
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desferiu mais um golpe contra o crime organizado especializado em alta tecnologia. Nesta terça-feira (7/4), a 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) deflagrou a terceira fase da Operação Satoshi, desarticulando um esquema milionário que utilizava energia elétrica e cabos de rede furtados para alimentar "fazendas" clandestinas de mineração de criptomoedas. A ação concentrou-se na região de Capão Cumprido, em São Sebastião, onde dois novos núcleos da engrenagem criminosa foram localizados.
Durante a ofensiva, os agentes apreenderam 20 equipamentos de mineração de última geração, avaliados em R$ 720 mil, além de dois transformadores de grande porte orçados em R$ 200 mil. A operação, que contou com o suporte da Neoenergia e da Divisão de Operações Aéreas (DOA), revelou um nível de sofisticação técnica incomum: o grupo não apenas desviava eletricidade, mas também subtraía cabos de internet e telefonia para garantir a conexão ininterrupta das máquinas de mineração.
Segundo o delegado responsável, Ronney Augusto Matsui, o prejuízo causado apenas pelo furto de energia elétrica à concessionária local é estimado em R$ 720 mil. As investigações apontam que o esquema operava com uma logística de escala industrial. Em fases anteriores da operação, iniciadas em janeiro deste ano, a polícia já havia descoberto imóveis que desviavam cerca de R$ 100 mil em energia por mês cada um, totalizando lucros ilícitos astronômicos baseados no consumo gratuito de recursos públicos.
A mineração de criptomoedas é um processo que exige um consumo massivo de eletricidade para manter processadores funcionando em alta performance 24 horas por dia. Para viabilizar a lucratividade, os criminosos instalavam transformadores potentes de forma clandestina, gerando não apenas prejuízo financeiro, mas também riscos de sobrecarga e incêndios na rede elétrica da região de São Sebastião, prejudicando o abastecimento de moradores regulares.
A Operação Satoshi agora entra em uma fase de análise de dados e rastreamento financeiro. A PCDF busca identificar o destino das moedas digitais mineradas e a possível rede de lavagem de dinheiro utilizada para converter os ativos virtuais em bens lícitos. A suspeita é de que o esquema seja apenas a ponta do iceberg de uma organização criminosa mais ampla, com ramificações em outras Regiões Administrativas e possivelmente em outros estados.
Os envolvidos devem responder por furto qualificado, dano qualificado ao patrimônio público e organização criminosa. A polícia alerta que a comercialização dessas máquinas e a estrutura montada indicam um mercado paralelo de tecnologia voltado para o crime. Enquanto os servidores apreendidos seguem para a perícia, a PCDF reforça o monitoramento em áreas rurais e núcleos urbanos isolados, locais preferidos por esse tipo de grupo devido à facilidade de ocultar o barulho e o calor gerado pelas usinas de mineração.
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