme de Duna” é achado em sítio raro na China

Descoberta da Biota de Jiangchuan revela criaturas complexas que viveram milhões de anos antes da Explosão Cambriana, mudando a cronologia da evolução

Por: Gutemberg Silva Fonte: Science / Universidade de Oxford / Live Science / Museu de História Natural
06/04/2026 às 15h00
Fóssil de “verme de Duna” é achado em sítio raro na China

Uma descoberta paleontológica no sudoeste da China está reescrevendo os primeiros capítulos da história da vida complexa na Terra. Cientistas identificaram um novo sítio fossilífero, batizado de Biota de Jiangchuan, que abriga mais de 700 espécimes de criaturas estranhas e sofisticadas. O achado é revolucionário porque data de 554 a 539 milhões de anos atrás — o final do período Ediacarano —, revelando que a complexidade animal surgiu muito antes da famosa Explosão Cambriana.

Entre os achados que mais chamaram a atenção dos pesquisadores da Universidade de Oxford está um animal bilateral semelhante a um verme que guarda uma semelhança impressionante com os colossais "vermes da areia" da franquia de ficção científica "Duna". "Um dos espécimes se parece muito com o verme da areia do filme", afirmou Frankie Dunn, pesquisadora do Museu de História Natural de Oxford. Embora em escala microscópica comparado ao cinema, o fóssil exibe uma organização corporal que desafia o que se sabia sobre os organismos daquela era.

A vida antes da explosão

Até então, o consenso científico ditava que a grande diversificação dos filos animais modernos havia ocorrido há cerca de 539 milhões de anos. No entanto, a Biota de Jiangchuan mostra que parentes de estrelas-do-mar, pepinos-do-mar e ctenóforos primitivos já utilizavam tentáculos complexos para capturar alimento milhões de anos antes. A coleção inclui animais que se fixavam ao fundo do mar e outros com peças bucais e intestinos visíveis, algo raríssimo para fósseis dessa idade.

A preservação desses tecidos moles foi possível graças a um processo conhecido como películas carbonáceas. Ao contrário de ossos ou conchas, que deixam marcas tridimensionais, esse método cria impressões planas e detalhadas da matéria orgânica na rocha. Segundo o paleobiólogo Luke Parry, a aparente ausência desses animais complexos em outros lugares do mundo pode ser apenas uma falha de preservação geológica, e não uma ausência biológica real.

Impacto na árvore da vida

A descoberta, detalhada na prestigiada revista Science em 2 de abril de 2026, sugere que a "árvore genealógica" dos animais modernos tem raízes muito mais profundas. Filos que incluem os cordados (e, consequentemente, os humanos) podem ter começado sua jornada evolutiva em um cenário muito mais populoso e diversificado do que os livros de biologia sugeriam. Jiangchuan funciona como um elo perdido entre os organismos simples e as formas de vida complexas do Fanerozoico.

Para a equipe de Oxford, ver esses espécimes pela primeira vez foi um choque. "Ficou claro que se tratava de algo totalmente único e inesperado", declarou Parry. Agora, os esforços se voltam para entender como essas comunidades evoluíram e por que o método de preservação de Jiangchuan é tão raro. O que se sabe é que o "deserto" do período Ediacarano era, na verdade, um oceano vibrante, habitado por criaturas que hoje parecem saídas diretamente das telas de cinema.

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Fósseis / China / Explosão Cambriana / Evolução / Biota de Jiangchuan

 

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