
A dor da perda deu lugar à indignação para a família de José Humberto Ferreira Rodrigues, de 70 anos. Mais de um mês após o trágico acidente que tirou a vida do motorista de ônibus aposentado em Vicente Pires, familiares cobram celeridade na punição do responsável. O caso, que ocorreu em 15 de fevereiro na Rua 1 (região do Jockey), expõe a fragilidade da segurança viária e o impacto devastador da imprudência ao volante no Distrito Federal.
De acordo com as investigações da 38ª Delegacia de Polícia, o atropelamento foi o desfecho de um engavetamento em cadeia. Um Hyundai Tucson colidiu na traseira de um Renault Kwid, conduzido por uma idosa de 72 anos. O impacto projetou o Kwid contra um Volkswagen Polo que estava parado para o pedestre atravessar. Com a força da batida, o Polo atingiu José Humberto sobre a faixa de pedestres. O idoso chegou a ser socorrido ao Hospital de Base, mas não resistiu aos ferimentos graves.
O que mais revolta a família é a conduta do motorista da Tucson, apontado como o causador da colisão primária. Segundo Thiago Vieira Rodrigues, filho da vítima, o homem deixou o local logo após o acidente. "Ele causou prejuízo, matou uma pessoa e foi embora", desabafou ao portal Metrópoles. A Polícia Civil (PCDF) confirmou que o condutor já foi formalmente indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor e evasão do local do acidente.
Além da perda irreparável, o acidente deixou traumas em outros envolvidos. A motorista do Kwid, de 72 anos, teve perda total do veículo e segue profundamente abalada. Testemunhas que presenciaram a cena foram fundamentais para a identificação do veículo causador, permitindo que a polícia avançasse no inquérito mesmo com a fuga do suspeito.
O inquérito policial está em fase avançada, mas a conclusão definitiva depende do laudo elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC). A PCDF informou que solicitou prioridade na análise devido à gravidade e repercussão do caso. Somente após a entrega desse documento técnico o procedimento será encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que decidirá pelo oferecimento da denúncia criminal.
Enquanto o laudo não chega, a família de José Humberto mantém viva a memória de um homem que dedicou a vida a conduzir pessoas pelas ruas de Brasília e que, ironicamente, teve sua trajetória interrompida justamente no trânsito. O clamor por justiça em Vicente Pires reforça o debate sobre a impunidade em crimes de trânsito e a necessidade de perícias mais ágeis para garantir que a responsabilização não se perca no tempo.
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