
Muitas vezes ignorada na rotina, a coloração da urina é um dos bioindicadores mais acessíveis do corpo humano. Variações que vão do amarelo pálido ao vermelho intenso podem indicar desde um simples nível de desidratação até patologias graves nos rins ou no fígado. Segundo o infectologista Marcelo Cordeiro, consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, embora a cor seja um alerta inicial importante, ela não deve ser interpretada de forma isolada para um diagnóstico.
A urina saudável deve ser amarelo-clara ou cor de palha. Quando foge desse padrão, o corpo pode estar enviando mensagens específicas:
Escura (Cor de chá preto): Pode indicar a presença de pigmentos biliares (colúria), sinalizando problemas no fígado ou nas vias biliares, como hepatites.
Avermelhada ou Rosada: Indica a presença de sangue (hematúria). Pode estar ligada a infecções urinárias, cálculos renais ou, em casos mais simples, ao consumo de alimentos como beterraba.
Turva ou Esbranquiçada: Sugere a presença de pus, um forte indício de infecção bacteriana no trato urinário.
Alaranjada: Frequentemente causada por desidratação severa ou uso de medicamentos específicos e vitaminas.
Cor de Vinho: Pode indicar lesão muscular grave (mioglobinúria), onde proteínas do músculo são filtradas pelos rins após traumas ou exercícios extremos.
As infecções do trato urinário são responsáveis por cerca de 7 milhões de consultas anuais, sendo que 80% das mulheres terão pelo menos um episódio na vida. O alerta deve ser imediato se a mudança na cor vier acompanhada de:
Febre e calafrios;
Dor lombar (nas costas);
Ardência ou dor ao urinar.
Estes sintomas sugerem que a infecção pode ter atingido os rins, exigindo tratamento assertivo para evitar complicações sistêmicas.
Para confirmar qualquer suspeita, o médico geralmente solicita o EAS (Elementos Anormais e Sedimento), conhecido como Urina Tipo 1. Se houver indícios de infecção, a urocultura é realizada para identificar a bactéria específica e determinar o melhor antibiótico. "Se a cor não normaliza após a hidratação, é sinal de que o problema deve ser investigado profundamente", orienta Cordeiro.
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